O golpismo traduzido em imagens (grotescas)

Os sorrisos, as risadas, a ausência de mulheres, negros ou qualquer tipo de minoria entre os ministros escolhidos pelo vice-presidente Michel Temer em seu primeiro pronunciamento após assumir o lugar da presidenta eleita afastada não foram suficientes para escancarar o golpismo que permeia todo o processo de impeachment.

Pouco antes de sua fala, Temer sussurra com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o candidato derrotado por Dilma em 2014 que, desde então, não reconhece sua derrota e tenta derrubar a presidenta. Os motivos que levaram o tucano a estar tão à vontade ao lado de Temer neste momento – sendo que sequer cargo no novo governo tem – são, no mínimo, sugestivos.

Em tempo: José Serra (PSDB-SP), recém empossado ministro das Relações Exteriores e que foi outro tucano derrotado pela presidenta nas eleições, também esteve presente e entrou no governo sem ter sido eleito para tal.

Foto: Reprodução/NBR

Fonte: Portal Fórum

"...O “espetáculo indigno” dos políticos brasileiros “prejudicou de forma duradoura as instituições e a imagem do país”, escreveu Glüsing. Ele lembrou que, se maquiagens orçamentárias fossem crime, muitos governadores teriam que ser afastados do cargo, isso para não falar dos antecessores de Dilma, a começar por FHC.

Sonhávamos nos tornar um país avançado, menos injusto, menos primitivo. Mas acordamos para a dolorida realidade de que somos ainda uma República de Bananas, na qual uma plutocracia primitiva e canalha sempre encontra maneiras de manter seus privilégios e mamatas.

Nosso lugar no mundo, nesta era, não é ao lado de países como a Alemanha da Spiegel, ou a França, ou a Inglaterra, ou a Dinamarca das bicicletas e do igualitarismo. Estamos, como sublinhou Glüsing, alinhados com Honduras e Paraguai.

Nos anos 1980, um economista disse que o Brasil era a “Belíndia”, uma pequena e rica Bélgica cerca de uma enorme e miserável Índia. Agora somos “Paraduras”, a fusão de Honduras com Paraguai.

É a isto que fomos reduzidos pelo golpe da plutocracia.

Enquanto a plutocracia não for domada e derrotada, assim seguiremos, oscilantes entre a Belíndia de ontem e a Paraduras de hoje – e esmagados em nossas aspirações de sermos, enfim, uma nação civilizada.

Leia a íntegra: Como a plutocracia reduziu o Brasil a uma mistura de Honduras e Par...

O Brasil tem diante de si um grande desafio. Terá de explicar muito bem ao mundo, a seus parceiros políticos e comerciais da América Latina e fora dela por que o Congresso está depondo Dilma Rousseff, reeleita democraticamente, pelas urnas, há 19 meses, com 54 milhões de votos.
El Pais: onda de indignação nas ruas deu legitimidade a uma iniciat...

O impeachment sem crime de responsabilidade, que foi a fraude armada pela burguesia para roubar o mandato legítimo conferido à Presidente Dilma por 54.501.118 brasileiras/os, se revelou ao mundo inteiro como golpe de Estado, atentado à Constituição e à democracia.

E também revelou o contraste entre o Brasil que quer alcançar a modernidade com políticas de igualdade e direitos, e o Brasil da classe dominante medieval, que insiste em regredir à Idade Média.

O governo usurpador tomou o Palácio do Planalto

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