No cotidiano, os moradores de Vila Isabel andam pelas calçadas do bairro e pisam distraídos em seus sambas imortais.

O pentagrama de pedras conta, em notas musicais, o talento do seu filho mais ilustre, por quem a Vila enlutou-se com a sua precoce partida aos 26 anos, chorando em seus bordões uma saudade imortal.



“Violões em funeral”, de Sílvio Caldas e Sebastião Fonseca, com Orquestra Radamés Gnattali. Continental (16.179), 1951.

 

 

 


Noel Rosa, compositor popular carioca, um gênio na sua arte, faleceu há sete décadas (4 de maio de 1937) e nasceu há um século (11 de dezembro de 1910).

Durante sua curta existência criou mais de 200 composições engendrando um dos mais importantes capítulos da história de nossa música.

Segundo Haroldo Costa não há nenhum exemplo, mesmo na música de outros países, de alguém que tendo vivido tão pouco tenha produzido tanto. E Millôr Fernandes acrescenta: “pelo menos 50 indiscutíveis obras-primas”. No que concordo plenamente com ambos. A prova cabal é a perenidade viva e moderna da obra de Noel.

A importância de Noel Rosa reside no fato de que, em apenas sete, quase oito anos de carreira artística, ele bebeu em praticamente todas as vertentes possíveis do universo da produção cultural e artística da época.


Jorge Guidacci da Silveira (Guidacci)

 




A obra de Noel é considerada genial e moderna por ser totalmente diferente da produção realizada na época. E essa obra abrange dois grandes segmentos, segundo Jairo Severiano: o amargo, pessimista, que trata das agruras do amor – paixões, ciúmes, traições – e que é muitas vezes autobiográfico e até confessional (cerca de 40%); e o alegre, otimista que faz a crônica do cotidiano, dos fatos pitorescos, de forma espirituosa (60%).

Outro aspecto que o distingue dos letristas do seu tempo (a exceção de Lamartine Babo) é a frequente utilização de rimas ricas, extravagantes e inesperadas.

Não podemos deixar de reconhecer que a força lírica das canções de Noel Rosa estaria hoje debilitada não fosse o esforço abnegado dos amigos que, após sua morte, ajudaram a perpetuar sua memória, a exemplo de Almirante, Aracy de Almeida, Marília Batista e tantos outros.

Com méritos de sobra e a valiosa ajuda dos amigos, Noel Rosa, continuou a existir no real-imaginário carioca (e brasileiro) como um gênio da nossa Música Popular Brasileira.



VERSOS DO NOSSO...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Poeta irretocável, melodista inspirado, cronista de costumes, a obra genial de Noel Rosa continua um exemplo de inspiração para as novas gerações que pretendam enveredar pelas trilhas da Música Popular Brasileira.


 
Edivaldo Serralheiro (Serralheiro)


Noel Rosa fecha com chave de ouro os vários centenários relacionados à MPB comemorados em 2010, a exemplo de Copinha, Jorge Veiga, Luiz Barbosa, Custódio Mesquita, Nássara, Haroldo Lobo, Adoniran Barbosa e Vadico.

Confesso que foi um ano “pesado” em termos de pesquisas e produções e nem tudo saiu como o planejado.

Em virtude da grandiosidade da obra de Noel optei em realizar vários posts ao longo do ano. Até que comecei cedo, em maio, mas a demanda dos centenários citados acima, aliada a outros trabalhos e as rotinas domésticas me absorveram de tal modo que só pude retomar as produções sobre Noel no mês passado. Aí, foi um Deus nos acuda.

O resultado deste trabalho, é bom que se diga, não teve a pretensão de englobar o universo vastíssimo de Noel Rosa, mas me deixou feliz por colaborar na divulgação da obra deste que é chamado de “Filósofo do Samba”, cuja personalidade artística continua e continuará por séculos sendo objeto de estudos e pesquisas, tal a riqueza a abundância de sua criação artística.


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LINKS DAS MATÉRIAS PUBLICADAS NO PORTAL LUIS NASSIF.

- Confissões de Noel Rosa (I) , ( II ), ( III) e Final

- Entrevista Póstuma com Noel Rosa


- Noel Rosa, Poeta do Outro Mundo


-Noel Rosa na Cauda do Cometa


- Noel Rosa Conquistando a Cidade Maravilhosa


-Noel Rosa Interagindo com o Morro


- Noel Rosa e suas Intérpretes Preferidas


- Noel Rosa e a Polêmica Musical com Wilson Batista


- Noel Rosa e suas Paixões


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Agradecimentos ao maridão Gregório Macedo e aos amigos Fernando Augusto, Gilberto Cruvinel e 300 Discos pelo incentivo e apoio. E a todos os comentaristas com destaque para as amigas Luzete e Simone Del Rio.


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Fontes:

- A construção do samba / Noel Rosa de costas para o mar, de Jorge Caldeira. – São Paulo: Mameluco, 2007.

- Uma história da música popular brasileira – Das origens à modernidade, de Jairo Severiano. – São Paulo: Ed. 34, 2008.

- Na cadência do samba, de Haroldo Costa. – Rio de Janeiro: Ed. Novas Direções, 2000.


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Exibições: 918

Comentário de Gregório Macedo em 11 dezembro 2010 às 2:24

Foi um trabalho bonito, lindinha. Admirável essa sua determinação. Cá e lá, estou certo, todos gostaram.

VIVA NOEL!

(De repente, lembrei aquele verso do Martinho: a Vila desce colorida, para brincar o Carnaval... E faço variação de pé quebrado: a Vila Brasil toda colorida, para festejar Noel!)

Beijos

Comentário de Gilberto Cruvinel em 11 dezembro 2010 às 10:29

" Não podemos deixar de reconhecer que a força lírica das canções de Noel Rosa estaria hoje debilitada não fosse o esforço abnegado dos amigos que, após sua morte, ajudaram a perpetuar sua memória, a exemplo de Almirante, Aracy de Almeida, Marília Batista e tantos outros "

 

Quero aqui incluir entre os amigos de Noel Rosa que ajudaram e ajudam a perpertuar sua memória, minha amiga Laura Macedo. A internet hoje é o grande veículo de comunicação e a fonte cada vez mais frequente de pesquisa entre as pessoas, sejam estudantes, sejam pesquisadores, sejam os amantes da boa música, em especial a música de Noel Rosa. Eu não conheço outro trabalho sobre música e músicos brasileiros e, especialmente, sobre Noel Rosa, mais completo e abrangente do que esta série sobre o Poeta da Vila composta por Laura Macedo.

A série, que começou em maio de 2010, ficará definitivamente como fonte obrigatória de consulta ao grande público que quiser conhecer sobre a história, os sambas, o talento, a inteligência e a importância do gênio Noel Rosa para a Música Popular Brasileira.

 

Devemos isso ao trabalho e ao talento da Laura Macedo.

 

Um grande beijo do amigo

Gilberto

Comentário de Laura Macedo em 15 dezembro 2010 às 23:32

Gregório,

Adorei a variação "a Vila Brasil toda colorida, para festejar Noel!"

Beijos.

Comentário de Laura Macedo em 15 dezembro 2010 às 23:40

Gilberto,

Confesso que meu ego ficou altamente massageado com seu gentil comentário :)) , motivando-me a continuar com este trabalho de preservação/resgate da nossa MPB.

Valeu por tudo, meu grande amigo Gilberto.

Beijos.

Comentário de Laura Macedo em 11 dezembro 2017 às 0:13

“Violões em funeral” (Sílvio Caldas/Sebastião Fonseca) # Silvio Caldas e Orquestra Radamés Gnattali. Disco Continental (16.379) / 1950/1951.

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