Sylvinha Mello *

* 23/2/1914 - Vitória (ES)
+ 1978 - Paris (França)

 

Há cem anos nascia, na cidade de Vitória (ES), a cantora Sylvinha Mello que ficou conhecida como “A Bonequinha do Rádio”. Filha de pais pernambucanos a família fixou residência em Niterói (RJ).

 

Sua veia artística aflorou cedo. Em 1931, aos 17 anos, começa a cantar na Rádio Mayrink Veiga (onde permanece até 1934) e grava seu primeiro disco na Victor, com as músicas “Chove, chuva” (Hekel Tavares/Ascenso Lisboa) e “O pequeno vendedor de amendoim” (Hekel Tavares/Juracy Camargo).

 

 

 

 

Pequeno vendedor de amendoim” (Hekel Tavares/Joracy Camargo) # Sylvinha Mello. Disco Victor (33.489-B), 1931.

 

OBS: Áudio indisponível no momento!

 

Entre 1931 e 1938 realizou gravações para a RCA Victor e Columbia, totalizando 19 músicas gravadas. Selecionei algumas para audição ao longo deste posts.

 

 

 

Aos 18 anos, apresentou-se no "Programa César Ladeira" passando a atuar ao lado de Francisco Alves, Carmen Miranda e Sílvio Caldas, entre outros artistas da época.

 

 

 

Sylvinha Mello, Sílvio Caldas, Carmen Miranda e Francisco Alves.

 

 

Descobri no excelente Blog da amiga e pesquisadora Thais Matarazzo que, por volta de 1933,  Sylvinha Mello assumiu um noivado com o grande compositor Custódio Mesquita, que não vingou. Já tinha pesquisado sobre o compositor Custódio Mesquita, quando do seu centenário de nascimento, mas a história do noivado com o Custódio pra mim é novidade.

 

Custódio Mesquita e Sylvinha Mello.

 

 

 

Em 1935 faz sua estreia no cinema, no filme “Estudantes” (Cinédia), onde atuaram grandes nomes da nossa música popular, como Carmen e Aurora Miranda, Bando da Lua, Hervê Cordovil, Mário Reis, entre outros. Sylvinha Mello interpreta com os Irmãos Tapajós a música - “Ele ou eu?”, de Alberto Ribeiro.

 

 

 

Pela primeira vez, em 1935, vai a São Paulo e realiza uma longa temporada artística na Rádio Record. Segundo a pesquisadora Thais Matarazzo a cantora Sylvinha Mello, até 1941, vinha pelo menos duas vezes por ano cantar em Sampa.

 

 

Em 1935 gravou oito músicas das quais destacaremos quatro de autoria do compositor Joubert de Carvalho.

 

 

 

 

Os teus olhos me falam de amor” (Joubert de Carvalho) # Sylvinha Mello. Disco Victor (33984-A), 1935.

 

 

 

 

A carícia de tuas mãos” (Joubert de Carvalho) # Sylvinha Mello. Disco Victor (33972-A), 1935.

 

  

Teu retrato” (Joubert de Carvalho) # Sylvinha Mello. Disco Victor (33972-B), 1935.

 

 

 

 

Confesso que a minha motivação para realização desta homenagem a cantora Sylvinha Mello é oriunda da garimpagem que gosto de fazer em periódicos antigos, a exemplo da revista “Carioca”. Encontrei na edição de 1935 a matéria intitulada - “O Progresso Radiofônico do País” -, destacando a inauguração da Rádio Cahnaan, em Vitória (ES) e a promoção de um concurso promovido pela Associação Capixaba de Imprensa, entre seus ouvintes.

 

A grande vencedora foi justamente a cantora Sylvinha Mello que logrou 4.412 votos, seguida do cantor Luiz Barbosa com 3.355 votos. E olhem só os que ficaram atrás dos dois: Francisco Alves (3.169 votos) e Carmen Miranda (2.591 votos).

 

A “Bonequinha do Rádio”, como era chamada na época, Sylvinha Mello compareceu a inauguração da Rádio Chanaan; já o cantor Luiz Barbosa não pode comparecer por motivo de doença e foi substituído pelo cantor de emboladas Manezinho Araújo.

 

 

 

Em 1936 ela gravaria mais uma composição do Joubert de Carvalho.

 

 

Canção das águas” (Joubert de Carvalho) # Sylvinha Mello. Disco Victor (34070-b), 1936.

 

 

 

 

 

 

Em 12 de setembro de 1936 é inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e, Sylvinha estava lá, contratada para o elenco daquela que viria a ser a emissora mais popular do Brasil nas décadas de 1940 – 1950, permanecendo por cerca de três anos.

 

Ainda nos anos de 1936-1937 atua em outros filmes a exemplo de “O grito da mocidade”, com Alzira Camargo, Jayme Costa e Jorge Murad e “Eterna esperança”, onde é a protagonista.

 

 

Em 1938 grava suas duas últimas composições: “Soldadinho de chumbo” e “Quando cantas ‘to you’”.

 

 

 

 

Soldadinho de chumbo” (Marcello Tupynambá/Galba de Paiva) # Sylvinha Mello. Disco Columbia (55001), 1938.

 

 

 

 

 

Sylinha Mello, entre os anos de 1939 e 1941, participou de vários shows no Cassino da Urca.

 

Foto de 1940

 

 

Segundo a pesquisadora Thais Matarazzo: “É voz corrente que Sylvinha tenha se casado por volta de 1945”. Assim como o noivado com Custódio o referido casamento não logrou êxito.

 

Em 1949 arruma as malas e vai para os Estados Unidos onde viveu dois anos como estudante e obteve emprego no consulado brasileiro. Em Nova York, com ajuda de amigos realiza shows na televisão e no rádio.

 

Segundo o Dicionário Cravo Albin da MPB ela foi uma das primeiras artistas a fazer sucesso nos Estados Unidos, onde interpretou músicas de grande aceitação de Ary Barroso, no Blue Angel, de Nova York, e em emissoras de rádio e boates norte americana.

 

Nos anos de 1960 casa-se com um diplomata francês e fixa residência na França. A pesquisadora Thais Matarazzo afirma que a partir desses dados não encontra maiores informações sobre a cantora Sylvinha Mello. “Cogita-se que ela faleceu na França, em 1978”.

 

 

Sylvinha Mello foi uma das cantoras mais populares e amadas do Rádio carioca nos anos de 1930. Ela completaria 100 anos em 2014.

 

Acreditando na força da internet e suas redes sociais fica aqui registrada essa homenagem a nossa eterna “Bonequinha do Rádio”.

 

 

 

______

- Agradecimentos especiais ao amigo, escritor e pesquisador musical Luiz Américo Lisboa Júnior pelo envio dos áudios constantes neste post.

- * A grafia do nome da homenageada é encontrada de várias formas e em diferentes fontes. As mais comuns são: “Sylvinha Mello” / “Sylvinha Melo” / “Silvinha Melo”. Optei pela grafia que consta nos selos dos discos gravados por ela.

______

 

************

Fontes:

-Blog Estrelas que nunca se apagam (Marcelo Bonavides).

- Blog MPB Cifrantiga.

- Blog Thais Matarrazzo.

- Dicionário Cravo Albin da MPB (Verbete da cantora Sylvinha Mello).

- Revista Carioca (pesquisa online na Hemeroteca Digital Brasileira).

- Site YouTube (Vídeos).

 

************

Exibições: 969

Comentário de Laura Macedo em 20 outubro 2014 às 0:38

ATUALIZAÇÃO, em 19 e outubro de 2014.

Hoje recebi, via Facebook, uma mensagem de Walma Lúcia (prima de Sylvinha Mello) acompanhada de um pedido de amizade que me deixou super feliz.

Transcrevo abaixo o texto produzido e publicado pela Walma no seu perfil no Face.

Enquanto houver arte... (Walma Lúcia)

Muita emoção em achar neste exato momento esta matéria publicada no Portal Luis Nassif sobre Silvinha Melo, prima em primeiro grau do meu pai.

Sempre escutei as histórias (em fragmento) familiares sobre ela e me recordo de quando esteve na minha casa/Niterói, em 1966 (eu era bem pequena - nasci em 61), para visitar a minha avó Alice, sua tia, mãe do meu pai, que se encontrava acamada, bem próximo a data do seu falecimento; nessa época Silvinha morava nos Estados Unidos e era casada com um diplomata francês.

Lembro também quando chegou ao Brasil em uma viagem às pressas de Joanesburgo (onde residia na ocasião em função da vida profissional do seu marido, Embaixador), em 1973, para o enterro de sua mãe (89 anos), tia Belinha (Florisbela de Araújo Melo), irmã da minha avó Alice.

Silvinha (de Araújo) Melo era filha de Florisbela de Araújo Melo - Capixaba da Serra, arredores de Cachoeira de Santa Leopoldina/assim como a minha avó, e Paulo Melo – Pernambucano (médico); neta materna de Antonio José de Araújo - Campos de Goytacazes-Rj e Angelina Postay de Araújo - Italiana(meus bisavós por parte de pai); era caçula de 4 irmãos: Alfredo, Conceição e Aulizia.

Costumávamos visitar tia Belinha em Copacabana, onde morava quando faleceu, mas não lembro (pelas histórias contadas) se Silvinha chegou a residir na cidade do Rio de Janeiro com os seus pais, antes de iniciar a sua carreira artística; pela lembrança de alguns fatos, que uma vez me contou Luís Antônio Pimentel, tudo começara quando ainda residia em Niterói.
Meu pai (temporão) várias vezes comentou que Silvinha viera a falecer na França no dia do aniversário dele (19 de maio).

 

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço