No início do século XX, apesar de já ser conhecido o bacilo da tuberculose (Robert Koch, 1882), a luta contra a tuberculose ainda era uma obsessão da comunidade científica.
Naquela época, as medidas de tratamento da doença à disposição dos médicos eram insatisfatórias. E a internação dos enfermos em sanatórios, geralmente localizados em regiões de clima tido como favorável para a cura da doença, era a mais popular delas.
O objetivo desses sanatórios era isolar os doentes, para quebrar a cadeia de transmissão da doença, enquanto lhes oferecia um ambiente de repouso, dieta, ar fresco e luz solar.
Nesse contexto, em 1930, o renomado engenheiro Karl Arnstein, que já havia projetado mais de cem modelos de dirigíveis, idealizou este imenso sanatório voador (na imagem) destinado ao tratamento dos pacientes tuberculosos.

A grande aeronave (um dirigível de 184 mil metros cúbicos) teria condições de permanecer no ar por semanas, voando acima das nuvens, para que os pacientes respirassem ar fresco e tomassem banhos de sol, medidas então indicadas para o tratamento da tuberculose. Nela, haveria tudo que um hospital costuma ter: quartos, salas de consulta, de esterilização, cozinha, refeitório etc. A mais, um pequeno avião para ir buscar suprimentos em terra, quando houvesse necessidade.
Essa idéia do engenheiro Arnstein, que hoje pode parecer estranha, foi considerada aplicável e avançada.
Somente em 1952, com o desenvolvimento da droga isoniazida, é que a tuberculose começou a ser uma doença curável na maioria dos casos.

Traduzido da nota "Una bestial nave volante como hospital para la tuberculosis (1930)", publicada em La Aldea Irreductible.

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Comentário de Ailton ferreira sales em 24 outubro 2010 às 13:21
Beleza Paulo.
Isso aconteceu quatro anos antes de eu nascer, hoje aos setenta e seis, eu nunca havia ouvido falar sobre esse "sanatório voador. A unica coisa que sabia a respeito dessa doença aqui no Brasil é que o tratamento era feito em Campos do Jordão. Tive inclusive um tio que se tratou lá e ficou completamente curado.

Muito interesante esse artigo, um pouco mais de conhecimento não fáz mal a ninguém.
Parabéns.

Abraços.
Comentário de Paulo Gurgel Carlos da Silva em 24 outubro 2010 às 17:17
Ailton.
O sanatório voador, como você leu, não passou de um projeto mirabolante. Não foi posto em prática.
Campos do Jordão, no auge da "era sanatorial", teve cerca de 16 hospitais dedicados ao tratamento da tuberculose. Uma estrada de ferro inclusive foi construída até essa cidade paulista, aonde afluía um grande número de tuberculosos do país.

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