Noel Rosa e a musa inspiradora de "Três apitos"

 

Noel Rosa e Josefina Teles Nunes (Fina)

 

 

 

 

Segundo João Máximo a letra fala só em um apito, mas eram três os que soavam na fábrica de tecidos Confiança. O som fazia Noel Rosa se lembrar de Fina, musa que trabalhava numa outra fábrica. A história de uma das mais famosas composições de Noel é contada por um dos seus biógrafos, o jornalista e escritor João Máximo.

 

 

 

 

 

Relato de João Máximo

 

 

Ainda há quem pergunte porque um dos melhores sambas e Noel Rosa se intitula – “Três apitos”, quando, na verdade, a letra só fala de um apito, o da fábrica de tecidos que ali perto vinha ferir os seus ouvidos.

 

 

 

Outra pergunta é quem seria a musa inspiradora de Noel: Lindaura, a futura esposa, cuja mãe trabalhava na fábrica de tecidos “Confiança”, em Vila Isabel; ou Josefina Teles, a Fina, operária de uma fábrica de botões , no Andaraí.

 

 

 

Uma terceira pergunta: Por que um samba tão bom só seria gravado por Aracy de Almeida, 13 anos após a morte de Noel?

 

 

 

Primeiro uma explicação: Quando Noel Rosa se referiu a fábrica de tecidos não quis dizer que musa trabalhava nela. A fábrica Confiança ficava perto de sua casa, de modo que, ao ouvi o apito ele se lembrava de Fina - a verdadeira musa inspiradora que trabalhava na fábrica do Andaraí.

 

 

 

Quanto os apitos da fábrica Confiança, eram mesmo três. O primeiro às 5h:45 da manhã para despertar os operários que moravam nas redondezas; o segundo às 7h:00, mais longo marcando a hora de entrada e o terceiro às 7h45, curto, para informar que quem chegasse depois perdia o dia.

 

 

 

A razão de Noel não ter visto nem ouvido seu samba gravado é mistério que morreu com ele. Mas “Três apitos” foi muito cantado no rádio pela Aracy de Almeida e pelo próprio Noel Rosa.

 

 

 

 

Três apitos” (Noel Rosa) # Aracy de Almeida e Radamés Gnattali e sua Orquestra de Cordas. Disco Continental (16392A), 1951.

 

 

 

 

 

 

 

 

“Três apitos”

 

 

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você

Mas você anda sem dúvida bem zangada
E está interessada
Em fingir que não me vê.

Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito, tão aflito
Da buzina do meu carro?

Você no inverno sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê

Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você

Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente, impertinente
Que dá ordens a você

Sou do sereno, poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque

Mas você não sabe que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você.

 

 

 

Foi feito em 1934, mais de meio século antes de o maestro Antônio Carlos Jobim ter contribuído, brilhantemente, para sua perenidade.

 

 

 

 

Três Apitos" (Noel Rosa) # Tom Jobim // Participações: Ana Lontra Jobim (coro), Daniel Jobim (teclados), Danilo Caymmi (coro/flauta), Márcio Montarroyos (trompete/ flugelhorn), Muiza Adnet (coro), Paula Morelenbaum (coro), Paulo Jobim (flauta/  violão), Ricardo Costa (bateria), Simone Caymmi (coro), Tião Neto (baixo elétrico), Tom Jobim (piano).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fontes:

 

- Noel Rosa: uma biografia. João Máximo e Carlos Didier. - Brasília: Editora Universidade de Brasília: Linha Gráfica Editora, 1990.

- Programa de João Máximo na Rádio Batuta do IMS.

- Site YouTube (Vídeos)

- Edição/montagem de fotos: Laura Macedo.

 

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Comentário de Laura Macedo em 16 janeiro 2014 às 1:14

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