Negócios na Argentina impulsionaram Petrobras

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


O processo de internacionalização da Petrobras teve nos investimentos na Argentina um excelente pilar para o posicionamento da empresa no cenário internacional e apresentou ótimas oportunidades de negócios. O investimento no país vizinho permitiu que a estatal colocasse em prática as diretrizes de seu planejamento estratégico no início dessa década, onde previa a sua transformação em uma empresa integrada de energia e a liderança na América Latina.

A consideração vem do artigo “A Petrobras e as reformas do setor de Petróleo e Gás no Brasil e na Argentina”, o qual aborda que a entrada da petroleira brasileira na Argentina esteve ligada às alterações regulatórias de ambos países, bem como a oportunidades geradas por conta de oscilações econômicas. O texto traça um breve histórico da cadeia de petróleo em ambos os países, com foco nas negociações e mudanças ocorridas no setor entre 2000 e 2005.

A entrada da estatal no país vizinho remonta à década de 80, com a redemocratização política dos dois países, quando os primeiros protocolos de integração foram assinados, mas a entrada na cadeia de petróleo argentino tomou moldes efetivos a partir de 2002.

Conforme o artigo, no Brasil, a Lei 9 478, de abril de 1997, encerrava com o monopólio estatal do setor petróleo, fazendo com que a Petrobras passasse a competir em todos os elos da cadeia com as empresas privadas que desembarcavam no país. Os novos desafios motivaram um redesenho de seu modelo organizacional, onde a ampliação da competitividade da empresa no Brasil e o aumento de sua atuação na América Latina se tornariam metas, no âmbito do Plano Estratégico 200-2010 da petroleira.

O Plano, além de tornar empresa uma companhia integrada de energia, tinha a pretensão de transformar a Petrobras me uma empresa transnacional. A partir de 2000, as atividades internacionais, que eram controladas por uma subsidiária, passaram a ser capitaneadas por uma unidade de negócio específica, ligada ditamente à presidência da estatal, resultado da reforma administrativa aprovada no mesmo ano.

O ano de 2002 foi definitivo na processo na entrada da Petrobras na Argentina, com a compra de três empresas no país: a Petrolera Santa Fé (propriedade da Devon comprada por US$ 89,5 milhões), e duas companhias do grupo Pérez Compac S.A, segunda maior petroleira argentina (US$ 1,03 bilhão por 58,6% da emrpesa), e a compra de 39,67% da Petrolera Pérez Compac S.A (US$ 49,8 milhões).

A compra da Santa Fé a um valor médio de US$ 1 o barril, por sinal, foi favorecida pela instabilidade econômica da Argentina. Analistas também consideravam a compra da Pérez como um negócio interessante, mesmo com a dificuldade de valorar os ativos do país por conta da grave crise.
As mudanças regulatórias na Argentina precederam as do Brasil. As exportações do petróleo produzido na Argentina para o Brasil saltaram de 2,3 milhões de barris, em 1992, para mais de 50 milhões, em 1997. Esse aumento surpreendente ocorre justamente após as reformas do setor de petróleo e gás na Argentina.

As exportações brasileiras reduziram com a crise política e econômica de 2001 – 2002, onde o governo argentino fixou um imposto de até 20% sobre as exportações de petróleo e 5% sobre o gás. O Brasil, por outro lado, passou a exportar óleo bruto para a Argentina a partir de 2000 na ordem de 437 mil barris, passando para mais de 5 milhões de barris no ano seguinte. Mesmo com a crise, o comércio de derivados apresentou um crescimento, o que, de acordo com o texto, que coincide com a orientação da estatal brasileira de integrar seus ativos em nível regional.

De acordo com o estudo, a América do Sul foi o primeiro passo para o processo de transformação da Petrobrás em companhia transnacional. Em 2005, ela era a 14ª maior empresa petrolífera do mundo, segundo os critérios do periódico especializado Petroleum Intelligence Weekly. Nesse sentido, os investimentos realizados pela Petrobrás na Argentina, entre 1999 e 2005, foram um divisor de águas na história de sua atuação no exterior.

Veja aqui a íntegra do artigo

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