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O Sudão do Sul é agora a mais jovem nação do mundo.

Sudão do Sul se torna o mais novo país do mundo 


Atualizado em  8 de julho, 2011 - 18:52 (Brasília) 21:52 GMTMulher comemora nas ruas de Juba a independência do Sudão do Sul. AFP

O Sudão do Sul discute se cria uma nova cidade para ser a capital, que por ora é Juba

O Sudão do Sul se tornou oficialmente às 18h01 desta sexta-feira (hora de Brasília, 0h01 de sábado, hora local) o mais novo país do mundo, ao oficializar sua independência do restante do Sudão.

Nas ruas da capital do país, Juba, centenas de pessoas comemoraram a mudança logo após o horário oficial da separação do norte.

Segundo o enviado da BBC a Juba Will Ross, às vésperas do nascimento do país as rádios tocaram sem parar o hino nacional sul-sudanês, composto por estudantes locais.

Clique Clique aqui para ver um mapa do Sudão do Sul

O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.

Nesta sexta-feira, o governo do presidente sudanês, Omar Bashir, reconheceu formalmente a independência da parte sul de seu país. Ele estará em Juba, no sábado para a festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será recepcionado pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.

Apesar de possuir grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres.

Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e Ruanda somadas.

Crianças em Juba, no Sudão do Sul. Getty

Após comemorar a independência, o Sudão do Sul terá de resolver a questão da fonteira com o norte

Abyei e Kordofan

A independência está sendo celebrada sem que as fronteiras entre o sul e o norte já estejam completamente definidas. Um foco de tensão é o debate sobre quem ficará a região de Abyei, rica em petróleo.

Em maio, forças do Sudão do Norte entraram em Abyei. Os conflitos forçaram 170 mil pessoas a deixarem suas casas, para fugir da violência.

O acordo de 2005 previa um referendo para os moradores da área decidirem se ficariam com o norte ou o sul, mas por causa da tensão a votação ainda não ocorreu.

Antecipando-se a uma eventual retomada da guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, também em maio, o envio de uma missão de paz com 7 mil militares para a área, a maioria da Etiópia.

A separação também acendeu os ânimos na região de Kordofan do Sul, que está sob controle do governo de Cartum.

Povoada por minorias étnicas sem ligação com a população árabe do norte, a região quer se juntar ao novo país. Confrontos na região já provocaram o deslocamento de 60 mil moradores.

Petróleo, selos e capital

A questão do petróleo é uma das questões mais sensíveis na divisão do Sudão.

A maior parte das reservas fica no sul, mas quase toda a infraestrutura para refino e transporte fica no norte. Por enquanto, a receita é dividida meio a meio.

Além de discutir uma nova divisão nos lucros, o sul e o norte também têm de dividir a dívida pública do Sudão.

A nacionalidade dos sul-sudaneses que vivem no norte é outro problema. O governo de Cartum já revogou a cidadania destas pessoas, que agora migram em massa para a antiga terra natal, para se tornarem cidadãos do mais novo país do mundo.

Mas as delicadas questão envolvendo o norte não são os únicos problemas que o Sudão do Sul está tendo que enfrentar.

O país ainda discute, por exemplo, quem irá estampar as notas da futura nova moeda, o design dos selos e até qual será a capital – Juba ou uma nova cidade a ser construída, que pode até ter o formato de animais ou frutas africanas.

 

O nascimento do país também provocou mudanças na ONU, onde engenheiros discutem se incluem mais uma cadeira no já apertado plenário da Assembleia Geral, ou se o Sudão do Sul vai ocupar o espaço do Vaticano ou da Autoridade Palestina, que têm assento na sala, mas não são Estados-membros.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110709_sudaodosul_...

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.

O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.

 Brasil anuncia relações diplomáticas com o Sudão do Sul

Atualizado em  9 de julho, 2011 - 15:25 (Brasília) 18:25 GMTCerimônia de posse do presidente do Sudão do Sul (AP)

Presidente do Sudão do Sul tomou posse neste sábado, diante de Ban Ki-moon e Omar al-Bashir

O Brasil anunciou formalmente o estabelecimento de relações diplomáticas com o Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, que neste sábado se tornou independente do restante do Sudão.

Em comunicados divulgados neste sábado, o Itamaraty disse que "saúda a proclamação de independência", que se segue a um acordo de paz em 2005 e a um referendo popular, realizado no início deste ano, em que a maioria dos votantes decidiu pela separação entre norte e sul.

"O governo brasileiro reitera sua disposição em cooperar com a República do Sudão do Sul e de contribuir para seu desenvolvimento social e econômico sustentável", disse o Itamaraty.

"Ciente das questões ainda pendentes entre o novo país e a República do Sudão, o governo brasileiro manifesta confiança de que as partes possam superar suas diferenças por meio do entendimento e do diálogo e trabalhar de forma conjunta rumo à estabilidade e à prosperidade."

O novo país nasceu com festa neste sábado, e milhares de pessoas foram às ruas festejar a partir da meia-noite.

Desafios

Mas o Sudão do Sul enfrenta também duríssimos desafios: além de já ser uma das nações mais pobres do mundo, tem ainda de resolver pendências com a República do Sudão, como o traçado de fronteira e a divisão de lucros obtidos com a venda do petróleo.

Escaramuças na região da divisa norte-sul - que concentra muitos dos poços petrolíferos do país - têm sido comuns e ameaçam o processo de paz.

Os dois lados lutaram durante décadas, em guerras que deixaram estimados 1,5 milhão de mortos.

Na tarde deste sábado, milhares de sul-sudaneses assistiram à bandeira do novo país ser hasteada, na capital Juba.

Salva Kirr assinou a Constituição e tomou posse como o presidente do país, em cerimônia acompanhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pelo presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que felicitou seus “irmãos do sul pela independência”.

Outros países, como EUA e Grã-Bretanha, também anunciaram seu reconhecimento da soberania do Sudão do Sul.

O presidente americano, Barack Obama, disse em comunicado que "o mapa do mundo foi redesenhado", citou o "sangue derramado e as lágrimas choradas" no Sudão, mas também "as esperanças que foram cumpridas por tantos milhões de pessoas".

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110708_sudao_do_su...

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Comentário de Fernando Augusto Botelho - RJ em 9 julho 2011 às 22:47
Comentário de Fernando Augusto Botelho - RJ em 9 julho 2011 às 22:48
Comentário de Fernando Augusto Botelho - RJ em 9 julho 2011 às 22:49

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