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POR CELIO VIVAS COSME (PONTEDAPASSAGEM.WORDPRESS.COM)

 

O acontecimento da semana, até a notícia da morte do saudita, foi o casamento entre Príncipe William e Catherine Middleton.

Na última sexta-feira, não fiz como muitos que, desde cedo, ligaram a TV para acompanhar a cerimônia ao vivo, com direito inclusive a comentarista, nos moldes das transmissões esportivas.

Aliás, a comparação não é gratuita. Alguns desavisados que passavam de carro, e viam pessoas aglomeradas nas portas de lojas de eletrodomésticos, chegaram a pensar que a Seleção Brasileira estava em mais um daqueles amistosos absolutamente desnecessários, salvo para o bem e os cofres da CBF.

Em razão da exposição maciça de matérias na TV e na Internet, não pude deixar de ver e assistir algo sobre o evento. Por exemplo, uma interessantíssima análise dos chapéus utilizados por algumas das mulheres presentes.

Há pessoas que, genuinamente indignadas, questionam a designação de uma família para reinar (não necessariamente governar) acima das demais. Indagam a utilização de dinheiro do contribuinte na manutenção de uma estrutura que envolve castelos, vestidos que não podem ser repetidos em cerimônias e viagens. Há, ainda, todo um aparato de segurança, educação, alimentação e limpeza que, como todos imaginam, não é barato.

E realmente é difícil para um brasileiro entender a importância da família real para os britânicos. Se hoje as imagens da realeza são sempre vistas em eventos de luxo e sofisticação, há que se registrar que o rei, historicamente, era o responsável maior pela segurança de seu território.

Por questões geográficas, o Reino Unido deveria ter a mesma relevância no cenário internacional que o Eire (Irlanda). Contudo, a necessidade de se defender por séculos a fio de invasões de povos diversos fez com que, numa espécie de depuração darwiniana, seu povo fosse constituído de uma alma própria de guerreiros. Persistiram e sobreviveram enquanto povo.

Bernard Cornwell, em sua série de livros “Crônicas Saxônicas”, narra a luta do Rei Alfredo contra os dinamarqueses na defesa da Inglaterra do século IX. Em determinado momento, o rei, quase derrotado, refugiou-se num pântano ao sul da ilha. Após uma série de batalhas com um índice de mortes muito maior do que o verificado nas guerras cibernéticas atuais, ele conseguiu reverter a dominação dos vikings.

Esses e outros livros de Cornwell mostram, nos primeiros séculos do Cristianismo, que os ingleses eram pessoas sem qualquer noção de higiene, com baixa expectativa de vida e atrasados tecnologicamente. As construções mais sólidas existentes na Ilha eram as ruínas da presença do Império Romano, dentre as quais pontes, casas de banho, praças e pequenos palácios.

Naquele tempo, os ataques eram realizados com espadas, lanças e flechas, os soldados formavam suas paredes de escudos e era esperado que seu rei os comandasse pessoalmente no campo de batalha.

Com o passar do tempo, a Grã-Bretanha se afirmou com um grande país. Na segunda metade do século XIX, durante reinado de 63 anos da Rainha Vitória, o maior de sua história, chegou a ser considerada a maior potência militar do planeta.

A monarquia britânica também desempenhou papel importante durante a II Guerra. A então Princesa Elizabeth, por exemplo, foi treinada como motorista e mecânica. E chegou a dirigir um caminhão militar e serviu seu país uniformizada. É Rainha do Reino Unido desde 1952.

Seu segundo filho, Príncipe Andrew, lutou na Guerra das Malvinas, em 1982, como membro da Marinha Real Britânica.

Ou seja, a história dessa família coincide com a epopéia de construção de uma nação que, diga-se de passagem, tinha tudo para ser figurante no cenário internacional.

Daí a relevância contemporânea da manutenção da monarquia. Não mais para liderar num campo de batalha, mas para simbolizar a pujança de um Império. E essa importância aumentou muito desde o final do século XX, mais precisamente a partir dos anos 80, quando a midiatização iniciou o atual processo de valorização da fama como um processo em si mesmo.

Em 1981, houve o casamento dos pais do atual Príncipe de Cambridge. E a mídia soube como ninguém explorar a imagem de uma mulher que parece ter sido desenhada na prancheta de Disney. A plebéia Diana Spencer era vista como uma espécie de Cinderela do mundo real.

As duas últimas décadas do século XX, em razão do ineditismo da cobertura televisiva em escala mundial e da ótima utilização de imagem por algumas personalidades da época, fez crescer a popularidade de algumas personalidades a níveis nunca vistos. É desse período o Papado do Pontífice mais popular da Igreja de São Pedro (Karol Wojtyla). Testemunhou-se também o aparecimento de um líder carismático de país inimigo do ocidente (Gorbatchev) e o primeiro rockeiro rebelde politicamente correto (?!) que se tem notícia (Bono Vox).

Por tudo isso, Kate Middleton nunca terá a popularidade de Lady Di, até pela maneira como se deu a morte trágica da Princesa de Gales. Mas isso não desmerece em nada o papel que ela terá que desempenhar perante seu país.

God Save the Queen.

 

Texto originalmente postado no Blog Ponte da Passagem:

http://pontedapassagem.wordpress.com/2011/05/05/o-imperio-a-rainha-...

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Tags: Alfredo, Cornwell, Diana, Elizabeth, Inglaterra, Vitória, viking

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