O blecaute que mudou o setor elétrico: um vídeo histórico

No dia 9 de novembro de 1965 uma falha em um circuito-chave de transmissão no Canadá foi propagada ao longo de nove estados do nordeste americano e de duas províncias canadenses, deixando trinta milhões de pessoas às escuras. O resultado desse evento foi o aumento da preocupação com a confiabilidade dos sistemas e o surgimento de normas regulatórias concernentes à manutenção dessa confiabilidade.

Após uma longa trajetória virtuosa de redução de custos e tarifas, que vinha desde a virada do século, a vigorosa expansão continuada dos sistemas elétricos, sobre a qual se sustentava a estratégia bem-sucedida das empresas elétricas de obtenção de generosas reduções de custos a partir da intensa exploração de economias de escala, começou a dar sinais de esgotamento.

Se o crescimento ilimitado dos sistemas elétricos trazia as benesses da redução dos custos e, por conseguinte, das tarifas, a complexidade crescente desses gigantescos sistemas tornava cada vez mais imprevisível o seu desempenho.

A preocupação com a confiabilidade dos sistemas, até então inexistente, implicou na construção de margens de reserva de geração e de transmissão para garantir a segurança do fornecimento elétrico. Por outro lado, incentivou-se a coordenação, através da configuração de pools, com o objetivo de explorar as economias de escala e de escopo na operação dessa capacidade de reserva.

Expandir a capacidade instalada e incrementar a coordenação havia sido até então o grande mote do setor elétrico. Neste sentido, as soluções adotadas para aumentar a confiabilidade não representavam uma ruptura com o que ele já vinha fazendo; porém, havia uma diferença fundamental. Pela primeira vez em sua história, esse binômio não implicava em redução de custo, mas em seu aumento; mesmo que fosse para o nobre fim de aumentar a segurança e a confiabilidade do suprimento.

Neste sentido, o blecaute de 1965 foi importante porque ele representou uma inflexão na trajetória virtuosa da combinação de redução de custos e melhoria de qualidade dos serviços elétricos, que vinha rolando desde o início do século XX. Esse blecaute foi o primeiro sinal de exaustão dessa trajetória, que se confirmou, de forma dramática para o setor elétrico, na década seguinte, quando à imprevisibilidade técnica veio se somar a imprevisibilidade econômica e política.

No dia 9 de Novembro de 1965, o repórter Frank McGee entrou em rede nacional transmitindo diretamente de Nova Yorque à luz de vela. É essa transmissão histórica, sobre esse evento histórico, que vocês podem assistir abaixo.


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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 25 janeiro 2009 às 15:05
Caro Ronaldo,

Gostaria de comentar um trecho do vídeo sobre uma dos inumeros neuroses americanas, e no caso, o complexo medo de ser atacado por armas atômicas, como inumeros pensadores ja escreveram, inclusive americanos, o peso na consciência das bombas atômicas que lançaram no Japão, quanda a guerra já estava quase acabada, foi uma ato mais do que para liquidar a guerra, foi sim para colocar medo no mundo do seu poder imperial, acabou virando uma doença neurótica, de tirar o sono deles a décadas, e o mundo de arrastão.

Ainda na campanha do ano passado, se ouvia os candidatos, como John MCclain e Hillary Clinton, com a prepotência peculiar, dizerem as bravatas: "O Irá ter armas nuclear é inaceitável".

Assim foi dito por Henry Kissinger no Brasil, com o dedo em riste ao gerneral de plantão na época, os anos de chumbo-70's: "Não aceitaremos outra ameaça nuclear na América do Sul", e nós sentamos no rabo e sentados nele capitulamos décadas depois ao assinarmos o tratado de não proliferação, esse foi o feito do príncipe da sociologia uspiana, FHC e a nata da elite nativa brasileira (sic., sic.).

O reporter anunciou que o governo abriu investigação para saber os motivos do blecaute e aos 3:39, o reporter relaciona o problema do blecaute com a fraqueza e vulnerabilidade do país receber um ataque atômico.

Um problema eminentemente de falaha da energia do país, de incompetência ou seja lá o que for, se coloca um ruido de ameaça mundial de ataque atômico. Como disse o nobel de literatura de 2005, o inglês Harold Pinter, em seu pronunciamento em Estocomo, dizendo que os EUA com Bush e sua gang foi um país imperialista-fascista, e não deixaram a retórica de lado, como a frase de Obama na posse, o império se faz presente: "Estamos pronto para lideram novamente".

Sds,
Comentário de RatusNatus em 26 janeiro 2009 às 18:00
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0501200906.htm

São Paulo, segunda-feira, 05 de janeiro de 2009

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MARINA SILVA

Falso presente

NO DIA 24 de dezembro, o Ministério de Minas e Energia publicou portaria no "Diário Oficial", abrindo para consulta pública o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017.
A realização de consulta pública é um avanço, tendo em vista o padrão histórico de relação do setor elétrico brasileiro com a sociedade. Mas o período de festas de final de ano e o prazo exíguo de 30 dias, em plena temporada de férias, não parecem estimular interessados a ler um documento de 766 páginas e encaminhar suas contribuições.
Definitivamente, não é o caminho razoável para estabelecer uma discussão madura e construtiva sobre nossa matriz energética. E há muito o que discutir. Por exemplo, o capítulo sobre análise socioambiental do sistema elétrico demonstraria, em princípio, aceitação de critérios ambientais no planejamento setorial, o que é fundamental para dar curso a uma política ambiental integrada. Um olhar mais atento, porém, mostra situação bem mais complicada.
Segundo o documento, essa análise foi feita a partir de reuniões "com agentes setoriais, públicos e privados". Seria ótimo se esse universo não se resumisse a 16 empresas, grande parte estatais, e cerca de 50 profissionais. Nenhuma universidade é citada, nem pesquisadores independentes ou entidades da sociedade civil. Muito pouco para um país de mais de 180 milhões de habitantes e uma sociedade ativa e participativa. Outro aspecto polêmico está na projeção da capacidade instalada de geração de energia elétrica para 2017, por fonte.
O maior crescimento, de cinco vezes nos próximos dez anos, será o das usinas térmicas a óleo combustível e óleo diesel, o que contradiz o Plano Nacional de Mudanças Climáticas e o anúncio recente, na Conferência de Mudanças Climáticas da Polônia, de metas internas de redução de emissão de gases de efeito estufa.
Enquanto isso, a energia eólica -que, segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, tem potencial de gerar 143,5 GW-, somada à biomassa (sobretudo resíduos da produção de etanol), tem expansão prevista de 5 GW, menos que 10% da energia adicional a ser gerada pelo sistema e no máximo 3,5% de sua capacidade.
Talvez o setor elétrico tenha os seus motivos. O problema é que a sociedade não os conhece e nem conhecerá, nessa consulta a toque de caixa. O MME não deveria deixar no ar essa sensação de consulta pública "pró-forma", como falso presente de Natal destinado a legitimar um plano decenal que ainda precisa ser devidamente desembrulhado e retirado da embalagem para entendermos melhor suas engrenagens e seu funcionamento.

contatomarinasilva uol.com.br
MARINA SILVA escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Comentário de RatusNatus em 26 janeiro 2009 às 18:00
bingo

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