O PSDB-MG e seu jeito deselegante de fazer política

A PF investiga Demóstenes Torres, imprensa acompanha as acusações, a OAB pede renúncia, o PSOL solicita investigação pelo conselho de ética... e o PSDB mineiro recomenda o suicídio.

 

No dia 05 desse mês, um membro do governo de Minas Gerais, o subsecretário da Juventude do Governo de Minas Gerais – que também ocupa o cargo de assessor de comunicação da Juventude do PSDB, o sr. Gabriel Azevedo enviou um recado nada amistoso ao senador Demóstenes Torres (DEM).

 

Demóstenes está sendo acusado de usar seu mandato para atender aos interesses do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira  - que em fevereiro foi preso pela Polícia Federal sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás.

 

O senador ainda não se pronunciou sobre as denúncias, e, em meio ao prosseguimento das investigações, OAB já cobrou do senador que ele renuncie, e o PSOL já solicitou a abertura de um processo para a investigação do parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

 

Enquanto isso, em Minas Gerais, quem se pronunciou por parte do PSDB – que governa o estado ininterruptamente desde 2003, com dois mandatos de Aécio Neves e com o atual mandato de Anastasia – foi o subsecretário da Juventude do Governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo.

 

Em seu twitter, ele recomendou nada menos que o suicídio ao senador:

 

Senador, dica de cavalheiro: a boa, velha e franca conversa com uma arma carregada num quarto solitário nunca saiu de moda

 

Instantes depois, apagou o comentário – motivado mais pela repercussão negativa do conselho do que pelo conteúdo, tanto é que usou de algum contorcionismo retórico para justificar a “dica” nos twitts seguintes:

 

“Sou desses que acredita na honra pessoal como um dos bens mais preciosos que um homem pode ter. Como conviver sem isso? Acho impossível.”

 

Em seguida, substituiu a recomendação do “suicídio” pela do “ostracismo”, e a estendeu aos suplentes do parlamentar:

 

“Solicite a renúncia conjunta de seus suplentes e permita ao povo goiano uma nova chance de representação”.

 

Que um cidadão indignado com os sucessivos e muitas vezes impunes casos de corrupção nesse país manifeste-se desejando a morte de um político acusado de corrupção é plenamente compreensível.

 

Responsabilidade diferente tem um subsecretário da Juventude e, mais, responsável pela comunicação da juventude do partido tucano em Minas. Um secretário do poder público sabe que quando o assunto é de interesse público, ele não fala por si, mas pelo conjunto de ideias que representa. Um secretário do poder público deveria saber, pois, que a incitação ao suicídio pode se configurar como crime, previsto no art.122 do Código Penal, na hipótese remota de o senador Demóstenes vir mesmo a acatar o conselho.

 

É digno de algum estranhamento o PSDB-MG sequer ter se preocupado em repudiar o infeliz comentário de seu secretário, afinal de contas, é sabido que PSDB e DEM são parceiros políticos de longa data, em alianças que se reeditam eleição após eleição. O que o subsecretário fez foi, em última instância, aconselhar que um companheiro de jornada de seu partido recorra ao suicídio “em nome do povo goiano”.

 

Diante disso, não podemos nos esquivar de um questionamento: estariam os tucanos interessados na conversa entre Demóstenes e uma arma, não em função da moralidade política brasileira, mas sim na queima de arquivo?

 

Os indícios de que a sujeira do caso Demóstenes já respingaram no PSDB-GO já vieram à tona: na última semana, a revista Istoé publicou uma extensa matéria revelando as estreitas ligações entre o esquema de Cachoeira e o governador Marconi Perillo (PSDB). Como se já não fosse suficiente, também na última semana o portal O Globo noticiou que a PF interceptou 70 ligações entre o deputado Carlos Alberto Leréia, também do PSDB-GO, e Carlinhos Cachoeira.

 

O PSDB não está, portanto, imune às recentes denúncias envolvendo o senador Demóstenes. Mas quanto a isso o subsecretário Gabriel Azevedo ainda não se manifestou. Melhor pra ele, porque se incitação ao suicídio pode se configurar como crime, o encorajamento ao suicídio de tucanos que já se banharam nas águas do Cachoeira talvez possa se enquadrar também como crime ambiental.

 

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