Tenho acompanhado com muito entusiasmo a tentativa dos governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro em dar um novo rumo às práticas de enfrentamento em relação aos dependentes do crack que perambulam como verdadeiros zumbis pelas ruas da capital.
Todos sabem o drama vivido pelos familiares destes dependentes que mergulham nas águas profundas e escuras deste vício. Lares desfeitos, laços familiares despedaçados, vidas interrompidas por todas consequências desta droga que escraviza seus dependentes de forma quase impensável.
E como se já não fosse trágico o suficiente restam ainda as vítimas destes dependentes que para conseguir mais uma pedra, furtam seus próprios lares até não haver mais nada de valor. Restam casas vazias e o desespero. O próximo passo é delinquir. Sair às ruas para cometer pequenos furtos, assaltos, sequestros e frequentemente homicídios. Matam como quem esmaga uma mosca. Não há remorso, apenas a necessidade incontrolável por mais uma pedra.
Diante disso, profissionais da saúde e áreas afins tem se debruçado sobre este tema numa tentativa de encontrar as melhores estratégias para o bom combate a essa chaga dolorida e que a todos atinge ou um dia virá a atingir, de uma forma direta ou indireta .
Dai veio a internação compulsória . Através de uma busca ativa, psicólogos, assistentes sociais e médicos saem as ruas para cadastrar esses dependentes e num segundo momento, apoiados por aparato policial levá-los para desintoxicação e tratamento.
Há quem discorde, afinal essas pessoas são levados na maioria dos casos contra sua própria vontade apesar do manifesto apoio dos familiares que não raro, acompanham pessoalmente esta busca e a internação quando então prestam a imprensa depoimentos emocionado e cheios de gratidão.
Outros pensam que o Estado faria melhor se vigiasse as fronteira para impedir a entrada das drogas, como se já não houvesse a muitos anos laboratórios para o refino da cocaína em nosso próprio país e consequente obtenção do crack que é subproduto deste refino.
Pessoalmente ando desconfiado que este repentino interesse de governadores e prefeitos com os dependentes do crack tem mais a ver com a proximidade da copa do mundo e as olimpíadas do que à missão constitucional de exercer seus mandatos em benefício da população. Talvez eles imaginem que removendo das ruas este visível “incômodo” os visitantes estrangeiros também não poderão ver nossas ruas esburacadas, nossas favelas, hospitais lotados e mal equipados assim como todas as mazelas a que nos acostumamos a ver todos os dias e que em nada incomodam nossos políticos. Mesmo com essa desconfiança, tenho a convicção de que estes dependentes que estão sendo recolhidos das ruas, daqui a algum tempo, quando saírem da dependência e tiverem voltado às suas vidas rotineiras, terão duas coisas a dizer. A primeira será um sincero e emocionado agradecimento por tê-los livrado da escravidão do vício que a droga lhes impôs. A segunda será uma pergunta: _ Por que vocês demoraram tanto para me resgatar?

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