O PAÍS DO RETROCESSO

(Jonas Alves Corrêa) 

 

Para a atual crise hídrica e elétrica no País não há explicação racional. O Brasil tem 7367 km de litoral, que aumenta para 9200 km, se forem consideradas as saliências e reentrâncias da costa brasileira. Por que não se constroem usinas dessalinizadoras, como fizeram Israel, Austrália e os países árabes? A água do oceano é inesgotável. Dubai, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos, é um imenso areal. Lá a vegetação é artificial e as casas populares todas têm piscinas. A cidade de Dubai construiu o maior arranha-céu do mundo, o Burj Khalifa (Torre do Khalifa), com a altura impressionante de 828 metros. É a força dos petrodólares. Além disso, ou seja, a dessanilização da água do mar, poderiam ser construídos imensos reservatórios de captação de águas pluviais, e implantado um plano ambicioso de perfuração de poços artesianos. A obra de transposição das águas do Rio São Francisco foi abandonada. Hoje, a energia elétrica depende da energia fornecida pelas usinas hidrelétricas e usinas térmicas. Não se explora a energia eólica, energia limpa, que é a transformação da energia do vento em energia útil, nem a solar, que é a energia proveniente da luz e do calor do sol. A energia nuclear, que é a energia liberada em reação nuclear, também tem como uma das finalidades gerar eletricidade. O programa nuclear brasileiro, que previa a construção de oito usinas nucleares, hoje se resume a três usinas, a de Angra 1, a de Angra 2 e a de Angra 3, esta última ainda em construção, sendo que as duas primeiras funcionam com problemas.

A origem étnica do brasileiro foi a pior possível. Para cá vinham os degredados portugueses e os escravos africanos, os quais, com os índios indolentes, formaram a trilogia heterogênea da nossa primeira miscigenação. Os silvícolas, por lei, são considerados “relativamente incapazes”, juntamente com os pródigos e os menores de dezesseis anos. O País só melhorou com a vinda da Corte Real de Portugal, e, posteriormente, já no regime republicano, com as imigrações japonesa, italiana e alemã, que trouxeram o progresso, a experiência e a cultura daqueles países para a terra brasileira.

O Brasil ficou mais longe de ser eleito para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), depois que a presidenta Dilma Rousseff discursou na última Assembleia Geral defendendo o diálogo com os terroristas do Estado Islâmico. O Conselho de Segurança da ONU é formado por quinze países, sendo cinco permanentes, com direito a veto, ou seja, a República Popular da China, a França, a Rússia (ex-União Soviética), o Reino Unido e os Estados Unidos da América, e dez não permanentes, eleitos pela Assembleia Geral, com mandatos de dois anos, não consecutivos. Recentemente, houve o caso de dois traficantes brasileiros, travestidos de esportistas, que foram condenados à morte na Indonésia, por tráfico de drogas. Um era instrutor de voo livre, que entrou naquele país com cocaína escondida nos tubos de uma asa delta, e o outro, surfista, flagrado com cocaína escondida na prancha de surfe. O presidente da Indonésia negou os pedidos de clemência feitos pela presidenta do Brasil, e o governo brasileiro pensou em retaliação nas relações comerciais bilaterais, que são insignificantes, e assim mesmo o Brasil exporta mais do que importa, em relação àquele país asiático. E é bom não se meter com a Indonésia, que há cinquenta anos explodiu a sua primeira bomba atômica, e se inclui no seleto grupo das nações que possuem armas nucleares. Para comprovar o atraso brasileiro com relação às nações desenvolvidas ou emergentes, pode-se mencionar que o astronauta norte-americano Neil Armstrong pisou o solo lunar em 1969. Os Estados Unidos tem, atualmente, o robô Curiosity coletando dados na superfície de Marte, para uma futura missão tripulada ao planeta vermelho. O robô, além de centenas de fotos, fez descobertas históricas no solo marciano, como a existência de água, moléculas orgânicas e detectou a emissão de gás metano, que sugerem já ter havido alguma forma de vida naquele planeta. O Japão lançou uma sonda que pousará em um cometa no ano de 2018, e a China, atualmente, domina tecnologias espaciais e, depois dos Estados Unidos, é o país maior fabricante de satélites artificiais e foguetes.

Enquanto isso, aqui no Brasil, se discute há trinta anos baixar a maioridade penal dos dezoito para dezesseis anos de idade. Na vizinha Argentina, a maioridade penal é de dezesseis anos. O Brasil é o único país onde a maioridade penal é de dezoito anos, entre os chamados desenvolvidos ou emergentes. Na Alemanha, na China, na Itália, na Rússia e no Japão a maioridade penal é de quatorze anos. Na França, é de treze anos, no Canadá, é de doze anos, e nos Estados Unidos e na Inglaterra é de dez anos! Nos países onde existe a pena de morte, como a China, o infrator juvenil tem a mesma punição que o infrator adulto, podendo ser condenado à morte. Mas o que se pode esperar de um país que promulga leis, como a do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que, dentre outras aberrações, proíbe o menor de dezoito anos de trabalhar com carteira assinada?

Estamos na contramão do progresso e do desenvolvimento, discutindo temas polêmicos, como a liberação da maconha, o aborto, o homossexualismo, a adoção de crianças por casal gay, a união civil de pessoas do mesmo sexo, enquanto os verdadeiros problemas nacionais do saneamento básico, da saúde, da educação e da segurança, são engavetados e esquecidos. Olavo Bilac, nosso maior poeta parnasiano, tinha orgulho do céu, dos rios, das florestas e das  riquezas naturais do país onde nasceu. Hoje, não mais existe o ufanismo e o patriotismo. Nos meus tempos de colégio, os alunos cantavam, nas aulas de Canto Orfeônico, o Hino Nacional, o Hino da Bandeira, o Hino da Independência e até Marchas Militares, como a Canção do Exército. BRASIL, nome sagrado!

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