Meus amigos, pegando o gancho do posto do Nassif -O álcool de segunda geração -, eu gostaria de apresentar o trabalho de um pesquisador de primeira que é o José Vitor Bomtempo.

O Zé Vitor é professor aposentado da Escola de Química da UFRJ e, atualmente, trabalha como pesquisador associado do Grupo de Economia da Energia do IE/UFRJ. Nos últimos anos, o Zé Vitor tem trabalhado muito sobre o tema de inovação tecnológica na área de biocombustível e tem colaborado de forma decisiva no avanço do conhecimento do nosso grupo sobre este tema.

Uma palhinha do trabalho do Zé pode ser encontrada na apresentação que ele fez no seminário da rede MONDER(*) que nós realizamos aqui no Rio de Janeiro em Maio passado.

A apresentação pode ser encontrada no site do grupo (www.gee.ie.ufrj.br), onde estão todas as apresentações do seminário.

Para ter acesso direto a apresentação do Zé vitor, basta clicar no link abaixo.

bomtempo.pdf

(*) A Rede MONDER reúne, a partir da organização de seminários temáticos, 15 institutos de pesquisa localizados em várias partes do mundo (Europa, América do Norte, América do Sul, África e Ásia), especializados no estudo dos problemas de energia e meio ambiente. O objetivo principal da Rede MONDER é tornar conhecidos os trabalhos dos professores e pesquisadores dos centros de pesquisa associados à rede, bem como estimular a participação de jovens pesquisadores doutorandos e pós-doutorandos.

Desde sua origem, a Rede MONDER, criada através de uma iniciativa do CREDEN (Universidade de Montpellier) e do GREEN da Universidade Laval, tem se beneficiado da ajuda do Ministério do Exterior da França, do Conselho Francês de Energia e do Instituto de Energia e do Meio Ambiente da Francofonia (IEPF).

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Comentário de Rubin Pedro Diehl Filho em 15 junho 2009 às 22:18
Li a apresentação do Zé Vitor - excelente!
O diagnóstico dele é perfeito.

O Brasil não conseguirá manter sua vantagem competitiva muito tempo, se ela for baseada apenas em terra barata e alta produtividade do etanol de cana de açucar.

Os EUA avançam rapidamente no etanol de ligno-celulose, que deverá predominar até o final da próxima década.
Eles não são bobos, e hoje todo o subsidio de bilhões de dólares ao etanol de milho não é só pra satisfazer Iowa, e muito menos é para sabotar a alimentação dos mexicanos.
Eles estão criando um mercado, inicialmente subsidiando como o Brasil já fez. O volume de dinheiro envolvido é certamente muito maior, haja vista a dimensão desproporcional entre as frotas dos dois países.
Não podemos nem mesmo criticá-los quanto aos subsidios e sobretaxas, pois nosso Proalcool foi tão ou mais subsidiado - e isso por mais de DUAS DÉCADAS.

Muito além dos subsídios dos EUA e sobretaxas ao nosso alcool, está a visão do futuro do etanol a partir das novas tecnologias. O uso de "switchgrass" e de residuos agrícolas ou florestais poderá tornar o etanol americano mais barato que o nosso, na próxima década.
Imagine o milho hoje usado para produzir etanol - aproveita-se apenas o AMIDO, que é uma fração muito pequena de toda a biomassa envolvida.
Imagine agora, todos os residuos da colheita do milho - massa bem maior que o grão. Toda a palha e até mesmo o sabugo pode ser usado para fazer o etanol de lignocelulose.

Não tenho indicadores numéricos, mas parece óbvio que a produtividade deverá decolar, pois aproveitar-se-á virtualmente TODA A BIOMASSA do milho no etanol de 2a geração, ficando a parte nobre - grão/amido - disponível novamente para o setor de alimentos.

Tudo bem, o Brasil não está parado.
A Petrobrás já tem sua patente para o etanol de segunda geração.
Mas e o setor agroindustrial brasileiro, o que está fazendo a respeito?

Mesmo com a conhecida competência da EMBRAPA e da elite sucroalcooleira, nas próximas décadas o jogo vai mudar, e se eles não evoluirem, perderemos a posição de hegemonia mundial, tal como perdemos o posto de maior produtor para a força bruta do etanol americano subsidiado.

DETALHE TÉCNICO: hoje a produtividade brasileira é 7.000 L por hectare por ano.
A maior produtividade mundial - fantástica!???
Nem tanto. Todo esse alcool tem o poder de combustão equivalente a 0,2% da energia que o sol despejou naquele hectare... não há erro de digitação - apenas DOIS MILÉSIMOS da energia solar é convertida em energia de combustão do etanol.

A maior produtividade do mundo em etanol é pífia (mesmo que seja duplicada na 2a geração) quando comparada às piores células fotovoltaicas, que convertem a luz solar direto em eletricidade, hoje com 7 a 8% de eficiência.
Seu preço cai a cada ano. Na próxima década podem ser competitivas.

Tudo isso, sem falar dos carros híbridos e elétricos, que estão correndo por fora, aceleradamente.
Imagino o carro do futuro, inicialmente HÍBRIDO plug-in, movido a etanol de 2a (ou mesmo 3a) geração.
Baseado no Toyota Prius, já à venda lá fora, teriamos 20 km/litro de etanol NA CIDADE...

Mais 10 ou 20 anos, visualizo o elétrico puro. Um veículo urbano usando só baterias - adeus combustíveis... outros veículos de grande alcance, usando eletricidade gerada por célula combustível alimentada com ETANOL de 3a geração - oxalá uns 40 a 50 km/L???

Assim, o futuro 20, 30 ou 40 anos à frente não terá muito espaço para o etanol exceto como gerador de eletricidade para os carros elétricos.
Ou nem isso, se inventarem melhores baterias, nesse caso o etanol teria apenas uma sobrevida de algumas décadas, enquanto a ciência aperfeiçoa o carro do futuro.
O motor a combustão interna já pode ser considerado um dinossauro com os dias contados.

O Planeta Terra agradeceria muito essas mudanças.

E a nossa agroindústria, ou se prepara para esse futuro inevitável, mesmo que seja uma glória transitória para o etanol, ou amargaremos novamente a posição - permanente - de país do futuro (que nunca chega).

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