Antônio Sérgio Ribeiro em sua casa, perto de Cotia (SP), diante de algumas revistas de sua coleção.

 

Antônio Sérgio Ribeiro nunca estampou seu nome na capa de um livro, mas não seria exagero dizer que muitos não existiriam sem ele.

 

Para avaliar a contribuição desse servidor público de 52 anos, basta folhear as páginas de agradecimento de alguns dos principais best-sellers dos últimos 16 anos.

 

Diretor do Departamento de Documentação e Informação da Assembleia Legislativa de São Paulo, Serginho começou sua carreira de "arquivo vivo" aos 14 anos, por causa de Carmen Miranda.

 

Para um trabalho de escola, precisava descrever a vida de alguma personalidade do país. Escolheu a cantora, mas quase nada encontrou sobre ela. Resolveu, então, montar seu próprio acervo, iniciado com um disco da artista.

 

"Aí você começa e não para mais. A Carmen viveu de 1909 a 1955. Nasceu em Portugal e veio pro Brasil. Mas veio em que navio? Por coincidência, ela estourou em 1930, ano em que Getúlio assumiu o poder. Então já viu, né? Da Carmen fui pra Getúlio e depois pra todos os ramos, pro resto do mundo."

Os interesses múltiplos do pesquisador ficam guardados num terreno de quase 3.000 m² próximo de Cotia (na Grande SP), onde vive com a mãe, Antonietta, 80.

 

Ele tem ali 5.000 livros, mil LPs, mil filmes em VHS ou DVD. Fora as coleções quase completas das revistas "A Noite Ilustrada", "O Cruzeiro", "Revista do Rádio", "Seleções", "A Carioca".

 

O volume de objetos acumulados desde o LP da Carmen pode dar a impressão de que Serginho é milionário, ou pelo menos bem perto disso.

 

Embora ele não ganhe mal, a explicação é mais simples: Serginho praticamente não tem outros interesses além de suas pesquisas e coleções. Não tem filhos, nunca foi casado, não bebe, não fuma e pouco sai de casa. Também nunca cobrou pelas pesquisas que fez para escritores. "Faço porque tenho prazer."

 

Nas horas vagas, escreve há anos seu próprio livro, espécie de tratado com "todas as coisas que você sempre quis saber sobre Carmen e não encontrava" -mas que ele, é claro, sabe de cor.
Além da memória prodigiosa, conta ter um "sexto sentido" apurado. Uma vez, viajando de avião, teve um pressentimento. "Senti que ele não iria decolar. No meio da pista, realmente abortaram a decolagem, acredita?" E alguém ainda duvidaria?

 

 

Fonte:

Marco Antônio Almeida / Folha de São Paulo / Ilustrada.

Texto completo, Aqui.

 

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