Assisto um documentário da BBC sobre o maestro holandês Andre Brieu, nascido aqui em Zuid Linburg, quase uma lingua no mapa, ao sul, dentro da Bélgica. Mostra o maestro no Rio de Janeiro, regendo um mix com Aquarela do Brasil, Tico-Tico no fubá, e outros hits da MPB que o mundo inteiro conhece.
Olho aleatoriamente sobre minha mesa de trabalho: no El País, nem é preciso dizer que há matérias sobre o Brasil - são quase diárias. O International Herald Tribune, edição internacional do New Yor Times, traz matéria de meia-página dizendo que o Embraer Phenom 300 é melhor jato executivo do que o melhor modelo da Cessna. A revista Time com Lula como líder mais influente do mundo (único a merecer foto de página inteira, além de outras três menores), também está por perto.
No dia 4, o mesmo Herald publica matéria sobre o filme "Sérgio", em exibição em vários países sobre o brasileiro Sérgio Vieira De Mello, que seria em breve o secretário-geral da ONU e que brilhava na diplomacia por ter o "espírito brasileiro".
A revista inglesa (é quase um livro, com lombada e tudo, 210 páginas, 11 euros!) "Monocle" traz como principal matéria de capa a "Nova Diplomacia",que o Brasil está ensinando ao mundo.
Isso é só o que vejo aqui ao meu alcance, e não é proposital. Não está sobre a mesa o livro que comprei sábado passado, a "Guerra no Fim do Mundo", de Mário Vargas Llosa, em inglês, que narra a tragédia de Canudos, e ganhou o prêmio Hemingway de Literatura. nem estou ouvindo algum artista brasileiro que, há muito tempo, têm seção especial nas lojas, assim como o Jazz e o Rock. Não está ao meu lado o amigo Klaas de Vries, senador da Holanda (aqui chama-se membro da Primeira Câmara) que, no seu aniversário há poucos dias me crivou de perguntas e elogios sobre o Brasil e sobre Lula.
Tampouco estou relatando o que vejo aqui, neste país amigo e sócio, nosso maior parceiro comercial na Europa, segundo ou primeiro investidor europeu no Brasil, esquecendo-me dos muitos problemas que vive nosso País. Não, meu patriotismo não é alienado.
O que desejo expressar é o contraste entre o que sentimos aqui fora, e o que nos pinta a "mídia" brasileira sobre nossa própria terra, e sobre nosso Governo, que nós elegemos. Os sucessos do Brasil devem-se a todos nós, de todas as cidades e da floresta, de todas as profissões, de todas as classes sociais (sou classe mérdia Z, com perdão das senhorinhas...), todas as profissões. Mas há um mérito inegável deste Governo e do presidente Lula nesta mudança de visão que o mundo tem sobre o Brasil.
Vejo o que sofre e sofrerá a Grécia, assustando toda a Eurozona, e penso no quanto o Brasil foi humilhado por causa de sua dívida externa, no quanto nos submetemos à estagnação, porque nossos governos não tinham a coragem (ou o interesse) em romper aquelas amarras com o sistema financeiro internacional.
Quando a Argentina declarou-se em defaut (que no Brasil chamava-se "calote"), perdeu financiamentos externos, foi execrada, mas acabou reduzindo sua dívida e pagou 25% do que devia. Não resolveu, porque vieram outros erros depois, mas pelo menos os argentinos não passaram fome, nem tiveram, como nós nos governos FHC, um funcionário qualquer do FMI determinando quanto deveria ser o salário mínimo, despachando diretamente com o presidente e ministros, abrindo nossas gavetas.
Conclusão: é difícil compreender que o mundo todo veja o Brasil "booming", ou seja, explodindo em progresso econômico e social, em plena democracia, com uma política exterior que, segundo os entendidos daqui "só faz amigos", e a nossa mídia mostre um Brasil irremediável. Ou melhor, com um único remédio: regredir ao neoliberalismo (extinto pelo mundo a fora - os neoliberais hoje negam que o tenham sido, estão em busca de novo rótulo para suas idéias conservadoras, mas lucrativas).
Não sei quem vencerá a eleição de outubro. Sei do meu voto. Votarei para que nas minhas próximas viagens ao exterior eu possa sentir esta admiração coletiva pela minha Pátria. Não apenas pelo seu avanço econômico, mas porque teremos eliminado a miséria, o analfabetismo, o desemprego, a não-qualificação das pessoas, a falta de teto e de terras para todos. Este é o caminho do Brasil, isso é que vai assombrar o mundo.
Não teremos outro Pelé, outro Ronaldo, ou outro Lula - apesar de que nossa produção de gênios parece infinita, Niemeyer, Tom Jobim, os irmãos Vilals Boas, Paulo Freire, Augusto Boal, e tanto outros, que o digam).
O que nos fará bonitos e importantes perante os povos-irmãos será nossa superação do subdesenvolvimento a que estivemos submetidos por brasileiros que acreditam e lutam pela Dependência.

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Comentário de severino carvalho filho em 7 maio 2010 às 23:34
espetacular. parabéns.
precisamos de olhos e bocas extrabrasil para sabermos como o mundo nos vê e nos aceita.
Comentário de Antonio Barbosa Filho em 8 maio 2010 às 0:01
Foi um desabafo, Severino. Agradeço por sua compreensão, brasileiro e meu irmão que você é.
Um abraço e vamos em frente.
Comentário de Stella Maris em 10 maio 2010 às 3:01
Antonio, meu voto tb será como o seu, quero sempre ver meu Brasil, bonito, aqui e lá fora, Parabéns pelo post.
Comentário de Flávio Donizete Batista em 6 junho 2010 às 18:41
Ter autocrítica para analisarmos e corrigirmos nossos erros é importante. Mas o sentimento que a nossa mídia nos passa é a de que não valemos nada, somos subdesenvolvidos e precisamos continuar vivendo com o sentimento de inferioridade que os "desenvolvidos" sempre nos impuseram. Mas o Brasil é grande, com um povo de muito valor.
Parabéns pelo seu texto.
Um Abraço.
Flávio Batista.
Comentário de Stella Maris em 6 junho 2010 às 18:48
Flavio, vamos mudar de midia, né ... assistir outros canais, outras revistas.. jornais.. infelizmente a maioria do povo não tem acesso a outros meios de informações.. o que é uma pena.
abraços sempre.
Comentário de Antonio Barbosa Filho em 7 junho 2010 às 10:00
Cheguei ontem de uma viagem por Alemanha, Dinamarca e Suécia. Na Dinamarca, conversando com várias pessoas numa festa, outra vêz me falaram muito sobre o Brasil e sobre o prestígio internacional de Lula.
Duas dinamarquesas disseram-me que no recente Encontro sobre o Clima, que ocorreu em Copenhagen, Lula foi "o mais popular" dos presidentes presentes, no sentido de que foi visto como uma espécie de astro de cinema... Confessaram saber pouco sobre o Brasil, mas têm profunda admiração pelo presidente, que é visto como um grande líder naquele país.
E em Estocolmo, vi os ônibus movidos a etanol brasileiro, inaugurados por Lula durante uma visita há mais de um ano. Sem falar nos jovens que se encontra em toda parte usando camisetas da seleção brasileira...
Comentário de Stella Maris em 7 junho 2010 às 11:52
Legal , Antonio, quando morei fora...
cada pessoa que eu conhecia falavam bem do Brasil
futebol
música
comidas
praias
mas... sobretudo.. a hospitalidade.
beijos e volte.. viu.
Comentário de Marco Antônio Nogueira em 13 junho 2010 às 22:30
Caro
ANTÔNIO BARBOSA FILHO

Parabéns, conterrâneo!

Suas palavras chegam
a nos emocionar.
Continue a nos enviar
notícias de nosso BRASIL
visto lá fora, porque na
mídia daqui só as vemos
deturpadas. Sobre a
eleição pra Presidente,
veja esta:
"Ela é DILMAis.
Isto é uLULAnte!"

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