O OCASO DE UM PARTIDO     –    13-01-2012


    “A soberba precede a ruína e a altivez de espírito, a queda!” – Provérbios de Salomão


    Como todos os impérios, instituições têm os seus tempos também: o início, o crescimento, o auge, as crises contornáveis e, finalmente, uma crise incontornável, que decreta ou o seu fim, ou uma drástica e irrevogável diminuição de seu poder, de sua importância, seu “status”, enfim.
    Só para falar de Brasil, uma década antes de virem chegar o seu  fim, qualquer brasileiro chamaria de louco quem profetizasse a falência do Mappin, da Varig, da Mesbla, citando poucos exemplos...


     Do mesmo modo, esse ano de 2012 ao que tudo indica, será o ano do ocaso do PSDB, ao menos enquanto grande partido de oposição ao PT. Em meados dos anos noventa, quem arriscasse a dizer que Lula seria eleito, se eleito, faria um grande governo, e FHC ficaria marcado especialmente no segundo mandato, como um dos mais desastrados presidentes do país, igualmente, seria chamado de louco. Aclamado pela mídia com uma ou outra ressalva, um FHC radicalmente convertido ao neo-liberalismo entregava nossas mais preciosas estatais à preço vil, numa história já narrada pelo jornalista Aloysio Biondi, e agora com detalhes específicos de roubos e subornos de alguns personagens protagonistas daquela época, no livro do Amaury Ribeiro Jr.


    Mas, afora a desastrada privatização, que em si não chegou naquela ocasião a “queimar” o capital político do PSDB (apenas parcialmente e para uma parte do povo brasileiro), O QUE, DE FATO, CONSIDERAMOS COMO CAUSA DESSE OCASO, DESSA PERDA DE STATUS, DA SIMPATIA DO POVO BRASILEIRO, PELO PSDB?


    Sobre isso, queremos desenvolver um raciocínio simples: que a perda dos homens mais dignos do partido – Mário Covas, Montoro, Bisol e outros... – e o domínio do mesmo por seus “homens menores” – FHC e Serra – isso, mais do que tudo, acabou “fazendo a história” do PSDB nos últimos 15 anos, determinando seu pensamento empobrecido, sentimentos mesquinhos de inveja (FHC), arrogância (Serra) e (tremendamente irônico esse fator...) – a super-proteção de uma mídia que foi perdendo o caráter, a decência, a honestidade moral no cerne de sua profissão, proteção esta que “cegou” toda uma parcela da sociedade brasileira e de vários segmentos do próprio PSDB, que ao “achar que está tudo bem”, uma vez que a mídia assim o anunciava, jamais pôde exercer a única coisa capaz de salvá-los da canoa furada que FHC e Serra os jogaram: uma auto-crítica corajosa, visceral, transformadora da mesmice, da letargia, da burrice (não consigo enxergar outro termo...) em que seus líderes os mantiveram nos últimos dez ou doze anos.


    Nem a grande mídia, corrupta em seus interesses escusos e corrupta na sua essência jornalística ao se transformar em panfleto, nem o PSDB, perceberam a modernidade dos novos tempos, que o advindo da Internet e a facilidade da troca de informações no mundo, acabam por trazer a verdade à tona.  Manipulações midiáticas têm tempo cada vez mais curto nos dias de hoje. A Globo blinda Ricardo Teixeira? Vem um jornalista inglês e o desmascara para o mundo. FHC coloca um prepotente com moral dúbia no Supremo? Vem um Dalmo Dallari e o desmascara. Não adianta, Collor estava certíssimo na bela frase que estampou em sua camiseta: “O tempo é senhor da razão” – Ou seja, A SENHORA MÍDIA TODA-PODEROSA não é mais a dona da razão. E nesse tempo chamado hoje, as verdades de toda a fragilidade ideológica, moral, política e intelectual do PSDB, saltam aos olhos, as máscaras vão caindo uma a uma, a nudez envergonhada do Partido (e da grande mídia) é exposta, e não há mais como FHC e Serra não serem apontados como os principais artífices desse grande fracasso denominado PSDB.


    Se não, vejamos... FHC quebrou o país três vezes (palavras e conceito não meus, mas de Delfim Neto), causou aumento da miséria e do desemprego, não buscou o apoio de Lula e do PT lá no início, optando pelo PFL, e teve uma parte de seu mandato, literalmente, quase que comandado pelas opiniões de Antonio Carlos Magalhães. Não à toa, seu candidato a sucessor era o filho mais velho de ACM, que faleceu precocemente aos 43 anos, e foi de ACM a indicação do amigo e banqueiro Daniel Dantas, para uma espécie de “ator maior” nas privatizações, especialmente no setor das tele-comunicações. Traiu despudoradamente Itamar Franco, que lhe dera a presidência “de mão beijada” através do plano real, e foi um fantasma, uma sombra triste e sem ação nos últimos dois anos de governo, quando saiu sem deixar saudade – a não ser naqueles que já tinham dinheiro antes dele, e no seu governo reforçaram ainda mais suas gordas poupanças.


    E Serra? Serra foi um apenas razoável ministro da saúde, e um governador extremamente centralizador em São Paulo, com nenhuma ação inovadora, digna de nota. Um homem público de peso, com o orçamento mais rico do país à sua disposição, tem que deixar marcas fortes, criativas, transformadores da realidade social do estado que governa. Obcecado que estava desde o governo FHC em se tornar o presidente do Brasil, Serra, escorado por seus “jagunços eletrônicos” – seus espiões, montando dossiês Brasil afora... – e por seus “jagunços midiáticos” – os “colonistas”, como bem os chama PHA, aqueles que alugam seus nomes para que Serra lhes dite o que escrever... – nada mais fez do que atacar covardemente todos aqueles que julgou serem seus adversários – vide o que fez com Roseana Sarney e depois Aécio, para citar poucos... – e fiou-se nessa mídia corrompida, para lhe dar a vitória na eleição de 2010, além dos “Graeff” da vida, que, na internet, tratavam de sujar o quanto podiam a imagem de Dilma, com textos tenebrosos sobre aborto e outras coisas que afetam a moral conservadora de boa parte dos brasileiros. NISSO SE RESUMIU O SERRA DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS!


    Claro que esse ocaso, essa perda de dignidade política, de poder, do PSDB, não se deve APENAS a FHC e Serra, mas PRINCIPALMENTE A ELES, que, enquanto líderes, deram o rumo que bem quiseram ao partido. Com a omissão covarde e o apoio, de gente tão apequenada quanto eles, com destaque na ausência de discurso e caráter, para Álvaro Dias e Artur Virgílio.


    FHC, adoecido pela mágoa de ver sua imagem destruída, pela comparação a Lula, passou a atacar o governo, com um discurso incoerente, pobre, suas colunas no Estadão e no Globo, lidas e comentadas apenas por suas “viúvas”, as classes médias altas e  os ricos do país, gente de dinheiro mas de modo geral ignorante; cultura social e política nunca foi o forte de nossas elites. Além dos fortes preconceitos que essa mesma gente nutria – e nutre até hoje, certamente... – contra o “retirante analfabeto que chegou à presidência graças aos miseráveis ignorantes e burros que votaram nele!” – certamente, o que pensam de Lula e seus eleitores...


    Na verdade, se auto-crítica fizesse um dia, FHC enxergaria que jamais deveria ter se sentado um dia na cadeira de presidente do Brasil. É apenas um professor, e provavelmente razoável, não dos melhores – é o que se pode concluir de seus textos, confusos, incoerentes, pobres de brilhantismo e originalidade. Não tinha “estofo” para o cargo, caráter! E, caráter aqui, digo no sentido não moral, mas de “firmeza”, objetivos claros, liderança, sentido de “POVO”, desejo de conquistas sociais sólidas, de transformações. Deslumbrado em sua vaidade, e depois, dominado ou muito influenciado pelos ACMs da vida, acabou tentando achar esse “novo caminho”, vendendo sua alma, sua inteligência, seu futuro político e o do país, no tal do neo-liberalismo”, o deus mercado virou seu deus, e sonhou que com isso, “colocava o país na modernidade, e seu nome na história!”.


    Tirando os bancos estaduais, câncer da nossa economia, e umas poucas estatais ruins, errou feio na dose do remédio, aceitou moedas podres nas privatizações, confiou nos “Dantas” e “Serras” da vida, e deu no que deu...  Hoje, a história revela todos os males que causou ao país e à sua biografia – quando, até acredito, tentou beneficiar a ambos. FHC era, na minha opinião, muito mais fraco, despreparado e deslumbrado, do que um “mal caráter” – o que não creio que seja, em absoluto. Poucos homens no mundo, tendo conquistado o poder máximo em um país, têm a coragem de fazer uma auto-crítica tão cruel. Restou-lhe o caminho da inveja, do despeito, e dos discursos vazios, às vezes patéticos. COMO LÍDER DE UM PARTIDO, NESSE CAMINHO O JOGOU, acompanhado que estava de homens também pequenos e sem visão – vide o discurso de Alckimin contra Lula em 2006.
    De Serra, já disse tudo. Pessoa perigosa, sem limites morais nas inimizades – ele não tem adversários, mas INIMIGOS, e assim os trata... – e na busca de seus objetivos.


    Falem o que quiserem: partidos são comuns, todos eles, ATÉ A CHEGADA DE UM LÍDER!
    Lula é sim, 70% de um PT! Lula dirigiu o PT, Lula escolheu bem sua equipe, foi de Lula a intuição e a ação nas crises, e essa foi sua GIGANTESCA DIFERENÇA em relação a FHC: Lula queria a presidência como um projeto pessoal, MAS TINHA SONHOS E PROJETOS PARA O BRASIL, e erros à parte – e alguns graves, como juros e câmbio... – DEIXOU SUA MARCA, escreveu um capítulo digno e belo em sua biografia, no exercício da presidência do Brasil.


    Não sou louco de desmerecer sua equipe, gente do estirpe da Dilma, do Mantega, tantos outros... Mas, EQUIPE SEM LÍDER, NÃO FUNCIONA! E Lula soube liderar.  FHC e Serra souberam? FHC e Serra “mostraram o caminho” para seus partidários, suas equipes? Tinham visão, sonhos, projetos...? Não! Caíram na armadilha fácil, no discurso vazio do denuncismo desvairado e factóides tão patéticos quanto a mídia que os criava!


    Nesse ocaso, um PSDB ainda razoavelmente forte restará. Nem sombra do PSDB do auge de FHC, mas um PSDB que governa oito estados, e tem políticos com alguma expressão, mesmo que metade disso venha da mídia. O “tamanho” e o vigor desse PSDB, será decidido pela coragem – ou não... – de seus membros, de fazerem uma auto-crítica, e RENOVAREM verdadeiramente seus preceitos, sua ideologia, e SUA FORMA DE FAZER POLÍTICA!
    Ou enterram a inveja e os discursos vazios de FHC, e os rancores e falta de caráter de Serra e RECOMEÇAM um novo partido, ou... Enterram-se juntos!
    O ocaso do PSDB é irrevogável, é FATO! O que ainda lhes resta, é o que fazer com as sobras. E encontrar líderes VERDADEIROS...


                        *************

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