Montezuma Cruz
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Josué, 4 anos, abre um sorriso de caboclo, na janela de sua casa de madeira, próxima ao encontro das águas dos rios Moa e Juruá, no município de Cruzeiro do Sul (AC). É um dos cinco netos do farinheiro Luiz Augusto da Silva, 51 anos.


Num dos tranqüilos quintais do antigo Seringal Harmonia, o menino parece não se importar nem um pouco com as altas e baixas das ações da Bolsa de Valores em São Paulo, ou com os jogos de futebol no Estádio Arena da Floresta, na capital acreana. Distante do mundo urbano, tampouco lhe interessa ainda, se em Rio Branco, a capital, todas as crianças têm escola ou freqüentam algum shopping center.


Josué está amarrado às suas raízes. Aprende ali mesmo, com a boa vontade dos avôs, dos pais e dos vizinhos, que também oferecem ao Acre uma esplêndida lição de vida: usam a farinha que produzem artesanalmente para promover a prática secular do escambo de mercadorias.


O dinheiro está à parte naquela curva de rios. Adultos e crianças sentem satisfação ao trocar bolos, pães ou simples tapiocas. No fundo, no fundo, esse menino é mais feliz que tantos outros moradores nas cidades do Acre e das Amazônias.

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