Na reta da chegada, seria possível uma onda vermelha?

Luiz Alberto Gomez de Souza *



Duas observações iniciais. Não tenho militância partidária. Aposto, antes de tudo, num processo de mutações sócio-políticas a largo prazo e na caminhada das forças populares. Acompanho com interesse os movimentos sociais e sinto que eles são determinantes, como mediadores das forças que atuam na sociedade, ainda que alguns deles, presos a análises ideológicas abstratas, tenham descolado do povo real.
Já adianto que isso não se deu no MST, sempre ligado às bases. Além disso, em certas ocasiões, principalmente no começo de novos processos históricos, os partidos e o governo também podem chegar a ter especial importância, dando oportunidade às forças sociais e a seus movimentos de se manifestarem e crescerem. É aí que o Estado, como sociedade política, pode assumir um papel relevante. No caso do Brasil, ele esteve presente em momentos de construção da nação e daí os esforços de alguns para desconstruí-lo e reduzi-lo a um Estado mínimo.

Felizmente lideranças expressivas, como o MST e Leonardo Boff, vêm afirmando que é preciso afastar o risco tucano. Essa será a missão nas próximas semanas, para quem acredita num Brasil dinâmico, como pressente tão bem o povo em sua sabedoria, que parte de sua vida real, tantas vezes sofrida e agora sentindo mudanças. Na urna já seria tempo de pôr em prática a Ficha Limpa. E há, sobretudo, que dar liberdade a Dilma para fazer um governo com menos amarras que o atual, com outro legislativo que possa defendê-la melhor de alianças corrosivas e que reabilite esse poder, essencial numa democracia.

* Sociólogo, Diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência de Religião da Universidade Candido Mendes

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Comentário de Sérgio Troncoso em 31 agosto 2010 às 23:39
O texto é bom, mas só arranha o problema do poder político no Brasil, e suas idiossincrasias. O que vejo Stellita, é que a despeito da muito provável eleição de Dilma, do tipo de presidencialismo que temos, que é totalmente dependente de um bom congresso e governadores que ajudem, as forças progressistas estão longe de fazer uma maioria significativa. Nos estados do sul e sudeste que possuem a maior parte da população brasileira, o que vejo é a possível perda de mandato dos dois senadores petistas no RS e SC, o maior estado da federação em mãos tucanas, Minas indo atrás e ainda elegendo dois senadores oposicionistas, e o Rio com o PMDB no poder, aliado forte e com agenda própria. Não acho que vai ser esse banho que muitos estão achando. Bj.
Comentário de Stella Maris em 31 agosto 2010 às 23:44
Sergio. Por aqui tb, temos preocupções. leia isto.

Pelo andar da carruagem, a fatura da eleição presidencial deve ser liquidada no primeiro turno. A cada pesquisa divulgada, Dilma Rousseff
No Ceará, a tendência é a eleição ser concluída em 3 de outubro com a reeleição do governador Cid Gomes (PSB ). Porém, para a vitória ser completa, é imperioso derrotar as forças do atraso. A coligação de Cid (PSB, PT, PMDB, PCdoB, PRB) deve eleger uma bancada de pelo menos 37 deputados estaduais e 17 federais. Mas precisa eleger os dois senadores -Eunício e Pimentel- para evitar que o governo Dilma seja boicotado como tem sido o do presidente Lula. Cid conta ainda com o apoio informal do PHS, PSL, PTN, PTB, PTdoB, PRTB, PMN e PP.

Até o momento, as pesquisas tem sido favoráveis ao tucano Tasso Jereissati. Contudo, esse quadro pode e deve mudar. Isto porque mais de 60% dos cearenses
entrevistados declararam não ter definido candidato ao Senado. Um grande número de eleitores pensa que Tasso tem o apoio do governador Cid Gomes e do presidente Lula.

Por tudo isso, e muito mais, é imperioso derrotar as forças do atraso. Podemos e devemos eleger os dois senadores do Lula: Eunício Oliveira e José Pimentel.
Comentário de Marco Antônio Nogueira em 1 setembro 2010 às 1:26
STELLA,

O texto do autor é bom,
mas deixa-nos sentir
que ele ignora algo de
fundamental em Política:
caminhar com os pés no
chão.
Nosso PAÍS, depois de
500 anos nas mãos da
gente conservadora,
da DIREITA, parece claro
que em 7,5 anos de Governo
de LULA ter avançado um
século em todos os sentidos.
Só não avançou mais pra
não deixar a direita traumatizada
de vez. Então, devemos esperar
que mais avanços venham a
acontecer num possível,
ou provável, Governo DILMA.
"Piano, piano, se va lontano."
Não é assim que pensa o italiano?

Marco Nogueira
Comentário de Stella Maris em 1 setembro 2010 às 16:52
marco.
concordo contigo.
muitas vezes coloco estes texto, no sentido de demonstrar que as outras esquerdas, não são tão reacionárias ao LULA e seu governo...
claro que ELAS, não entendem , ou não querem entender o dificil de governar ,depois de tantas DIREITAS no poder...
mas eu não gosto muito de confrontar com eles , pois como vc. disse "

"Piano, piano, se va lontano."
Não é assim que pensa o italiano?

eu vivo rodeada de pessoas muito esquerdista, mas com muito discernimento.
o imortante é apoiar esta candidatura.. para não acontecer....( aquilo)
bjs.

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