O contraste entre súditos e realeza é mais evidente aqui no Brasil do que na Inglaterra. Aqui também temos nobres e plebeus. A diferença do poder aquisitivo entre o trabalhador e a elite dominante na Terra de Vera Cruz continua sendo muitas vezes maior do que no primeiro mundo. Talvez seja porque a Coroa inglesa tenha explorado suas colônias por longo tempo, e no Brasil, os coronéis continuam fazendo isso até hoje, porém, com o seu próprio povo.

Enquanto na Inglaterra vigora o sistema “político da monarquia constitucional parlamentarista”, no Brasil temos a “oligarquia constituída por coronéis da política”. Temos assim um tipo de monarquia tropical. Alguns incorporam tão bem esse papel que até castelo mandaram construir, e não é lá no Velho Mundo não, é bem aqui, na Zona da Mata mineira a propriedade de estilo medieval do (agora ex) deputado federal Edmar Moreira. Outros lordes da nobreza recebem auxilio da “coroa”, na forma de pensão vitalícia para ex-donatários, digo, ex-governadores. O “direito” à essa benesse alcança quem sentou na cadeira “real” seja, apenas, por um dia somente. Um dos beneficiários é aquele senador que, dentro do Congresso Nacional, confiscou o gravador do jornalista Victor Boyadjian, no dia 25, quando foi indagado sobre o caso. O Congresso não é a Casa do Povo? Ora povo!

Falando em Congresso, no apagar das luzes de 2010, os nobres parlamentares aprovaram em tempo recorde o reajuste de 61% dos seus próprios salários. Para cumprirem sua jornada de 24 horas semanais das sessões de terças a quintas-feiras tem direito a R$ 26,5 mil além de outras verbas. Enquanto as Centrais dos trabalhadores não conseguem negociar a jornada de 40 horas semanais em troca do salário mínimo de R$ 545,00 recentemente majorado.

Tanto lá como cá, são os vassalos que sustentam a casta nobre. Afinal, é sabido que realeza e trabalho não combinam muito bem. Segundo o site Transparência Brasil, enquanto que nas terras de Caminha se gasta com a remuneração de cada parlamentar na casa de R$ 1 milhão por ano, entre remuneração, auxílios diversos, salários de assessores de gabinete e verba indenizatória. Já na Câmara dos Comuns britânica, cada membro gasta pouco mais de R$ 400 mil (168 mil libras) por ano, também incluindo, todas as verbas, além do salário. O fato é que o deputado brasileiro consome mais do que o dobro de um parlamentar britânico, sendo que este último vive num país em que a renda per capita e o custo de vida são muito superiores aos do Brasil.

Por outro lado, existe também uma diferença de tratamento dado aos súditos de cada reinado, nas áreas de educação, saúde e segurança. Sendo que esta diferença conta a favor dos ingleses. Isto acontece também com a distribuição de renda no Reino de Elizabeth Regina II, a qual é bem diferente do império Tupiniquim. No Brasil 1% da população mais rica fica com 13% da riqueza enquanto que 50% dos mais pobres ficam com 15% do bolo. Aqui a relação entre os detentores de 10% da maior renda com os de 10% de menor renda, é de 50 vezes. Essa relação em países desenvolvidos é de 8 vezes.

Apesar de algum progresso recente, o Brasil permanece um dos mais desiguais do planeta, segundo relatório (Pnud*) da ONU sobre desenvolvimento humano em que aborda especificamente a distribuição de renda. A única boa notícia é que, pelo menos, o mundo todo pode sonhar um pouco com todo o glamour do casamento encantado da nova princesa, a bela e carismática Kate Middleton, a Princesa de Gales. Afinal, ninguém é de ferro.

TeoFranco

www.blogdoafr.com

* Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

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Comentário de José Safrany Filho em 27 abril 2011 às 22:00

Teo Franco:

Se você se refere ao dia 1º de maio, refere-se, então ao dia do TRABALHADOR(A) E NÃO O DIA "DO TRABALHO". Nesse dia, costumeiramente, não é trabalho que se lembra ou se enaltece, embora ele, o trabalho, quando é digno e não alienante, como ocorre para a maioria dos trabalhadores na sociedade capitalista, pode ser reverenciado. Contudo, esse dia é do TRABALHADOR, para lembrar suas lutas por vida melhor, lembrar seus lutadores, comos aqueles de Chicago, enforcados pelo império ianque (será por isso que lá não se comemora a data?) e fazer o balanço do que precisa ser feito para conquistar uma sociedade realmente civilizada, que só será possível com a superação dessa maldita e insana "economia de mercado" (eufemismo para a exploração laboral em proveito das oligarquias, daqui e de fora).

Mas, esse erro deve ter sido involuntário de sua parte, acredito, de vez que a mídia corporativista em Pindorama, comprometida com as classes exploradoras e dominantes, martela o tempo todo (e até sindicalistas-pelegos e/ou distraídos entram nessa, fazendo sorteios e festança nesse dia, para ganhar ainda mais em cima da classe!) com esse engodo!

Sempre há tempo para retificar! Saudações revolucionárias!

Comentário de José Safrany Filho em 27 abril 2011 às 22:02
Quanto ao anacronismo real britânico, e não é o único, caprichos da burguesia pós-moderna, que não tem nada de moderna, pelo contrário, é retrógrada, podre e venal, serve para distrair a galera alienada e pouco ligada em seus próprios interesses, por enquanto, infelizmente!

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