"À benção maestro Moacir Santos que não és um só, és tantos, tantos como o meu Brasil, de todos os santos"...

Com esse verso contido na música "Samba da Benção", a dupla Vinícius de Moraes e Baden Powell homenageou o instrumentista, arranjador, regente, compositor e professor pernambucano Moacir Santos, parceiro de tantas músicas e momentos vividos.

Nascido em Vila Bela - PE (26/7/1926), menos de quatro décadas após a abolição da escravatura, orfão aos 3 anos de idade, foi criado em Flores do Pajeú - PE, onde inicializou-se musicalmente com Mestre Paixão, da Brigada de Recife. Em 1940 fugiu de Flores do Pajeú incorporando-se a um circo. Depois saiu pelo nordeste afora até 1943, quando conseguiu um emprego na Rádio Clube de Recife.

O desembarque na cidade maravilhosa ocorreu em 1948. Nesse mesmo ano assina contrato com a Rádio Nacional, onde foi solista da Orquestra do Maestro Chiquinho, e algum tempo depois, maestro e arranjador permanecendo até 1967, quando decide fixar residência nos Estados Unidos. Também passou pela experiência de dirigir a orquestra da TV Record, em São Paulo, por dois anos. Em 1965 lançou o antológico LP "Coisas" e compôs trilhas sonoras para vários filmes.

Foi professor de nomes que ganharam fama através da Bossa Nova, como Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Mendes, Oscar Castro Neves, Baden Powell, Paulo Moura... Mas também foi bom aluno dedicando-se aos estudos e aprendendo com autoridades no assunto como Guerra Peixe, Cláudio Santoro e depois com os internacionais Ernest Krence e H.J. Koellreuter. Por tudo isso e muito mais é considerado o Patrono da Bossa Nova.

Sempre se sentiu honrado quando convidado para eventos no Brasil, como a abertura do I Free Jazz Festival que fez junto com o maestro Radamés Gnattali, no Rio de Janeiro.

Em 2001, graças ao empenho e à competência dos músicos Zé Nogueira (saxofonista) e Mário Adnet (violonista) e o apoio da Petrobrás, foi lançado, pela Universal, o CD Ouro Negro, apontado como um dos mais importantes discos da MPB, ganhando o prêmio especial da Associação Paulista de Críticos de Artes, e nos EUA foi incluido entre os melhores do ano. Outro disco, lançado em 2005, chama-se "Mário Adnet e Zé Nogueira apresentam Moacir Santos - choros e alegria", inteiramente dedicado ao trabalho do maestro.

O mais recente foi gravado dois meses antes de sua morte (06/08/2006), ocorrida em Pasadena, na Califórnia. Trata-se do CD "Muíza Adnet canta as canções de Moacir Santos", com direção de Mário Adnet e participação do próprio Moacir Santos e outros artistas como Milton Nascimento e Ivan Lins. Ainda nesse ano foi escolhido como o grande vencedor do Prêmio Shell de Música.

A exemplo do que aconteceu com o grande violonista Laurindo Almeida, que teve maior reconhecimento nos Estados Unidos do que em seu próprio país, o mesmo se aplica ao maestro Moacir Santos, que embora pouco conhecido do grande público, foi protagonista de momentos importantes da história da Música Brasileira.

Laura Macedo.


Agora curtam o vídeo : Moacir Santos e Banda Savana - "Maracatucutê".

 

 

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Comentário de Carlos em 28 agosto 2008 às 4:01
Que som, hein, Laura!! Maravilha!

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