O senSAXcional Leo Gandelman



Que ele é um músico extraordinário, todo mundo sabe. Saxofonista, produtor, compositor, arranjador, solista, o escambau. Para quem se interessar por informações sobre sua biografia, obra e agenda, elas estão disponíveis em seu site:


http://www.leogandelman.com.br/


Na verdade, vamos falar de outro assunto. Nos dias 3, 4 e 5 de março, Leo Gandelman se apresentou no Clube do Choro de Brasília com o Grupo Choro Livre, formado por Henrique Neto (7 cordas), Rafael dos Anjos (violão 6 cordas), Márcio Marinho (cavaquinho) e Tonho (pandeiro). O grupo completo conta ainda com o bandolim do Reco (quando os infinitos compromissos e responsabilidades do Clube e da Escola dão um refresco em sua agenda superlotada).


O Clube do Choro trabalha com projetos temáticos desde 1997. A cada ano um músico é escolhido como homenageado e os artistas convidados se apresentam na Casa interpretando os próprios trabalhos e alguma obra do homenageado. Em 2010 o projeto escolhido, Brasília 50 Anos - Capital do Choro, presta tributo ao cinqüentenário da Capital Federal e celebra a inauguração do Espaço Cultural do Choro – a sede nova que reunirá num mesmo complexo o Clube, a Escola de Choro Raphael Rabello e um Centro de Documentação e Memória – prevista para acontecer em abril. A proposta busca reunir os notáveis músicos locais com alguns dos maiores instrumentistas do país. O site do Clube do Choro assim explica o novo projeto: em 120 espetáculos ao longo de 10 meses, eles traçarão um painel retrospectivo e prospectivo do Choro, capaz de contar a sua história, reverenciando grandes nomes do passado, e ao mesmo tempo abrir novas perspectivas para o futuro de um gênero musical indestrutível, capaz de se reinventar permanentemente.


No ano do seu cinqüentenário, Brasília poderá assumir de fato a condição de capital cultural do país, valendo-se particularmente da identificação espontânea de seus habitantes com o Choro. Nada mais justo do que a cidade planejada, cuja construção representou o maior gesto de afirmação da capacidade de um povo, ser homenageada por gerar em seus espaços geométricos e monumentos de concreto uma música que, assim como ela própria, tem a pretensão de ser uma síntese generosa do Brasil e dos brasileiros.


A beleza do show de Leo Gandelman, para além de sua expertise como instrumentista, consistiu no esmero e generosidade com que escolheu o repertório e se preparou para apresentá-lo. Todos sabemos que o saxofone não faz parte da formação de base do Choro brasileiro. Os instrumentos típicos de um Regional são: violão 7 cordas, violão, flauta, bandolim, cavaquinho e pandeiro. Os artistas instrumentais, até porque carecem de palcos para apresentar seus trabalhos autorais, aproveitam a oportunidade oferecida pelo Clube do Choro para divulgar seus lançamentos, tocar antigos sucessos e, normalmente, dedicam uma, duas, no máximo três canções para o homenageado da vez (a depender do tempo, da agenda e da boa vontade de cada um). Uma parte considerável de músicos, inclusive, não é chorão e/ou tem estilo musical diferente dos patronos dos projetos.


Pois bem, o Leo Gandelman teve a delicadeza de selecionar um repertório totalmente afinado com o projeto em curso e pôde revelar mais uma vez a sua versatilidade como artista e intérprete ao transpor para o sax a riqueza do Choro e oferecer ao público uma leitura pessoal, didática e interessantíssima de algumas obras-primas do nosso cancioneiro. Foi uma noite em que a platéia foi presenteada com Zequinha de Abreu, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Cartola, Nelson Cavaquinho, Radamés Gnatalli, dentre outros. Uma apresentação em que pudemos ouvir Tico-tico no Fubá, Carinhoso, Gaúcho/Corta-Jaca, Brasileirinho, Noites Cariocas, As Rosas Não Falam, e mais algumas, num sax magistralmente tocado (haja fôlego!) e acompanhado com igual maestria pelos rapazes de Brasília. Em suma, foi um show deslumbrante, daqueles para ser lembrado pela vida afora como um momento encantado e especial.


A cabeça-de-vento aqui esqueceu a máquina fotográfica em casa e deixou de registrar esse encontro maravilhoso, mas a TV Senado e TV Brasil gravaram a primeira apresentação e transmitirão o programa para os interessados. Não percam!



Sobre o Clube do Choro :


http://www.clubedochoro.com.br



Extras com Leo Gandelman:



Sabe Você (Carlos Lira e Vinicius de Moraes) # Leny Andrade, Leo Gandelman (Sax); David Feldman (piano); Lula Galvão (guitarra e violão); André Vasconcellos (baixo); Allen Pontes (bateria) e Sidinho Moreira (percussão).


Futuros Amantes (Chico Buarque) # Chico Buarque Leo Gandelman e Grupo


Coração Vagabundo (Caetano Veloso) # Leila Pinheiro, Leo Gandelman e Grupo


Por Causa de Você (Dolores Duran e Tom Jobim) # Milton Nascimento, Leo Gandelman e Grupo


Solar (Leo Gandelman- Willian Magalhães) # Leo Gandelman e Grupo



As Rosas Não Falam (Cartola) # Leo Gandelman e Grupo



Lamentos (Pixinguinha e Vinicius de Moraes) # Leo Gandelman e Grupo

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Comentário de Laura Macedo em 28 março 2010 às 20:16
Cafu,
Você me mata de inveja, morando na "Capital do Choro". Para uma amante do "choro" como eu, só me resta chorar literalmente. Snif...snif...snif...

O Leo Gandelmen é fantástico. O show feito por ele no 'Artes de Março de 2008',contagiou a todos.


Cafu, assim como você eu também dei uma de "cabeça-de-vento", na última quarta-feira, esquecendo a máquina fotográfica em casa. Como cheguei cedo para o show do Beto Guedes e moro perto do Teresina Shopping, não pensei duas vezes, voltei, como diz o caboclo, na mesma pisada.
Parabéns no capricho dos posts. Cada um melhor que o outro. A nossa professora que se cuide kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Beijos.
Comentário de Cafu em 28 março 2010 às 20:50
ÔBA! Consertou a máquina e voltou com tudo.:)

Laurinha,
Vou ficar de castigo ajoelhada no milho até a inauguração do Espaço Cultural do Choro por conta desse esquecimento. :( A mesa era ótima, a companhia também, cerveja geladinha, o show maravilhoso, tudo perfeito, menos...Burra! Burra! Burra! Hahaha.
A sua foto tirada no Artes de Março me consolou bastante. Gracias.

"Para uma amante do "choro" como eu, só me resta chorar literalmente. Snif...snif...snif..." Nada disso, Dona Laurinha. Em vez de chorar, seque as lágrimas e se programe para visitar a Capital do Choro e conhecer a sede nova do templo sagrado da música instrumental brasileira. Material não faltará para as suas pesquisas. Nem lindos sons para os seus ouvidos.
Beijos.

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