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Nilo Costa - O Tio Nilo do Clube do Choro de Brasília


Desde o final do ano passado que estou pra fazer um post sobre o saxofonista Nilo Costa, também conhecido no Clube do Choro de Brasília como "Tio Nilo". Por razões diversas não o fiz e lamento agora minha homenagem ser in memoriam. Pessoa simples e carismática, de grande talento musical, Seu Nilo, como eu o tratava em minha terra natal, animou muitos bailes carnavalescos do Clube Palmirense (foto) da minha adolescência, sempre com música da melhor qualidade.



Nascido em Juiz de Fora, mudou-se para Santos Dumont ainda criança. Teve sua iniciação musical tocando na bandinha que se apresentava no coreto da praça central. Mais tarde, junto com outros musicistas, fundou o Conservatório Artístico Musical de Santos Dumont. Tocou em antigas orquestras da cidade e formou o conjunto regional Guararapes. Contratado pela Rádio Cultura, o conjunto acompanhava cantores famosos como Orlando Silva, Blecaute, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Ângela Maria e tantos outros. O Guararapes também animava bailes em Santos Dumont e na região.





Aposentado pela Rede Ferroviária Federal, em 1972, Nilo Costa foi ao encontro de familiares na capital federal. Ficou de vez. Demorou um pouco a conhecer os músicos que viriam a ser seus companheiros na criação do Clube do Choro: Avena de Castro, Pernambuco do Pandeiro, Tio João do Trombone, Bide da Flauta, Alencar Sete Cordas e Eli do Cavaco, entre outros. “Os primeiros encontros da turma foram no apartamento da Dona Odete (a flautista Odete Ernest Dias), onde, no dia 9 de setembro de 1977, fundamos o Clube do Choro". (em entrevista ao Correio Braziliense)



Aos 90 anos de idade, o músico pretendia se apresentar na inauguração da nova sede do Clube do Choro de Brasília. Não deu tempo. Nilo Costa faleceu em Brasília no dia 15 de março passado.



Chorando Baixinho | Abel Ferreira e seu conjunto





Do Correio Braziliense:



Com a voz embargada, Pernambuco falou ontem pela manhã sobre Tio Nilo (como músico se tornou conhecido), morto às 21h30, de segunda-feira, no Hospital Brasília, vítima de falência dos órgãos, provocada por problemas renais. “Nilo foi meu grande companheiro na luta para manter o Clube do Choro em pleno funcionamento nos primeiros anos de existência. Além de um grande músico, era solidário em tudo. Mesmo afastado do clube, mantinha-se atento ao que ocorria lá e chegou a visitar, algumas vezes, a obra da nova sede”.

Tio Nilo foi sepultado ontem, às 17h, no Campo da Esperança, com o
acompanhamento de familiares e antigos companheiros do Clube do Choro. Ele deixou mulher, nove filhos, 25 netos e nove bisnetos. Para Henrique Santos Filho, o Reco do Bandolim, presidente da instituição, o saxofonista que, em setembro do ano passado, havia completado 90 anos, “trouxe a sabedoria e a capacidade mineiras de convivência com os companheiros, e foi peça fundamental para manter acesa a chama do clube”.

Vice-presidente da Ordem dos Músicos em Brasília, há bastante tempo, Tio Nilo tinha um motivo para entusiasmar-se com a nova fase da Ordem (atualmente presidida por Sidnei Teixeira): a implantação do centro médico vai oferecer vários serviços à classe musical. “Isso é importante, pois há vários músicos desassistidos e sem condições até de pagar uma consulta médica.” (IRL)


Fontes: Correio Braziliense e Agenda Samba Choro

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Comentário de Cafu em 31 março 2010 às 1:26
Que triste! Sinto muito. Imagino que um acontecimento assim mexe com lembranças antigas e traz muitas saudades. Da minha parte, lamento não tê-lo conhecido. Lamento, também, que ele não tenha vivido uns dias mais para assistir à inauguração da nova sede do Clube do Choro. Penso que muito do tio Nilo continuará vivo e permanecerá entre nós nesta nova etapa de crescimento e consolidação do Clube do Choro de Brasília. Como disse o Reco, ele foi peça fundamental para manter acesa a chama. No dia 12 de abril ele estará mais presente do que nunca, pois a velha-guarda dos chorões é o fundamento e o esteio dessa maravilhosa construção.



Sensível (Pixinguinha) # Leo Gandelman

Beijos,
Cafu.
Comentário de Laura Macedo em 31 março 2010 às 1:56
Helô,
Super merecida sua homenagem ao Nilo Costa.
Como bem disse nossa amiga Cafu, na inauguração da nova sede da Clube do Choro de Brasília ele estará espiritualmente presente e vibrando...
Beijos.
Comentário de Cafu em 31 março 2010 às 16:54
Pôxa, não escrevi que o lindo bandolim que acompanha o sax do Leo Gandelman em Sensível é do Joel Nascimento. Justiça seja feita.
Beijos,
Cafu.
Comentário de Helô em 1 abril 2010 às 0:28
Cafu e Laurinha
É bem provável que o Clube do Choro faça alguma homenagem a ele. Esse fato mexeu muito mesmo com as minhas lembranças. De certa forma, sinto-me privilegiada pelo ótimo nível musical do conjunto Guararapes animando o carnaval do clube que eu frequentava. Com certeza, parte da minha vibração com os bailes vinha da música.
Grata pela música, Cafu.
Beijos, meninas.
Comentário de Cafu em 10 abril 2010 às 15:20
Helô e Laurinha,
Ontem a Odete Ernest Dias se apresentou no Clube do Choro com os seus filhos Beth (também flautista) e Jaime (violão). Como ela faz parte da Velha Guarda do Clube do Choro e foi anfitriã de muitas rodas de choro no período de formação dessa tradição em Brasília, nos contou muitas histórias daquele tempo.
Ela comentou sobre o Nilo Costa, sua importância para o grupo e excelência como instrumentista, e tocou uma linda valsa que ele fez para a esposa. Tinha barulho na hora e não consegui entender o nome dela. Mas a Helô com certeza deve saber.
Me lembrei de vocês.
Beijos.
Comentário de Helô em 11 abril 2010 às 1:12
Cafu
Pra lhe dizer sinceramente, não saberia o nome da Dona Quinha não o tivesse visto em uma das reportagens do Correio Braziliense. Sempre a conheci pelo apelido, mas o nome é Maria Erotides.

Nos anos 70/80, fui a vários concertos da Odete Ernest Dias no Centro Cultural Pró Música. Ela era figurinha fácil por aqui. E eu tinha todos os programas de concertos autografados, mas não sei onde foram parar :(
Beijos, meninas.
Comentário de Cafu em 11 abril 2010 às 19:45
O nome da bela valsa é este:"Erotides". Foi o que eu quase entendi em meio ao barulho e ao sotaque francês da Odete.
A Odete é uma pessoa linda e uma excelente flautista. Lembro-me dela, em 1977, tocando música no minhocão da Unb. Outro momento que o destino nos conectou: estava voltando da Espanha( +- em 1998) e o aeroporto estava um caos (operação tartaruga dos contoladores e funcionários do aeroporto, se bem me lembro). Todos os vôos atrasados e os passageiros sem informações de ninguém. Nosso vôode volta ao Brasil, pela Ibéria, teve atraso de 12 horas e, neste ínterim, ninguém da companhia aparecia para dar explicações. A brasileirada começou a protestar e a fazer barulho. Nós levaram para um lugar loooooooooogggeeeee, com guardas vigiando. O clima estava tenso e beirando a uma "guerra". De repente, a Odete abre seu estojo, tira a flauta e toca Carinhoso e outras músicas. Foi como mágica. A poeira baixou e todo mundo foi se aquietando, inclusive os mais exaltados. O poder da música e a generosidade de uma grande artista em ação.
Chegando ao Rio, como se não bastasse, uma parte dos passageiros teve a bagagem extraviada. Todo mundo que iria do Rio para outros lugares perdeu os vôos com o atraso. Odete foi para o balcão e uma gringa grosseirona questionou-a sobre estar " furando a fila". Ela respondeu na lata e com a maior dignidade: "Tenho 68 anos e direito à fila preferencial". A insolente ainda retrucou: "A senhôrra não é tão velhinha assim!". Arre! Deu vontade de dar uns catiripados nas orêias da mal-educada! Hahaha. Mas eu sou civilizada e a Odete soube se defender muito bem. Nunca me esqueci desse episódio.
Beijos.
Comentário de Helô em 11 abril 2010 às 21:19
Cafu
Agora eu me emocionei pra valer. Ao pesquisar o vídeo da Odette que coloquei em sua página, acabei encontrando um outro com depoimentos sobre a criação do Clube do Choro. E quem está lá? Nilo Costa. Veja que pessoa doce era o Nilo.
Beijos.
Comentário de Cafu em 11 abril 2010 às 22:03
Maravilha! Emocionante ouvir esses relatos e conhecer o Nilo Costa um pouco mais. Bela descoberta, Helô.
Beijos.
Comentário de Andrea Cavalcanti Cysneiros em 1 maio 2010 às 20:55
Legal Helô, muito bacana essa homenagem. Não sabia que o Rafael Rabelo tinha ajudado a resgatar o clube do choro de uma situação tão difícil. Fiquei surpresa. Ainda bem que a memória desses grandes músicos não foi perdida e os novos talentos estão ajudando a reescrever a história do choro brasileiro. Sorte nossa de poder contar com a generosidade de nossos músicos.
Beijão pra vc!

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