No dia da Poesia... Augusto dos Anjos e sua Eterna Mágoa

Eterna mágoa

                     Augusto dos Anjos

 

O homem por sobre quem caiu a praga

Da tristeza do Mundo, o homem que é triste

Para todos os séculos existe

E nunca mais o seu pesar se apaga!

 

Não crê em nada, pois, nada há que traga

Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.

Quer resistir, e quanto mais resiste

Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

 

Sabe que sofre, mas o que não sabe

E que essa mágoa infinda assim não cabe

Na sua vida, é que essa mágoa infinda

 

Transpõe a vida do seu corpo inerme;

E quando esse homem se transforma em verme

É essa mágoa que o acompanha ainda!

 

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Comentário de Mario Henrique em 15 março 2011 às 0:03
E eu idem Kelly.. Como viveu pouco esse paraibano "arretado" de uma poesia sem igual... morando na fazenda Pau d'Arco, que em meio as tantas desgraças de um sertão em decadência, produziu poemas carregados de tristezas, desilusões e permeados de termos cientificos rebuscados. Mas sobretudo singulares e eternos...

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