José Cleves
A imprensa mineira repercutiu essa semana a briga de vizinhos entre o ex-craque do Atlético e da Seleção Brasileira, José Reinaldo de Lima, e o conhecido advogado Gustavo Tostes. Foram, na verdade, três dias de confusão no luxuoso condomínio Lagoa Miguelão, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. O fato envolve ainda dois cachorros da raça pastor alemão e uma criança de 7 anos.
Reinaldo acusa o advogado de invadir a sua casa e surrá-lo na companhia de outros dois amigos. Tostes devolve a acusação, afirmando que os cachorros do ex-jogador de futebol atacaram o seu filho. Ao comunicar o fato a Reinaldo, este teria surtado, diz Tostes. Realmente, um dos três boletins de ocorrência registrados pela PM diz que o famoso ex-camisa 9 do Galo apresentava sinais de embriaguez.
Fico analisando com os meus botões o grilo do cidadão comum, sempre muito atento aos fatos envolvendo celebridades. O recurso utilizado para a divulgação do fato ficou no limite das declarações dos envolvidos, cada qual com a sua razão e ponto final. Isso não basta. Todo fato controverso tem duas versões – a do acusado e a da suposta vítima –, portanto, é preciso de informações neutras para corroborar com uma dessas histórias de puro narcisismo.
Entendo que seria o caso de se procurar as testemunhas e demais envolvidos para permitir à opinião pública um julgamento mais justo do ocorrido.
Machão arrependido
Este bate-bola com os dois não vai chegar a lugar algum, porque briga é assim mesmo. Todos têm razão. Nunca ouvi, em quase 40 anos de repórter, alguém apanhar e falar que mereceu a surra. Ou o cara bater e falar que foi sem motivo.
Minto. Relatos assim eram comuns em briga de casais antes da Lei Maria da Penha, quando a mulher apanhava do marido cachaceiro e quando a PM chegava ela falava que não foi nada, naturalmente temendo represálias. A impunidade.
Os tempos mudaram – e como mudaram. Hoje o cara que bate em mulher, independentemente do motivo, tem que ralar dobrado para pagar a cesta básica, isso se ele não quiser trabalhar de graça numa dessas penas educativas. Conforme o caso, toma é cadeia mesmo.
Aliás, quando ouço alguém exaltar homens muito bondosos carregando cesta básica, desconfio logo. É algum machão arrependido pagando penitência.
Vale esclarecer que, no caso em voga, o assunto envolve um ex-atleta de um grande clube que durante anos encantou o público com o seu futebol mágico. Além do mais, a abriga tem peculiaridade instigante, como a sua duração de três dias em um condomínio de luxo. É, no mínimo, um barraco chique, com enredo eletrizante e um mote interessante: a vida após a fama.
Essa não é a primeira vez que Reinaldo se mete em confusão. Já andou envolvido com drogas e outras polêmicas vividas durante a sua tumultuada passagem pelo mundo político.
Pelo que sei, ele está endividado. Tem vários processos na justiça, um deles movido pelo Condomínio Lagoa do Miguelão que cobra uma dívida calculada hoje em mais de R$ 300 mil referentes a condomínios não pagos.
Bom, essa é a informação que eu obtive, mas Tostes não confirma essa história. Ele diz apenas que o craque surtou, endoidou o cabeçote e, depois de aprontar até, foi para a imprensa dar uma de vítima.
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