O acidente nuclear no Japão, a escassez energética e a mudança climática global

Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro.

O desastre ocorrido na central de Fukushima Daiichi no Japão colocou em xeque o processo de recuperação da imagem da energia nuclear como uma fonte segura e confiável. Esse fato gerou sérias dúvidas sobre a consistência da política energética de vários países que contavam com essa fonte para fazer face ao atual contexto energético de latente desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia e de crescente restrição ambiental ao uso dos combustíveis fósseis.

O impacto inicial desse acidente sobre a opinião pública foi muito desfavorável à expansão dessa fonte de energia na matriz energética e suscitou respostas políticas que apontaram na direção da reavaliação dos planos de construção de novas usinas. Esse movimento englobou desde a suspensão temporária do final da moratória nuclear alemã, até a sinalização da China e da Índia no sentido de reconsiderar seus planos de expansão da geração nuclear, passando pela intenção americana de também rever a segurança das suas centrais.

Desse modo, da sensível Alemanha, às aparentes indiferentes China e Índia, passando pelos ambíguos Estados Unidos, os diversos Governos se viram na obrigação de dar uma resposta às inquietações surgidas a partir do desastre japonês.

Contudo, para se estimar melhor as consequências concretas de Fukushima Daiichi nas estratégias e ações de longo prazo desses países é necessário contextualizar melhor o cenário energético mundial no qual ocorre o acidente japonês, de tal forma a retirar a parcela de retórica das reações iniciais dos Governos para ver o que sobra em termos de intenções e possibilidades reais de alterar suas respectivas políticas.

Nesse sentido, o primeiro ponto a ser ressaltado é que Fukushima não é Chernobyl. A diferença crucial entre os dois eventos não reside apenas nas questões objetivas tecnológicas e industriais relativas às duas usinas, mas nas diferenças essenciais nos contextos energéticos de 2011 e 1986, que tornam completamente distintos os custos e a viabilidade da decretação de uma moratória nuclear nos dois momentos. (...) continua no Blog Infopetro.

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