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É nessas manhãs frias  e cinzentas que eu sinto mais saudades do fogão a lenha que tinha aqui em casa. Saudades de levantar cedinho, junto com o sol nascente.  De acender o fogo com a lenha seca da véspera. Um café quentinho e um pedaço do bolo de fubá que ficou na assadeira. 

Saudades! Acho que brasileiro vive de saudades pois, esse retrato que eu pintei no parágrafo acima é comum a muita gente, de muitas idades. Talvez os meninos de hoje já não venham a ter "essas" saudades pois, saudades tem que ter raiz em memórias e memórias é o que a gente já viveu, na realidade ou no imaginário.

Bom, saudades de fogão a lenha, as chamas brincando bonitas, a chaleira soltando vapor e aquele cheiro gostoso de comida da vovó, isso sim é que são saudades que vale a pena ter.

No Suarão minha avó tinha fogão a lenha, e era assim como eu me lembro - claro, pode ser que hoje a pintura seja muito mais brilhante do que a realidade de então mas, não é isso que importa. O que importa é o sentimento, as tais saudades que nos fazem bem, que conformam nossa estrutura emocional.

Eu diria que essa é a psicologia de cada povo, suas saudades ancestrais, suas imagens, criadas ou verdadeiras, mas que fazem parte da mitologia de cada grupo humano.

O fogão a lenha, a cafeteira de café cheiroso, o bolo de fubá, as cores, o calor do fogo na manhã fria, o barulhinho da lenha queimando e a dança das chamas (meu avô dizia que nas chamas dançavam as salamandras, elementais do fogo, e aí vinha história).

Saudades de "ser tão" brasileira, saudades do meu sertão!

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