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Segundo informou o JN, para quem o presidente da OAB, meu conterrâneo paraense Ophir Cavalcante presta serviços como comentarista de assuntos gerais, a prova da OAB, uma espécie de Enem dos recém formados em Direito, também teve “problemas”, para não dizer que foi um fracasso. A FGV, responsável pela realização da prova, divulgou o resultado da segunda fase, o qual está sendo contestado por alunos e especialistas. O problema só veio ao conhecimento do público por causa das inconsistências no padrão de contagem das notas e na estruturação de espelho. Também, o que chama atenção é o percentual de reprovados que chega a 88%. Número considerado alto. Se fosse o Enem, isso seria motivo para impeachment de todos aqueles que são responsáveis pela realização da prova, mas como foi no Exame da OAB, parece tudo normal, tudo tranquilo. Tão tranquilo que o presidente da OAB disse ao JN que não há por que se anular a prova ou por que serem contestados os resultados. A FGV não errou. A OAB assina embaixo e pronto. Foi quase isso que Ophir quis dizer. Em entrevista a Beatriz Bulla, do Portal UOL, o advogado Maurício Gieseler diz que a correção precisa ser anulada. É caso de mandado de segurança, e inclusive de ação civil pública. Para o advogado, “a OAB raramente se manifesta quando erra. Ela ocupa na sociedade civil uma posição que intimida e até impede que outros órgãos exerçam sobre ela uma crítica. A OAB precisa de um ombudsman”, destaca Maurício Gieseler. Gieseler diz que problemas nas provas da OAB sempre acontecem, mas dificilmente ganham repercussão. A OAB olha para o problema dos outros, mas não percebe que tem problemas que precisam ser revistos. O Advogado cita o caso do exame número 3 de 2006, no Distrito Federal, em que teria havido fraude em mais de 100 provas, mas o caso “caiu no esquecimento”.

Quando foram divulgados os problemas que aconteceram com a prova o Enem, o presidente da OAB vociferou aos quatro cantos que a prova deveria ser anulada. Que isso não poderia acontecer. Foi preciso o ministro da Educação, Fernando Haddad, ir até Ophir e explicar que o MEC não puxa para baixo do tapete os problemas que acontecem naquela Instituição. Por ironia, o troco veio mais rápido do que se esperava. O Enem da OAB acabou tropeçando. E pelo visto não se pôde evitar que a queda passasse incólume. Assim como no Enem, os problemas no exame da OAB indicam que ninguém está imune a percalços. E quem tem telhado de vidro tem que se precaver. As críticas que Ophir fez ao Enem agora merecem ser feitas do mesmo modo à OAB. Mas quem se atreve a criticá-la? É mais fácil criticar os outros do que criticar os de casa. A OAB faz isso. Ela ateia fogo nos outros, mas quando o problema bate a sua porta, ela se recusa a receber a fumaça e fecha a porta, mesmo sabendo que corre o risco de morrer sufocada. É o famoso “varrer a sujeira para debaixo do tapete”. E isso assusta. Assusta porque acontece na Instituição que se diz guardar os preceitos morais e éticos cunhados pela verdade e pela justiça. Assusta porque, pelo que disse o advogado Maurício Gieseler, a OAB parece postar-se como a senhora correta e infalível, e que todos sabem que ela não é. Minha avó sempre dizia que de onde vêm as críticas, é lá que está o maior problema. A OAB precisa ser mais transparente com a sociedade. Agora, no momento em que ela vira o alvo dos problemas com a prova que avalia os baixareis em Direitos, é o momento de o presidente da OAB mostrar que preside uma Instituição que não tolera maus feitos. Agora que a pedrada chegou ao seu telhado de porcelana, antes visto como imune a rachaduras, é hora de Ophir entender que não é apenas o Enem o problemático, mas o Exame da OAB também está mancando. O remédio para isso é admitir o erro e ser transparente. Nada mais justo se vier da Instituição que agrega aqueles que zelam pelas leis deste País.

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Comentário de Nonato Pereira em 10 dezembro 2010 às 1:43

E o que diz a OAB tão ciosa com relação ao ENEM? A OAB fica caladinha e com o rabinho entre as pernas. A reprovação é massiva, então tem que mostrar a procedência do "bacharel". Sem isso o nível continuará baixo. Mas a OAB fará isso? Duvido. Os cursos caça níqueis não podem ser expostos, responsabilizados, não é? Não é Paulo Renato? Não OphirCavalcante ? A privacidade tem que ser preservada, dizem eles. Conversa mole. Então o todo deve ser prejudicado por uma ínfima parte? 

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