O "ESTILO LAMPIÃO" CONTINUA CADA VEZ MAIS VIVO

Imagino que, em matéria de violência, as coisas estejam cada vez mais parecidas com os tempos de "Lampião no Sertão do Meu Padim”.

É que naquela época violência era “coisa de rico”, de fazendeiro pra cima, "pobre não era besta de se meter a besta" e as famílias "abastadas" se matavam por uma garra de terra, a "honra" de uma filha desvirginada, uma palavra quebrada e o poder, enquanto os "abestados" se pegavam numa guerra até por conta de um "rabo de ovelha" amputado como castigo, episódio acontecido “bem ali”, a poucos quilômetros do “Maior São João do Mundo”, só que o “pega pra capar” entre os nanicos nem era citado na história, pois, assim como não possuíam certidão de nascimento, também não precisavam da de óbito.

Passei boa parte da vida trabalhando em banco e, até inventarem a famigerada porta giratória, ali pela década de noventa, motivo de tantos constrangimentos e consequentes ações por danos morais, em algumas cidades onde trabalhei, era comum um cliente entrar armado numa agência e os mais "íntimos" até descansarem a arma sobre o birô do gerente, enquanto os "seguranças" - leiam-se pistoleiros - o esperavam ali pelas imediações, exibindo seus "trabucos" na cara da polícia, cujos integrantes não conseguiam nem se alimentar com o salário que ganhavam e dependiam cada vez mais dos “homens”.

E, pelo que tomei conhecimento através dos meus avós, que chegaram a conviver com a situação, não só Lampião como outros cangaceiros menos famosos, protegiam fazendeiros e demais autoridades em troca de apoio, aquele que hoje em dia ganhou de acréscimo esse lindo nome de "logístico" e, dessa proteção, constava à perseguição aos seus inimigos de um modo geral, porém as atrocidades cometidas no cumprimento das “sentenças” eram imputadas ao cangaço.

Então, já naquela época, as pessoas que não tinham muito dinheiro e usavam um pouco do juízo que havia na cabeça, simplesmente procuravam viver em paz, numa espécie de “covardia calculada”, onde se “concordava” com os poderosos em troca do direito de viver e, dessa subserviência, fazia parte hospedar cangaceiros em suas casas e passar a noite jogando sueca ou dançando quadrilha com eles, se assim desejassem.

Pior que tem muita gente por aí dizendo que bons tempos eram “aqueles” e que Lampião, “aquele sim, era um homem” e cheguei a discutir “acaloradamente” com um senhor mais velho ainda do que eu, semana passada, porque não concordei com esse argumento, partindo de um sujeito com todas as características de fazer parte de uma família cujo perfil era o de ser protegida pelo cangaceiro. E se ele fosse do lado dos perseguidos? Do lado dos sem voz e, consequentemente, sem vez?

Se analisarmos bem, chegaremos à conclusão de que mudaram o cangaço, os cangaceiros e até o padim, mas as causas da violência, com exceção das drogas, na essência continuam as mesmas, ou seja, a disputa pelo capital e o poder, ancorada cada vez mais nesse jornalismo com direito justamente a “âncoras”, que, após a divulgação da notícia, dão àquela pincelada na mesma deixando-a da cor que desejam e levantam a bola para que seja cortada pelos que deveriam estar apitando o jogo. Viva o Brasil, vítima de ontem e de hoje!

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