Segundo dados da ONU, o Brasil apresentou avanços significativos nos últimos 20 anos, fortemente visível na segunda década. De um IDHM de 0,493 na década de 90 a 0,727 em 2010, o País mostra avanços claros de que a política de inclusão social não é apenas um grado eleitoreiro como costumam rotular os da mídia e aqueles que gostariam de ver os pobres cada vez mais pobres. De acordo com os dados da ONU, em

1991, 85,5% das cidades brasileiras tinham IDHM considerado muito baixo. Em 2010, o percentual passou para 0,6% dos municípios. De acordo com o levantamento, em 2010, o índice de municípios com IDHM considerado alto e médio chegou a 74%, enquanto em 1991, não havia nenhuma cidade brasileira com IDHM considerado alto e 0,8% apresentavam índice médio. Pela escala do estudo, é considerado muito baixo o IDHM entre 0 e 0,49, baixo entre 0,5 e 0,59; médio de 0,6 e 0,69, alto 0,7 e 0,79 e muito alto entre 0,8 e 1,0[1].

Além dos dados apresentados no relatório da ONU, há também a certeza de que o Brasil se distancia daquele do final dos anos 90: economia atrativa e dinâmica, inflação sob controle – na década de 90 a inflação era galopante, beirava os 13%, ou mais –, investimentos nas áreas de infraestrutura, educação (ainda que nesta última seja aquém do que se espera), ascensão das classes C e D, permissão a estudantes de classes desfavorecidas terem acesso à universidade, através do Prouni e do Fies, reestruturação das universidades públicas – quem ingressou em universidade pública, via vestibular, na década de 90, lembra as intermináveis greves que atrasavam os semestres letivos e, consequentemente, o término do curso –, aumento do poder de compra do trabalhador, ganho real do salário, embora ainda esteja longe daquele capaz de dar ao trabalhador uma vida digna, acesso a créditos e aquisição de bens, como compra da casa própria, carros e eletroeletrônicos, maior permissão de viagem via aérea, o pleno emprego – o Brasil é um dos poucos países do planeta com pleno emprego –, e tantos outros benefícios de que se poderia falar.

Nos anos 90, teve início o processo de privatização de empresas públicas, com a venda de patrimônios como a Vale, a Embratel, o Banespa, o Bea, e, para ser mais local, no Pará, a venda da Celpa, a preço de banana. Era o auge das grandes negociações dos governos neoliberais, capitaneados pelos famigerados PSDB e o falecido PFL, sob a tutela do faminto PMDB. Foi também a era os juros bancários às alturas, que permitiam a banqueiros sugar o quanto podiam quem se atrevia a fazer empréstimos. “Dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”[2]. Foi a década das incertezas, dos apertos, das mobilizações e também das grandes trapaças; até racionamento de alimentos aconteceu. Tudo isso debaixo do governo de quem hoje esperneia por saber que o Brasil mudou, e mudou, embora ainda cative a corrupção.

Apesar de tantos avanços, o que se percebe nas capas de revistas e manchetes de noticiários são notícias trágicas, como se o Brasil ainda vivesse aqueles tempos de ferro e fogo. A mídia brasileira fecha os olhos para os avanços e teima mostrar apenas aquilo de que poucos precisam. Interessa aos da mídia aquilo que amedronta o povo. Faz bem aos barões dos impérios midiáticos estamparem o que causa terror, o que gera pânico, embora saibam que o povo já não confunde mentira com verdade. Quem quiser sofrer de depressão é só ler os jornais e assistir aos noticiários de tevê.

O Brasil que a ONU visualizou no seu relatório, o Brasil dos da classe C e D, o Brasil que, na década de 90, vivia às escuras, agora assiste à novela do mesmo canal de televisão que apedreja quem permitiu ao povo ter acesso a ela; o Brasil dos milhares de estudantes com acesso via Enem e com bolsas do Brasil sem Fronteiras, esse Brasil fica restrito a meras notas de rodapé, quando elas aparecem. Não há espaço para o Brasil que avançou nos jornais e canais de televisão. Há espaço para o outro Brasil, aquele que faz a mídia reinar.

Quem quiser ver o outro Brasil é só sair por aí para perceber quanta mudança. Nas comunidades rurais, luz elétrica era sonho na década de 90, ter televisão ou geladeira em casa era fantasia, hoje não é. O lavrador, o seringueiro, o pescador vão ao trabalho e quando voltam, podem sentar-se na sala de sua casa para assistir ao jornal ou à novela.  Lamparina e querosene são coisas do passado. Esse Brasil não aparece nos noticiários da grande mídia, infelizmente. Há, sim, ainda muito o que mudar. Há ainda um Brasil oculto que precisa ser lapidado para resplandecer o “Ordem e Progresso” estampado em nossa bandeira. Mas podemos ver um outro Brasil, um Brasil que começa a dar aos seus o que lhe é de direito, mesmo que seja ignorado pelos barões da mídia.

 



[1] Informações da Agência Brasil, do dia 29 de julho de 2013.

[2] Trecho da música Vai Passar, de  Chico Buarque.

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Comentário de duda cioli em 31 julho 2013 às 0:27

O Brasil não é uma ilha e está sofrendo os efeitos perversos da velha midia assim como vem acontecendo a outros paises latinoamericanos.

As inclusões sociais dos ultimos onze anos, a eliminação da miseria e a redução da pobreza não se faz sem dor. As classes rentistas perderam e sofrem pois a queda da remuneração dos investimentos pela redução da taxa de juros, propicia por outro lado uma redução no pagamento dos juros da divida publica, favorecendo o maior distributivismo entre os menos abastados, atraves do aumento de salarios, sobretudo do minimo e dos programas sociais. A renda maior das pessoas melhora o padrão de vida e o consumo da população. Os rentistas portanto reagem as perdas sub repticiamente atraves da midia, sobretudo nos jornalões vendendo pessimismo aos empresarios que suspendem seus investimentos.

Os banqueiros seguem o mesmo caminho, pois passaram a ter uma vida mais apertada com a redução dos juros precisando emprestar para alguem mais alem do governo. Os empresarios reagem igualmente porque as taxas de retorno dos investimentos ficam mais baixas criando o pseudo pessimismo e os empresarios, os unicos que ainda lêem jornal adiam mais uma vez suas expansões empresariais amedrontados pelo clima criado. E a midia repercute tudo isso refletindo a ansiedade da oposição na reconquista do poder central do pais, embora nada indique que tal possa acontecer a medio ou mesmo longo prazo. Quem sabe em 2018?

Comentário de Joaquim Onésimo Ferreira Barbosa em 31 julho 2013 às 13:14

Concordo contigo, Duda Cioli..

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