Noites do Sertão - João Guimarães Rosa

Uma das mulheres eram melhores, contentamento dobrado. Que encontrasse de todas a melhor, e tirava-a dali, se ela gostasse, levar, casar, mesmo isso, se para o poder guardar tanto preciso fosse - garupa e laço, certo a certo.

Um dia, sem saber os hajas, não pôde, não podia, afracara, se desmerecendo. Mulher perguntou se ele queria beber gole, se doente estava. Não, não que não. Faziam um rumor, noutro quarto. Essa mulher tinha uma navalha. Soropita sem momento se escapava da cama, pressurado, foi-se vestindo. A mulher era até bonita, vistosa, se lembrava: um tim de ruiva, clara, com fino de sardas, salmilhada de sardas até no verde dos olhos, pingadinhos-de-mosquito de ferrugem, folha de jatobá. Revirou; aojerizada: - "Tu pode me desprezar? A grama que burro não comer, não presta mesmo p'ra gado nenhum. Mas tu acha que eu estou velha?! Muito engano: mulher só fica velha é da cintura para cima..." Som nem tom, ele meteu a mão na algibeira e pagou, mais do que o preço devido, e ela não queria aceitar. Saiu desguardado, labasco, lá demorara menos que passarinho em árvore seca. A lanços, até hoje lhe fazia mal o nome que aquela mulher disse, xingou aquilo com um rogo de praga.

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Comentário de Gilberto Cruvinel em 11 maio 2010 às 2:48
Noites do Sertão de João Guimarães Rosa na interpretação do ator Juca de Oliveira

Fonte: Programa Devaneio da Radio Band News FM
http://bandnewsfm.band.com.br/colunista.asp?ID=146

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