O setor elétrico paulista ataca a cidadania

Nassif e amiga/os, dá pano prá manga a postura as companhias paulistas em relação aos cidadãos  e consumidores de energia.

 

Isso tem a ver com o modelo elétrico brasileiro, mas em São Paulo é o laboratório do diabo.

 

Confiram.

 

Gustavo Cherubine.

 

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,empresas-de-energia-usa...

 

Empresas de energia usam brecha para dar desconto menor a vítima de apagão

24 de agosto de 2011 | 0h 00

 

Fábio Mazzitelli - O Estado de S.Paulo

As empresas de energia paulistas não estão compensando como deveriam o consumidor quando falta luz. Segundo relatório da Arsesp, agência reguladora de energia do Estado, até um quarto das horas de "apagão" em 2010 foi descartado após as concessionárias classificarem as quedas de energia elétrica como "atípicas" ou "fortuitas". Dessa forma, eximem-se da responsabilidade sobre os casos.

A Arsesp considera que se abusa da norma de "expurgo", brecha legal prevista para casos excepcionais, como apagões causados por ciclones ou terremotos, "casos de força maior". A própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) admite o exagero. Um levantamento da Arsesp aponta que, em 2010, as cinco maiores distribuidoras paulistas descartaram de 19% a 28% das horas em que faltou luz no ano com base no expurgo, em vigor desde 2008. A Eletropaulo é a que mais aplica a exceção: das 14h45 que deixou, em média, o consumidor sem luz no ano passado, descartou mais de 4h, ficando com um índice de 10h36.

Sem controle. Mesmo com o expurgo de 28%, o valor total de compensações da empresa a consumidores em 2010 bateu os R$ 25 milhões. Assim, ao fazer um descarte desse porte, a Eletropaulo economiza milhões - o blecaute causa pequenos descontos na fatura do mês seguinte que, somados, representam montante elevado para a empresa. "As concessionárias estão abusando do expurgo. O uso está sendo inadequado e há distorção no indicador que mede a eficiência. Está fora do controle", afirma Aderbal de Arruda Penteado Júnior, diretor de regulação técnica e fiscalização dos serviços de energia da Arsesp.

O relatório da agência foi feito com base em uma auditoria dos dados informados pelas concessionárias, uma vez que todas só divulgam o índice fechado, já com o expurgo. "Não estou dizendo que há exagero ou má-fé, mas a leitura da concessionária está sendo feita com olhar diferente", diz Penteado.

Casos como o do ciclone extratropical que atingiu a capital neste ano e provocou chuva intensa, alagamentos e falta de luz em várias regiões são passíveis de expurgo, diz a Arsesp. Mas blecautes após a queda de um poste ou o contato de galhos de árvores com a fiação nunca deveriam ser descartados, o que vem ocorrendo. "O caso de um poste é previsível. Você pode dimensionar turmas para a ocorrência", diz Penteado. O secretário de Energia, José Anibal, quer o fim do expurgo. "Se tivéssemos uma qualidade do serviço satisfatória, ele poderia ser considerado. Mas não é o caso. A rede está muito envelhecida e as empresas não estão investindo o que deveriam."

 

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Aneel faz mea-culpa e promete rever norma

De acordo com a agência nacional, mesmo descartando alguns apagões, os índices das empresas têm piorado

24 de agosto de 2011 | 0h 00

 

Fábio Mazzitelli - O Estado de S.Paulo

A própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconhece que as distribuidoras de energia estão exagerando na aplicação da norma do expurgo, que permite driblar a obrigação de compensar os consumidores pela falta de luz, e fala em rever a regra. A ideia da Aneel é tornar o texto normativo mais objetivo, sem margem para interpretações diferentes e abrangentes.

Os "dias atípicos" e casos "fortuitos ou de força maior" que eximem as empresas de culpa pelos apagões não têm definição clara.

"Com certeza, há alguns aspectos da norma que não estão esclarecidos. Estamos fazendo isso agora e avaliando revê-los", afirma Nelson Hubner, diretor-geral da Aneel. "Ninguém que fez a norma falando de dia crítico pensava que alguém pudesse levar três, quatro, cinco dias para restabelecer a energia."

O tempo de duração de um blecaute compõe um indicador de qualidade, a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC), que serve para a Aneel medir o desempenho da concessionária. O uso exagerado da "regra do expurgo" tem dificultado essa medição. "Nos últimos anos, acho que as empresas de distribuição se descuidaram um pouco, principalmente nas questões de operação e manutenção", avalia Hubner.

São Paulo. Os blecautes da Eletropaulo são alvo de duas CPIs, uma na Câmara de São Paulo e outra na Assembleia Legislativa, e já foram criticados publicamente pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em junho, a empresa demorou dias para restabelecer a energia em regiões que sofreram blecautes.

O diretor de Operações da AES Eletropaulo, Sidney Simonaggio, interpreta que a norma em vigor permite descartar interrupções de energia ocasionadas por quedas de árvore e derrubada de poste em acidente de trânsito. Na visão da empresa, esses eventos não são passíveis de gerenciamento pela distribuidora.

"Quando você joga tudo dentro do indicador de qualidade, as acidentalidades, as intempéries, as forças maiores e os fatos fortuitos, como é que você está medindo o real desempenho da empresa?", diz Simonagggio.

Assim como a Eletropaulo, a Bandeirante, a Elektro, a CPFL Paulista e a CPFL Piratininga afirmaram que apenas cumprem a norma prevista pela Aneel. As cinco maiores distribuidoras de energia do Estado dizem ainda investir em manutenção e melhorias da rede elétrica e citam "condições climáticas" adversas para justificar eventual piora no indicador de qualidade.

O governo do Estado e especialistas no setor afirmam que as concessionárias precisam aumentar os investimentos na infraestrutura da rede elétrica. "A solução é investimento, não tem como fugir", diz Myracir Marcato, diretor do Instituto de Engenharia.

 

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''Vela só é romântico no Dia dos Namorados''

24 de agosto de 2011 | 0h 00

 

- O Estado de S.Paulo

 

Renato Rea, artista plástico e fotógrafo de 28 anos

''Sou freelancer, trabalho em casa e virou rotina ter o trabalho interrompido, ou mesmo perdê-lo, em razão de quedas de energia, cada vez mais frequentes no Itaim-Bibi. Às vezes, são interrupções rápidas, mas já passei mais de seis horas sem luz. Ficar à luz de velas só é romântico no Dia dos Namorados, pois cliente nenhum aceita você perder prazo por apagão em pleno século 21!

Os danos materiais também não são pequenos, pois tem aparelho que queima no blecaute. E nada adianta descontar da conta, pois uma coisa é ter energia e escolher não usá-la, outra é não tê-la à disposição. Isso fere a dignidade e vai contra princípios básicos da vida moderna e do serviço a que a concessionária se propõe. A impressão é de que o problema é empurrado com a barriga, sem fiscalização adequada.

Quando a gente reclama, a empresa põe a culpa em galho, chuva, vento. A promessa de aterrar os fios foi convenientemente esquecida, mas o problema maior me parece ser a falta de manutenção na rede e, principalmente, de investimentos que acompanhem o boom imobiliário - moro no Itaim há 28 anos e nesse tempo o bairro mudou bastante.''

 

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Comentário de saburo aita em 11 outubro 2011 às 2:56
Interessante o ponto de vista sobre Aneel esta fazendo uma vista grossa sobre as multas aplicado sobre blecautes sofridos pela paulistas, porém, nem as especialistas do Aneel não estão sabendos as anormalidades existente nos sistemas paulistas. Eu não sei porque não estão corrigindos estas, pela falta de conhecimento, os custos ou pela política de indenização ? ou até  politicamente  dizer que a falta de investimento ou da falta de manutenção etcs.  até o blecaute de 10/11/2009 poderia ser evitado.

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