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O JN no Ar faz viagem perdida a Porto Velho. A calamidade na Saúde não são os pacientes no chão do Pronto Socorro. Eles são os sobreviventes.

NoticiaRo.com

O repórter Helter Duarte, do Jornal Nacional no Ar, da Rede Globo de Televisão, não contou a verdadeira história da calamidade na Saúde Pública no Estado de Rondônia. Duarte não percebeu que estava mostrando o lado bom da história, ao filmar os doentes atendidos no chão, nas cadeiras e macas da recepção do Pronto Socorro João Paulo 2º

Aquelas pessoas no chão são todas sobreviventes, algumas de uma odisséia de centenas de quilômetros pela BR 364. Sacolejando em ambulâncias lotadas, desequipadas, quentes, sem ar condicionado e sem médico acompanhando. Ou viajando até em caminhões.

A maioria dos pacientes não é de Porto Velho, são despachados para cá pelos prefeitos de suas cidades que às vezes nem se preocupam em manter posto de Saúde funcionando.

Muitos morrem no meio do caminho, dentro da ambulância, na rodovia, antes de ter a chance de encontrar um espaço vago no chão do João Paulo 2º  e ser atendido por um médico, ainda que o frasco de soro tenha que ficar pendurado na parede. Por isso esse é um lado bom da história, o atendimento que salva o paciente, não importa como.

A segunda coisa que o repórter do jatinho da Globo não percebeu é a abnegação dos médicos e enfermeiros do Pronto Socorro, que se transformam em heróis salvando a vida das quase 300 pessoas que passam diariamente por aquela sala e que não são levadas para uma enfermaria no pelo simples motivo de estarem todas elas lotadas.

Um terceiro fato que o repórter do JN no Ar não viu, e fez a Globo desperdiçar combustível na viagem do Rio a Porto Velho, é o de que se alguém for atropelado, tomar um tiro, tiver um infarto, precisar de qualquer atendimento de extrema urgência aqui – principalmente à noite – o melhor, ou um dos poucos locais onde terá atendimento hospitalar eficaz será ali, ainda que deitado no chão, no superlotado Pronto Socorro João Paulo 2º.  Essa é que é a verdadeira história.

É uma sutil, mas radical diferença de como os fatos devem ser vistos e contados. Porto Velho tem vários hospitais particulares, caríssimos, luxuosos, com apartamentos perfeitamente refrigerados, TV por assinatura, cozinha de primeira. Aliás, um desses hospitais é uma verdadeira galeria de arte (e não passa disso, segundo ex-pacientes), enfeitado por pinturas a óleo feitas por seu dono, dublê de artista plástico e poeta.

Com raras exceções, os hospitais particulares oferecem mais hotelaria do que atendimento médico aos pacientes. À noite, com exceções mais raras ainda, não têm médico plantonista. Nem radiologista, para ver se o paciente está com alguma fratura. Dois ou três hospitais particulares, quando muito, fazem radiografias à noite.

Graças a Deus que o jatinho do JN no Ar fez (e desejamos que sempre faça) uma boa viagem. Mas, se tivesse ocorrido algum acidente aqui e o repórter precisasse de socorro urgente, mesmo tendo ele no bolso todos os cartões dos melhores convênios, planos ou seguros de Saúde privados do mundo, lhe restaria, como uma das pouquíssimas alternativas de atendimento médico em Porto Velho, rezar para ter um espaço ao lado de um daqueles doentes que ele mandou filmar no chão do João Paulo 2º.

Outro e mais importante ponto que o apressado repórter do jatinho do JN não viu, é o de que existem hospitais particulares em Porto Velho que, juntamente com o Pronto Socorro e Hospital João Paulo 2º, e o Hospital de Base de Porto Velho (o único hospital geral público e o maior do Estado), e o Centro de Medicina Tropical, transformam esta Capital num dos mais importantes e bem equipados centros científicos e de referência médica da Amazônia – e do país.

Esta Capital tem as unidades hospitalares mais bem equipadas num raio de mil quilômetros. É por isso que elas atraem (principalmente o João Paulo 2º, por ser grátis, público) pacientes do Acre, do Amazonas e da Bolívia.

Por não ter sabido identificar onde está a calamidade na Saúde de Rondônia, Helter Duarte disse uma asneira, disse não existir em Porto Velho ou no Estado nada que justificasse o amontoado de doentes no chão e espalhados pela sala de recepção do Pronto Socorro. Mas,existe.

Além de os prefeitos do Interior enviarem para cá os doentes graves de suas cidades, o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, do PT, portanto aliado político do governador, que é do PMDB, nunca se preocupou em equipar adequadamente os postos municipais de Saúde e muito menos em construir, um Pronto Socorro Municipal. Ou ampliar um dos postos de Saúde para isso. 

A calamidade pública é a população não ter atendimento por inexistência de um suporte e uma política municipal de Saúde. O governador Confúcio Moura, que era prefeito de uma cidade do Interior (Ariquemes) antes de se candidatar ao governo do Estado, costuma criticar, genericamente, os ex-colegas que negligenciam a Saúde, mas consta nunca ter criticado o aliado petista por abandonar a Capital aos cuidados médicos do Estado.

Muito mais coisas o JN no Ar literalmente passou por cima, e que prosseguiremos contando em próxima atualização deste site, publicando, por exemplo, um diário que um paciente escreveu quando esteve internado no Pronto Socorro e Hospital João Paulo 2º.

Aliás, o diário é meu, numa ocasião em que estive gravemente enfermo e fui levado com urgência para lá (antes da atual reforma). Sofri também na superlotada recepção, até abrir uma vaga para minha internação. Fiquei 15 dias internado e pude constatar que o hospital João Paulo 2º dá aos seus pacientes atendimento infinitamente superior ao oferecido, repito, pela maioria dos hospitais particulares de Porto Velho.

Enquanto isso, para mostrar ao repórter do JN no Ar que ele mal vislumbrou o drama da Saúde em Rondônia, e que existem outros ângulos de visão, lembro que provavelmente na mesma hora em que o jatinho voava para Porto Velho, uma “voadeira”, (bote com motor de popa de 40 HP), enfrentava a vastidão do rio Guaporé, na fronteira com a Bolívia, para tentar salvar a vida de uma criança, numa região que o repórter da Globo deveria conhecer para ver que a calamidade da Saúde em Rondônia é muito maior do que a existência de um paciente tomando soro deitado no chão do João Paulo 2º.

A “voadeira” salta sobre os banzeiros do rio Guaporé, com uma enfermeira tentando encontrar uma veia para injetar soro no indiozinho de um ano que agoniza em seu colo. O condutor da “voadeira” tenta ajudar a segurar o menino, enquanto com a outra mão controla o barco.

A pequeno índio está desidratado, com diarréia, uma das doenças que mais matam as crianças no Vale do Guaporé, e se não receber o soro morrerá. Para ler mais acesse www.noticiaRo.com

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