Parece incrível que ninguém perceba que o Dollar funciona no mercado obedecendo à Lei da Oferta e Demanda. Um raciocínio simples e um pouco de conhecimento sobre moeda fiuciária evitariam muitos comentários como o do artigo que se espanta, ainda, com a valorização do Dollar.

Venho explicando isto há mais de seis meses, mas este pessoal ou não lê ou não acredita no que lê sem uma validação externa, é nível zero de senso crítico.

Em todo caso ele e os outros não falam que provavelmente o Copom está sincronizado com a banca mundial via BIS e só vai baixar a taxa de juros no momento que a hyperinflação mostrar suas garras no Dollar.

Muitos vão falar vitória de Pirro, mas , por fim sairemos do jugo financeiro internacional.


Entre os verbos de Lamy e os juros do Copom
Autor(es): Leonardo Trevisan
Gazeta Mercantil - 14/01/2009

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/1/14/entre-os-verbos-de-lamy-e-os-juros-do-copom


- O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, gosta de surpreender. Como relatou a agência de notícias AFP ( Gazeta Mercantil de 8/1), Lamy garantiu que o mundo deve insistir na busca de alternativas ao capitalismo, "pois este sistema é, de todo modo, muito injusto". O maior responsável pelo comércio mundial não aderiu a nenhuma perigosa organização radical; apenas disse que "há 200 anos" esse sistema precisa ser modificado. Porém, Lamy também disse que todas as medidas para mudar o capitalismo "fracassaram". E reafirmou: enquanto esperamos por um novo sistema alternativo ao capitalismo, "é preciso melhorá-lo, corrigi-lo e controlá-lo".

A primeira possibilidade, melhorá-lo, parece bem mais realizável do que a última, controlá-lo. Boa evidência disso está nas promessas de Barack Obama; com a crise, a prioridade absoluta é o estímulo ao consumo, via pacote estimado em US$ 775 bilhões, quase um PIB brasileiro. O anúncio dessa tentativa de melhorar o sistema veio logo após a ata da reunião de dezembro do Fed revertendo expectativas de recuperação rápida ainda em 2009, assegurando duas previsões: a inflação permanecerá baixa e os juros ficarão em níveis "excepcionalmente baixos", por mais algum tempo.

A redução de juro só será eficaz se a confiança voltar. Sem ela não há investimento nem consumo, ou seja, não volta nem emprego nem renda. Obama busca impulsionar confiança cortando imposto e prometendo obras a granel. Isso terá um custo: 2009 deve fechar com um déficit de US$ 1,18 trilhão. A The Economist desta semana resumiu bem: "depois da recessão, o dilúvio", lembrando que estímulos de curto prazo exigem reformas fiscais de longo prazo. Sobre esta nem um pio de Obama, que apenas avisou: déficits maiores que trilhão "serão uma realidade nos próximos anos". Merece atenção, portanto, o "por algum tempo" na frase sobre os juros. Quando a maior economia do mundo der sinais de aquecimento, será preciso rolar a dívida desse déficit e, então, os juros nos EUA voltam a subir. E pesado.

Essa equação toda pode vir a ter um razoável impacto no Brasil. Talvez sua percepção também tenha gerado outra surpresa: o representante dos bancos pediu, em reunião dos principais setores do empresariado com o governo, a queda dos juros. Como se sabe, juro é uma espécie de vale de lágrimas de qualquer economia, em especial a brasileira. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, só respondeu que os presentes naquela reunião falassem "seriamente", porque "o problema não é a Selic, é o spread bancário", referência à diferença entre o quanto os bancos remuneram quando captam e o quanto cobram quanto emprestam. Juro básico no Brasil é o que é porque a dívida pública é alta demais. E a Selic não é a única responsável pelo custo do dinheiro destinado à produção e ao consumo.

Algumas lideranças empresariais saudaram, de modo algo inocente, a chegada do novo aliado - os bancos - à causa dos juros menores. Como reflexo da ordem externa, a Selic, inapelavelmente, irá cair. Aliás, o mercado já sinalizou essa queda no Boletim Focus desta semana. Como o preço das commodities desabou, desta vez, o dólar explodiu sozinho sem levar a inflação doméstica junto, fato inédito no Brasil. Também a rolagem da dívida pública ficará mais barata, obviamente. Em dezembro, o BC mostrou que, se não fosse a desvalorização do real, a dívida pública estaria em 38,7% do PIB, e não em 34,9% como está. Vale lembrar que em dezembro de 2007 estava em 42% do PIB. Os bancos sabem que os lucros de Tesouraria agora cairão. Nessa hora faz até bem aderir ao discurso da maioria por juros mais baixos, inclusive para que ninguém verifique melhor o tamanho do spread no País. Vale sempre lembrar que a Selic caiu de 26,5% ao ano para 13,75% e o spread cobrado continuou subindo no mesmo período.

Em algum momento, quando os juros internacionais voltarem a subir, a opinião dos bancos sobre a taxa Selic deve mudar de novo. É curioso ver como as aspirações de Lamy de melhorar, corrigir e controlar o sistema capitalista têm limites. Obama fala muito em melhorar e quase nada em controlar. Aqui, nem isso. Às vezes falamos um pouco em melhorias. E mais nada.

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