O POVO PROTESTA CONTRA SEUS PRÓPRIOS INTERESSES

A saúde no Brasil é um caos, mesmo que antes ainda fosse pior e o principal problema é a falta de médicos nos postos de atendimento a quem não tem dinheiro suficiente para pagar uma consulta particular - pelos olhos da cara - e saúde necessária para se manter vivo numa fila que dura até meses.

Então o governo se propôs a trazer médicos de fora, inicialmente de Cuba e foi aquele rebú: “os de Cuba não servem”- diziam os interessados no assunto. Agora estão tentando buscá-los na Europa, onde sobram por conta da crise, justamente no primeiro mundo, em que se formam os filhos da classe privilegiada brasileira e persiste a dúvida cruel da incompetência profissional e, pelo menos dessa vez, os que fazem a saúde se preocupam com a qualidade do atendimento que poderá ser dispensado àquela galera que se amontoa na fila do PSF nas cidades do interior, onde a maioria não se interessa em prestar serviços.

Vejam só o tamanho da incoerência: enquanto abominam a educação no Brasil, responsável também pela formação dos médicos brasileiros, levantam suspeitas sobre a qualidade desses profissionais formados até na Europa. Naturalmente os erros médicos vão continuar acontecendo, já que todos, inclusive os daqui, são humanos e sujeitos à equívocos e falhas, de todas as espécies, como em outras profissões.

Certamente alguém dirá que o problema da saúde no Brasil não é só a falta de médicos, inexistem equipamentos, leitos hospitalares suficientes, remédios e até esparadrapo, com o que concordamos. Só que essas outras questões poderão ser resolvidas à curto e médio prazos, desde que os recursos destinados a saúde sejam melhor administrados, enquanto que um médico, peça principal no sistema, requer mais de cinco anos para se formar, se possuir uma pequena fortuna para pagar uma faculdade particular, ou capacidade de vencer uma concorrência de mais de cem candidatos por vaga no vestibular de uma universidade pública, onde novas unidades, uma vez implantadas, poderiam demorar uma década até liberar a primeira turma de formandos.

Portanto, os brasileiros que sofrem com a falta de médicos pelo interior desse imenso País e periferia das grandes cidades, deveriam se organizar e montar acampamento em frente ao Palácio do Planalto, como é costume fazerem na hora de exigir a posse sobre um pedaço de terras ou reivindicar melhores salários e outras vantagens, cobrando do governo que a contratação desses profissionais disponíveis em outros países para suprir a nossa demanda seja efetivada o mais breve possível, já que a solução para essa deficiência, no nosso modesto entendimento, não inclui nenhuma mágica.

Outra questão crucial é o custo da saúde nos municípios do interior brasileiro, em virtude da falta de médicos interessados em prestar serviços àquelas comunidades, elevando seus honorários a níveis que acabam inviabilizando o funcionamento do PSF nessas cidades e, provavelmente, o salário de um que não queira, seja suficiente para remunerar alguns que estejam à procura de trabalho, ou, mesmo que não obtivéssemos tanta economia, no mínimo a população seria assistida. Antes de ir às ruas em busca das imagens da TV, é recomendável analisar se o objetivo do movimento é bom para você.

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