Para os leitores dos meus ensaios que acham o sujeito transcendental (mundo real) um saber inútil, me deparei com o texto abaixo em que a resposta 2 refuta a proposta do dia-a-dia para os pressupostos de Aristóteles (considerados também saber inútil - sem o saber da realidade). "Eu", entretanto, reduzi a lógica especulativa à estrutura do ente (essência do 1º motor da realidade) como pressuposto de base do ser já dado no cosmo.

Embora não concorde com alguns argumentos das respostas, agradeço essa transcrição ao Gilmar porque me ajuda a postular o sentido contemporâneo da metafísica de Aristóteles.


METAFÍSICA DE ARISTÓTELES, PERGUNTAS E RESPOSTAS
Escrito por Gilmar Kruchinski Junior.
www.textolivre.com.br


1 – Qual a final conhecimento metafísico para Aristóteles, e por que ele pode ser considerado um saber inútil?

2 – Qual o sentido do ser pressuposto pela metafísica Aristotélica, e por que ele não pode tematizar explicitamente este sentido?

3 – Por que a metafísica clássica é em certo sentido ingênica?

4 – Procure relacionar ciência e filosofia trancendental em Kant.

5 – Relação entre antologia clássica e filosofia fundamental em Kant.

6 – Diferença entre lógica formal e lógica transcendental.

7 – Caracterize a lógica especulativa.

8 – Em que medida a proposta de uma filosofia como teoria da ciência não é uma filosofia primeira em conte (metafísica)


RESPOSTA


1 – Metafísica clássica: A razão está no objeto em que o sujeito se adequa (cosmocenteismo)

Metafísica da subjetividade (antropocêntrica).

A finalidade do conhecimento metafísico para Aristóteles é descobrir a entidade do ente ou a estrutora do ente enquanto ente. Visto que o ser dos entes já está dado como essência imutável, em que ele não tematiza o pressuposto do ser já dado.

Pode ser considerado em saber inútil no sentido de que é teorético enquanto teorético. Não procura a prática do dia-a-dia, mas sim a forma perfeita, algo divino, do saber enquanto saber, sem preocupação com a realidade mundana.

2 – Ser é a essência, ou ato puro. Não pergunta pelo sentido do ser diretamente, pois está claro que o ser (ou essência) é o fundamento dos entes. Sua preocupação consiste em revelar a estrutura do ente, por isso não tematiza explicitamente este sentido.

Por exemplo: Se a estrutura fundamental do ente é a essência , então, de modo indireto, por tabela, ele procura revelar esta estrutura.

Mais claro: A estrutura do entre si funda na estrutura do ser.

Aristóteles não se pergunta pelo sentido do ser, visto como algo dado, imutável, e causa dos entes. É um pressuposto de racionalização do divino ( 1º motor).

Ele não pode tematizar explicitamente este sentido porque implicitamente, quando procura “destrinchar” a estrutura do ente enquanto o ente, procura implicitamente, de forma indireta a essência do ser nos entes. Por isso não tematiza o ser diretamente. Ele já esta dado sem se perguntar pelo sentido do ser, mas pela estrutura do ente. É uma diferença sutil, mas importante para este entendimento.

3 – A metafísica clássica é em certo sentido ingênua porque procura a ser no objeto, sem que os filósofos antigos tenham se dado conta que são eles que ( sujeitos ) que impõe o objeto e o ser no objeto. Que as condições de possibilidade de pensarem o ser e o descobrirem estão neles (sujeitos) e não nos objetos que observão.

Que seja, o ser é dado pelo sujeito, não é pelo objeto.

Então o sujeito é que conhece e se coloca o ser, é um ser do sujeito, e não de fora, de um objeto exterior.

A condição de ser é objetivada pelo sujeito, e não o sujeito é objetivado pelo objeto (ser) .

4 – Ciência = objetivação metodológica do sujeito.

Filosofia transcendental = A filosofia é objetivada metodologicamente, dialeticamente pelo sujeito.

O sujeito que conhece as categorias do pensamento reflexivo sobre si mesmo apóia estas categorias. Por isso Kant afirma que o sujeito é o Eu transcendental. Ele já afirmava que o homem é essencialmente metafísico, mas sem objetivar a metafísica.

Ele demonstrou por reflexão objetiva da ciência que o sujeito apóia a ciência. A ciência de base (teórica) pode ser chamada de Filosofia. A Filosofia de Kant se apóia nas categorias do sujeito. E este sujeito é o Eu transcendental que é o sujeito é a base fundamental categorial sistemática que objetiva-se exteriorizando-se na forma objetiva, científica, própria da ciência.

5 – Ontologia clássica = O ser é o objeto exteriorizado na relação contingente (necessário).

O ser se revela através do objeto que o homem observa e apreende o conhecimento de forma passiva pelo intelecto (logos ordenador) em que o homem se apercebe dessa realidade, na qual as coisas se repetem.

Na Filosofia fundamental em Kant, (ver resposta 4) a revolução copernicana coloca o sujeito com o ser que impõe o objeto e o conhecimento a esse objeto. O fundamento (ponto de apoio) em Kant é o lógos do sujeito, que ordena de forma ativa a organização do mundo do sujeito. Na relação entre o clássico e o moderno, a ontologia do primeiro está fora do sujeito, enquanto que no segundo a ontologia se dá no lógos interno do sujeito que percebe esta realidade, realidade do ser.

6 – Lógica Formal = Se caracteriza pelas formas (matemática, Lógica matemática, etc...) sem se preocupar com a realidade. A lógica formal é o seu próprio conteúdo. São as formas de pensamento abstrato em si mesmas, podendo dentro destas formas haver conteúdo ou não. A rigor, a forma já é o conteúdo da lógica, que por seu caráter abstrato, pode ou não ter ligação com outras realidades além dela mesma.

Lógica Transcendental = busca os fundamentos que dão origem à lógica formal, dão origem às formas lógicas.

Utiliza as formas lógicas apenas como ferramenta para descobrir os seus próprios fundamentos ou alicerces estruturais. Coloca conteúdo objetivo nas formas lógicas e a supera quando descobre o seu alicerce ou fundamento, ou quando transcende ( ultrapassa) à própria estrutura formal, lógica, do pensar.

A chamada lógica se descobre nos alicerces de uma filosofia primeira, adquirindo estatuto ontológico ou filosofia transcendental, pois ultrapassa os fundamentos formais lógicos, este ato de ultrapassar é ato de transcendência, onde se descobre que estas categorias formais da razão estão apoiadas em uma estrutura primeira do Eu que ultrapassa, transcende (Eu transcendental em Kant).

7 – É uma lógica que reduz a metofísica à uma fenomenologia sem objetivação. Pelo fato de ser especulativa, não pode objetivar nem sua auto afirmação, ou seja, a especulação é crítica em relação ao objeto estudado, nunca em si mesma. Senão não seria chamada de especulativa. Seu objetivo é inferir dados que possam validar (manter) um argumento ou refuta-lo, demonstrando o seu fundamento (sempre reduzido à categoria lógica da especulação) ou refutando um fundamento.

Têm o caráter positivo de pôr em dúvida ou mostrar falhas nos argumentos.

8 – A Filosofia como teoria da ciência em conta é uma das formas do estágio científico mais avançado.

No sentido da própria Filosofia positiva, ela ultrapassaria os estados teológico e metafísico até tornar-se teoria da ciência.

No sentido da reflexão da teoria filosófica de base enquanto tal, ela remeteria a uma metofísica enquanto condição de transcendência ou superação para refazer-se e ampliar-se numa atitude reflexiva que a própria estrutura fundamental da consciência faria para reformulá-la, para ampliar e melhorar suas bases teóricas da ciência, ou suas bases teóricas reiterariam sempre a uma filosofia primeira e metofísica, Filosofia fundamental, de base.

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