O dep. Giannazi propõe que o entulho autoritário vá para o lixo

O combativo deputado Carlos Giannazi (PSOL) ficou inconformado com o alinhamento explícito da Rota à quartelada de 1964 e com seu indisfarçável orgulho ao relatar o papel que desempenhou na perseguição de quem resistia ao arbítrio, expressos na página virtual desta unidade da Polícia Militar.

[É inaceitável que tal entulho autoritário seja mantido no ar, com o dinheiro dos contribuintes, no portal do Governo paulista, daí a petição on line que lancei para  exortar as autoridades a honrarem os seus compromissos democráticos.]

No último dia 19, Giannazi deu entrada, na Assembléia Legislativa de São Paulo, a um projeto de lei (nº 509) com "orientações de memória histórica para denominação de próprios públicos" e outras providências.

Se aprovado, ficará "proibida a denominação de prédios, rodovias e repartições públicas estaduais com nomes de pessoas que tenham praticado ou sido historicamente consideradas como participantes de atos de lesa-humanidade, tortura ou violação de direitos humanos".

A denominação de prédios, rodovias e repartições públicas estaduais terá necessariamente de passar pelo crivo da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, para análise do histórico do homenageado.

E, no prazo de um ano, o Poder Público estadual será obrigado a mudar o nome de logradouros, instalações e edifícios públicos, bem como retirar "placas, retratos ou bustos que enalteçam a memória" de estupradores dos direitos humanos, "notadamente durante o período da ditadura militar".

Nas justificativas, Giannazi destaca, como principal objetivo da lei proposta, o de "assegurar que a realidade histórica seja preservada  e resgatada em sua integralidade, excluindo denominações heróicas àqueles que não o foram – ao contrário, com suas ações, além das violações e agressões individuais, permitiram o atraso na construção dos direitos humanos no Brasil".

A iniciativa é merecedora do apoio de todos os verdadeiros democratas.



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Comentário de Jorge Cortás Sader Filho em 30 maio 2011 às 15:34

Lungaretti, você tem informação de sobra, é respeitado.

Faço muito o tipo 'bombeiro', quando necessário.  Não está mais do que na hora de desavenças políticas do passado serem enterradas?  Os órfãos de Canudos, não custa, criam uma ONG para pleitear os seus direitos!  E com razão, foi um massacre mesmo, basta ler "Os Sertões" de Euclides da Cunha.

Que tal pensarmos no futuro sem mágoas e rancores?  É bem mais proveitoso.

Forte abraço.

Comentário de Celso Lungaretti em 30 maio 2011 às 18:41

Jorge,

 

desavenças devemos mesmo esquecer. Mas crimes, não. Ainda mais quando ficaram impunes.

 

Então, sendo realistas, o único castigo que os golpistas, terroristas de estado, assassinos, torturadores, estupradores e ocultadores de cadáveres ainda poderão receber será o de ordem moral. Dificilmente conseguiremos fazer com que eles sejam condenados à prisão ou a penas financeiras, e mais difícil ainda será chegarmos à fase de execução com algum deles ainda vivo.

 

Então, só nos resta tornarmos o mais conhecidos possíveis seus crimes (Comissão da Verdade) e impedirmos que as viúvas das ditaduras continuem prestando homenagens públicas a esses canalhas (é o que eu e o Giannazi estamos tentando).

 

Será que nem isto será concedido a nós, vítimas?

Comentário de Ivanisa Teitelroit Martins em 30 maio 2011 às 21:13
Celso, por certo. É o mínimo se não for instalada amplamente, irrestritamente, a Comissão da Verdade. Beijo

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