Portal Luis Nassif

O Teatro de Revista e a Música Popular Brasileira

Reprodução do programa da revista Microlândia, representada em 1928 nos Teatros Fênix e Palácio, com sambas de Sinhô, entre os quais Jura, trisado todos os dias por Araci Cortes (Coleção Edigar de Alencar).



O TEATRO DE REVISTA E A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
por Cafu


Um dos objetivos de nossa página é resgatar para o presente a importância que o Teatro de Revista teve na constituição e difusão do que hoje chamamos Música Popular Brasileira.

Tudo começou nas últimas décadas do século XIX, quando temas e fatos da realidade política e social foram levados para os palcos e mesclados com músicas que buscavam proximidade e diálogo com ritmos e maneiras genuinamente brasileiros. Em curso, a formação e expansão de uma cultura de massas, a proliferação de questionamentos e demandas decorrentes dos modelos de desenvolvimento excludentes e subordinados ao capital externo e a busca de identidade pela via da descolonização. Afinal, quem somos nós - este tal de Brasil - e o que queremos ser? Era essa a reflexão subjacente.

No teatro, o cenário estava ocupado por companhias, peças e atores estrangeiros de matriz européia em sua maioria. A fundação em 1908 da Companhia Dramática de Teatro da Exposição Nacional por Arthur Azevedo e Lucília Peres foi uma tentativa pioneira de criar espaço para um repertório fundamentalmente brasileiro. O gênero revista-de-ano, por sua vez, assimilou componentes e características locais, mudou de cara e afastou-se dos modelos originais também europeus. O barateamento do ingresso - que o empresário Pascoal Segreto iria concretizar a partir de 1911, ao cobrar apenas 500 réis por um lugar na geral - criou possibilidades inéditas de ampliação do consumo de bens culturais. Por conseqüência, o teatro passou a incorporar públicos maiores, que não freqüentavam as casas de espetáculo até então.

“A revista em si popularizando o teatro, antes aberto apenas às classes de maior poder aquisitivo, já contribuíra para uma verdadeira revelação em matéria de diversão e de colocação de elemento nacional, em condições de uma melhor aceitação em termos de cultura.
É inegável esse papel do teatro de revista. A partir das tentativas de Artur Azevedo e Moreira Sampaio até às temporadas plenas do artigo nacional nas revistas do São José, vai um caminho de acelerada conquista, trazendo novas platéias ao teatro, gente que até o advento da revista, se mantinha afastada dos dramas, óperas e balés preferidos pela sociedade elitista.” ¹

Na música, as cançonetas, mazurcas e polcas boêmias (da Boêmia) foram, lentamente, dando lugar aos sons e sentimentos que fervilhavam nos subúrbios e morros cariocas: o choro, o lundu, o maxixe, o samba, as marchinhas carnavalescas.

Gradativamente, o rico filão da produção musical de caráter mais popular foi sendo percebido e explorado por maestros e compositores, a começar por aqueles já engajados no gênero, co-autores, com suas melodias, do trabalho realizado por escritores de peças teatrais. Foi o que aconteceu com o paulista Nicolino Milano, parceiro de Artur Azevedo em várias peças, como, por exemplo, A Capital Federal em 1987; foi assim com a Chiquinha Gonzaga, que compôs músicas para muitas revistas, a começar pelo tanguinho brasileiro Gaúcho - tremendo sucesso à época - encenado como número de dança “corta-jaca” na revista Zizinha Maxixe em 1897. Foi o caminho trilhado por Costa Junior, maestro, pianista, compositor inspirado e autor de muitas partituras revisteiras bem sucedidas.

“ O apelo do êxito era forte e logo todos os maestros regentes de orquestras de teatro, quase sempre os encarregados de musicar os textos entregues às empresas, completando-os num trabalho final com esses autores, puseram-se a adaptar os seus conhecimentos, a sua formação erudita a serviço da música popular mais próxima do povo.

Autores de peso e donos de repertório erudito e semi-erudito tornaram-se, assim, autores também de músiquinhas fáceis, de linha melódica singela, assobiável e feita expressamente para cair direto nos ouvidos do público. Foi o que fizeram Paulino Sacramento, Assis Pacheco, José Nunes, Luz Junior, Sofonias Dornelas, Júlio Cristobal, Domingos Roque, Bento Mossurunga, Sá Pereira, Bernardino Vivas, Roberto Soriano, e, depois, Antônio Lopes, Vicente Paiva, José Maria de Abreu, Morfeu Belluomini e outros que escreveram centenas e centenas de músicas, que “arranjaram melodias e orquestraram simples cortinas, vibrantes ouvertures, finais grandiosos e bailados elaborados, criando ainda, em momentos de inspiração solitária - e difícil - maxixes, sambas, foxes, as tais musiquinhas de ritmo fácil para atender à demanda e à necessidade de produzir sucessos de qualquer maneira.

Ainda outros viriam depois daqueles primeiros e antes dos últimos citados, uma geração intermediária, digamos assim, destinada a colher ensinamentos dos primeiros e legar rumos aos últimos, geração privilegiada por surgir num momento único: o do auge do teatro de revista e começo do domínio do disco e do rádio - pronta a observá-los - abrindo-lhes ambições e platéias que passaram a compreender todo o Brasil. Esses foram Freire Júnior, surgido para o meio artístico em 1917 e que se tornaria também um dos mais conhecidos revistógrafos do Brasil; José Francisco de Freitas, o Freitinhas (1918), Eduardo Souto (1920), Sinhô (1920), Henrique Vogeler (1925), Hekel Tavares, Sebastião Cirino, Pixinguinha e Lamartine Babo, todos incorporados ao teatro em 1926; Donga (1928), Ary Barroso (1928) e Augusto Vasseur (1930) - todos eles fazendo partir do teatro as músicas que iriam conquistar só depois o sucesso popular nas ruas, nos bailes, nos cabarés, nas vitrolas das casas de família.” ²

A parceria entre teatro popular e música foi tornando-se cada vez mais estreita, fecunda e consolidada. Era no teatro de revista que os nossos compositores populares encontravam mercado e meios de difusão para suas canções, principalmente quando se aproximava o carnaval e começava a temporada das chamadas “revistas carnavalescas”. No período que antecedia as folias de Momo, as marchinhas e os sambas subiam aos palcos, dentro do formato apropriado, cuidadosamente selecionados por diretores, em quadros escritos por encomenda para serem interpretados por artistas de reconhecido apelo popular. Nos outros meses do ano, as revistas lançavam músicas de sucesso ou, o contrário, músicas de sucesso batizavam revistas, inspiravam temas para peças, esquetes e espetáculos de variedades.

“Com o rádio mal ensaiando seus primeiros passos e o disco numa escala ainda reduzida, o teatro de revista subia de interesse, por ele escoando toda a grande produção da MPB do tempo, dele dependendo em grau maior a divulgação e a afirmação de sucessos. No teatro de revista encontravam-se também, todos os intérpretes de real expressão, desde Araci Cortes, Francisco Alves e Vicente Celestino, até os novatos Sílvio Caldas e Carmem Miranda.” ³

Araci Cortes, só para citar um exemplo, brilhou intensamente nos palcos dos teatros da Praça Tiradentes e dali irradiou sua luz para o Brasil e mais além, chegando a viajar em temporada para Lisboa e Paris. Seu inestimável valor como artista permanece em clássicos de nosso cancioneiro lançados por ela em revistas memoráveis:

Jura (Sinhô) - revista Microlândia (1928) e reprisada em Miss Brasil (1929).


Linda Flor (Henrique Vogeler - Marques Porto - Luiz Peixoto) - revista Miss Brasil (1929)


Quindins de Iaiá (Pedro de Sá Pereira- Cardoso de Menezes - Carlos Bittencourt) - revista Compra um Bonde (1929).


No Morro (Ary Barroso e Luís Iglésias) - lançada em 1930 na revista Diz Isso Cantando. A mesma música seria gravada por Carmem Miranda e Almirante em 1938 com o nome Boneca de Piche. Também conhecida por Eh! Eh!


Na Pavuna (Almirante - Homero Dornelas) - na revista Dá Nela (1930).


Na Grota Funda (J. Carlos - Ary Barroso) - revista É do Outro Mundo! (1930). Música que depois ganhou letra de Lamartine Babo e se transformou na imortal No Rancho Fundo. Esse imbróglio será contado em detalhes futuramente.

Mulato Bamba (Noel Rosa) - revista Angu de Caroço (1932). Interpretada por Araci e Silvio Caldas.

Linda Morena (Lamartine Babo) - composta para o carnaval de 1933 e incluída em seguida na revista Morango com Creme, apresentada em Lisboa com calorosa aceitação.

Na Batucada da Vida (Ary Barroso - Luiz Peixoto) - revista Há uma Forte Corrente (1934).


Yes, Nós Temos Banana (João de Barro - Alberto Ribeiro) - na revista de mesmo nome em 1938.

Mulata (João de Barro) - revista Não Adianta Chorar (1939).

Aquarela do Brasil (Ary Barroso) - revista Entra na Faixa (1939).

O Rouxinóis (Lamartine Babo) - revista Bom Mesmo é Mulher (1958).

É por essas e outras que temos o firme propósito de escarafunchar o baú do esquecimento para trazer à tona a luminosa conjunção que aproximou teatro e música na primeira metade do século passado e produziu frutos da maior qualidade e importância para a cultura brasileira. Já publicamos artigos sobre Araci Cortes, Chiquinha Gonzaga, Luiz Peixoto. Voltaremos ao assunto mais vezes, pois o que não falta é pano para manga e histórias para alinhavar. Ao longo do nosso caminho tem sonhos, invenções, cenários, estrelas, artistas talentosos, canções inesquecíveis, memórias preciosas e muita graça e diversão. Uma prazerosa e apaixonante viagem ao âmago do espírito carioca e da alma brasileira!





(¹) p. 98, (²) p. 102-3, (³) p. 122 in Ruiz, Roberto - Araci Cortes ; Linda Flor. FUNARTE/ INM/ Divisão de Música Popular, Rio de Janeiro, 1984.

de Alencar, Edigard - Nosso Sinhô do Samba - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1968.

Exibições: 3529

Comentário de Teatro de Revista em 1 agosto 2009 às 18:15
Cafu,
Matéria de craque. A história do nascimento de algumas canções conta uma parte da história do teatro de revista e sempre traz muita informação sobre como era a produção dos espetáculos.
No terceiro parágrafo você menciona algo importante: o barateamento dos ingressos. Paschoal Segreto, o empresário mais importante nas duas primeiras décadas do século 20 teve a idéia que foi seguida por outros. O que ele pretendeu, e conseguiu, foi concorrer com o cinema. O "cinemathografo" era uma novidade que atraía um público crescente e esvaziava as salas dos teatros. Segreto barateou os ingressos apresentando peças por sessão, exatamente como faziam os cinemas com os filmes. Eram três ou quatro funções por noite, a partir das 18, 19 horas. Para a coisa funcionar os escritores tiveram que dimuinuir a duração dos espetáculos que não podiam exceder uma hora e meia. As revistas ficaram mais enxutas e ganharam em dinamismo. A estragégia do esperto Segreto funcionou tanto que alguns cinemas adaptaram as salas para apresentar também espetáculos de variedade, comédias e revistas.
Quanto a "No Rancho Fundo" e à "traição" de Ary Barroso é preciso sempre lembrar que o direito autoral estava nascendo naquela época. O direito autoral aparece pela primeira num texto legal com o Código Civil de 1916. Um ano depois, com a fundação da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) é que que se começa a cuidar do tema. Os músicos não tinham ainda uma entidade própria.
Por outro lado, ao produzir um sucesso, o teatro de revista criava um fato consumado. A famosa "Lua Branca", de Chiquinha Gonzaga, por exemplo, foi alvo de plágio por um compositor chamado J. Otaviano. A composição original era "Siá Zeferina", composta para a burleta "Forrobodó". Chiquinha conseguiu resolver o problema, mas não alterou o título da canção que foi dado pelo plagiador, pois a música já tinha caído no gosto do público com outro nome. Cá entre nós, "Lua Branca" é um título muito mais bonito.
O próprio Ary Barroso confirmou num texto chamado "Minha Luta" o "imbroglio" que cercou o nascimento de "No Rancho Fundo", mas se exime de culpa. Ele conta a história assim:

"O primeiro aborrecimento sério que tive foi provocado pelo seguinte fato: Margarida Max cantava na revista "É do balacobaco" o samba "Na grota funda" com palavras do grande J. Carlos. Na estréia esteve presente Lamartine Babo. Ouviu a música e imediatamente fez outra letra, cantando no popularíssimo programa da radio da "Educadora" que era transmitido da "Casa do Disco", ali na rua Chile. "Na grota funda" morreu e nasceu "No rancho fundo". J. Carlos nunca me perdoou aquilo que ele chamou de "traição" da minha parte. Juro, até hoje, que só vim a saber da estória depois que a música já caíra na boca do povo com a letra de Lamartine."

Lembre-se a propósito que Ary foi um dos mais rigorosos e contundentes defensores do Direito Autoral desde aquela época. Além disso, o nascimento de um clássico nem sempre segue um caminho reto.
Não acho que a letra de J. Carlos seja tão má, considerando que foi escrita para o contexto de uma revista. Lamartine trabalhou com a melodia fora desse contexto, deu-lhe outra dimensão e o resultado foi muito superior.
Não achei gravações de "Na Grota Funda". Mas, para ilustrar a sua ótima matéria, vou postar agora mesmo "No Rancho Fundo", com Elisa Coelho em gravação de 1931. (*)
beijão
Henrique Marques Porto

(*) As ferramentas para postar aqui sumiram, então vou colocar lá lista de músicas.
Comentário de Cafu em 1 agosto 2009 às 22:18
Henrique,
Craque é o Roberto Ruiz! Eu só fiz ler o livro e resumir um pedacinho dele. Tem muuuuitas informações valiosas. Se esse post servir para despertar o interesse das pessoas para conhecer o livro, o teatro de revista e começar a se perguntar aonde foi parar o registro desse legado de canções, autores, peças e histórias não haverá recompensa maior.

Você sabe se o Roberto Ruiz ainda vive? Ele é filho da Pepa Ruiz? Ele menciona que morou numa das 3 casas que existiam dentro dos jardins do velho Teatro Recreio desde os 4 anos até quase a demolição do teatro em 1968. Sua família era gente de teatro, portanto. E ele além de médico e autor de peças, apaixonado por teatro, foi um excelente pesquisador.

A história do Rancho Fundo é bem complexa e precisamos de uma matéria só pra ela, apresentando todos os pontos de vistas diferentes e antagônicos. O relato do Ary Barroso diz uma coisa, o do Tinhorão outra, e o do Roberto Ruiz uma terceira.

Segundo você cita abaixo, para o Ary Barroso quem lançou Na Grota Funda foi Margarida Max na revista É do Balacobaco. Para o Tinhorão foi Silvio Caldas na revista É do Balacobaco "de 1931 a 1933" . Roberto Ruiz afirma que a canção na Grota Funda foi lançada pela Aracy Cortes na revista É do outro Mundo em 1930.. Para defender seu argumento ele diz que É do Balacobaco, de Victor Pujol e Marques Porto, só estrearia em 25 de junho de 1931 e É do Outro Mundo estreou em julho de 1930 com a Araci, um ano antes. (Henrique, se você tiver o programa desta revista poderemos checar os dados! Confere aí no seu arquivo.)

A gravação do disco pela Elisa Coelho, já na versão No Rancho Fundo, foi em 1931. Na Grota Funda não chegou a ser gravada, só foi cantada na revista.

O que deixou o J. Carlos com sentimento de ter sido traído, foi o Ary ter dado a música, da qual ele era parceiro, para o Lamartine Babo, sem combinar nada com ele, sem ele sequer saber disso. O que desgostou a Aracy foi ela não ter sido chamada para gravá-la, e sim a Elisa Coelho, já que fora a lançadora, na primeira versão, quando já era estrela famosa. Enfim, rolo pra todo lado. Vamos ver se a Helô encara destrinchar esse emaranhado e fazer um post com todos esses detalhes e versões. Vai render um belo caldo.

UFA! Consegui descobrir onde está a informação de que na Batucada da Vida foi lançada numa revista, Há uma Forte Corrente, de 1934. É na Musicografia de Araci, no final do livro Linda Flor. É a canção que não está na letra N e sim na B, mas foi um errinho de revisão, pois a lista está em ordem alfabética.Ainda bem que eu não sonhei, nem delirei, nem psicografei esta informação. Mas o livro Luiz Peixoto pelo Buraco da Fechadura do Lysias Enio e Luis Fernando Vieira não menciona essa revista. A música, claro, gravada em disco pela Carmem Miranda também em 1934.
Beijos.
Comentário de Cafu em 1 agosto 2009 às 23:07



Helô.
Gratíssima pela postagem das músicas. Juro, Juro, pelo Sinhô que um dia ainda aprendo a fazer isso. :)
Quer dizer que as tags estão maluquinhas? Eu pensei que o problema era comigo que não estava acertando colocá-las.
A cara-de-pau aqui informa que tem serviço extra nos posts da Luiza Nazareth. Eu tentei inserir o link e não acertei. Colei o endereço da barra do navegador. Vou precisar desta lição também.
Beijos agradecidos. Eu estaria "frita" sem a ajuda da editora-chefe!
Comentário de Teatro de Revista em 2 agosto 2009 às 16:18
Cafu,
Sim, o Roberto Ruiz é filho da Pepa Ruiz, que nasceu em 1859 e morreu em 1923. Portanto, se ele estiver vivo deve ser muito velho.
Tenho a leve suspeita de que as contradições entre os relatos sobre o nascimento de No Rancho Fundo são aparentes. Todos podem estar falando a mesma coisa com algumas trocas de nomes e datas. Tinhorão e Ruiz certamente não pesquisaram nas mesmas fontes. Já o depoimento de Ary Barroso pode ser considerado como fonte principal (ou primária). Afinal é autor da música e um dos protagonistas do episódio. Para fechar, fica faltando apenas a versão de Lamartine Babo.
Outra coisa que me intriga é que "É do outro mundo" e "É do balacobaco" são títulos que têm o mesmo sentido. A segunda, de 1931, pode ter sido uma remontagem com novos quadros escritos por Victor Pujol e Marques Porto. Na primeira, de J. Carlos, foi apresentada "Na Grota Funda", na segunda "No Rancho Fundo". Só mesmo consultando os originais dessas peças -se é que sobreviveram.
Sobre Jura, de Sinhô, existe uma preciosa crônica de Jotaefegê narrando a estréia do samba. O grande Jota estava na platéia, testemunhou tudo e contou. Aracy teve que bisar e trisar a música! Sinhô foi chamado ao palco e aclamado. Abraçado a Aracy cantou novamente o samba, em dueto acompanhado pelo coro do público. Foi provavelmente o sucesso mais imediato e festivo de toda a história da nossa música. O artigo do Jotaefegê está disponível na web, só não sei onde. Temos que tentar achá-lo para postar aqui.
Em http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/CMS/ccms06.htm há um interessante artigo de Fernando Antonio Mencarelli ("TEATRO MUSICADO, MÚSICA POPULAR E DIVERSÃO URBANA
NO RIO DE JANEIRO EM FINS DO SÉCULO XIX"). Li apenas uns trechos e gostei. Parece bem fundamentado. Vale a pena conferir.
beijão
Henrique Marques Porto
Comentário de Helô em 2 agosto 2009 às 20:52
Cafu
Difícil comentar depois do Henrique, haha. E ele tem toda razão quando diz que é matéria de craque. Impressionante a forma com que você abraçou o tema e já está virando doutora no assunto. Sobre as músicas, vou fazer um passo a passo pra você, mas Juro que não me importo nem um pouco em ter esse tipo de trabalho. Até gosto!
Andei pesquisando sobre as contradições de "No Rancho Fundo", mas nada encontrei de diferente que não esteja citado aqui. Minha esperança era encontrar algum texto nas nossas revistas de pesquisa: O Malho e Para Todos. Para minha frustração, o último número é de janeiro de 1930 :( Como disse o Henrique, acho que o depoimento do Ary pode ser mesmo a fonte principal.
Henrique
Sobre o sucesso de "Jura", ele é citado no site Cifrantiga. Veja aqui.
Cafu e Henrique
Quando vi a capa da partitura de "Jura", não pude resistir de colocar aqui um trecho do livro "Música Popular: Um Tema em Debate", do Tinhorão. Devido à preguiça de digitar, vai a imagem mesmo.
Beijos.

Comentário de Helô em 2 agosto 2009 às 20:57
Henrique!
Como você conseguiu? hahaha
Eu acabei de dizer que não consigo nada a partir de janeiro de 1930!
Pode ir contando o segredo :))))
Beijos.
Comentário de Helô em 2 agosto 2009 às 21:13
Já descobri, Henrique. :)
O revistinha difícil de se pesquisar essa Para Todos! Se você filtra a partir de 1930 ela só mostra os números de janeiro daquele ano.
Comentário de Teatro de Revista em 2 agosto 2009 às 21:59
Cafu,
Aí está É do Outro Mundo, de J. Carlos, em foto da Para Todos de julho de 1930. Aracy Côrtes no elenco, com Luiza Fonseca, Mesquitinha e Palitos. Belíssimos os cenários de J. Carlos.
Henrique Marques Porto

Comentário de Laura Macedo em 2 agosto 2009 às 23:01
Ufa!! Demorei, mas cheguei.
Como disse certa vez nossa grande amiga Helô, quando passamos mais de um dia sem bater o ponto na nossa página do Teatro de Revista, o trabalho é dobrado, hahahaha. E os comentários? Quem comenta primeiro acaba tirando as palavras da nossa boca :)))
Não posso deixar de concordar com você, Helô.
Nossa amiga Cafu está mesmo "expert" na nossa temática. Parabéns Cafuzinha!!
A verdade é que nosso tema é mesmo fascinante, empolgante... Acreditem, ele foi destaque ontem a noite quando saímos para jantar com minha amiga/esposo, de Fortaleza.
Henrique, a Revista da Música Popular, editada pelo Lúcio Rangel (1954-1956), tem vários artigos do Jota Efegê. Quando li seu comentário procurei em todos os números, mas infelizmente a referida crônica não consta. Teremos que apelar mesmo para a internet.

Cafu, para ilustrar seu post a foto do "CINEMATHOGRAFO Rio Branco", onde se podia ouvir música ao vivo durante as projeções dos filmes mudos e, como disse o Henrique, assistir comédias e até revistas.
Super beijo.

Comentário de Cafu em 3 agosto 2009 às 15:33
Laurinha, Helô e Henrique,
Menos. Fui conferir e hoje faz exatos 3 meses que postei o vídeo Linda Flor, com Elis e Sivuca, que tornou-se a sementinha do projeto que se transformou em página do Teatro de Revista graças às sacadas e talentos da Helô. O Henrique nos passou o vírus que lhe foi transmitido pelo Tio Agostinho, fomos todas acometidas dessa contagiosa influenza chamada “teatro de revista”, entramos pro grupo dos “casos novos” e de quebra nos tornamos sobrinhas do fascinante revistógrafo.
Onde eu quero chegar? Ninguém vira especialista com 3 meses de estudo! !!! Esse elogio me constrange, porque não corresponde aos fatos. Há três meses eu nem imaginava que tinha existido o teatro de revista, sabia vagamente que teve uma época que as vedetes bombaram no palco e nos cinemas e que políticos, como Getúlio Vargas, gostavam muito delas. E só! Especialistas são Mário Nunes, Roberto Ruiz, Savyano Cavalcanti de Paiva, Almirante, Edigar de Alencar, Sérgio Cabral, Tinhorão, Cravo Albin, Neyde Veneziano e tantos outros, que dedicaram a vida para conhecer e registrar a produção cultural do Brasil e lutar incansavelmente pela transmissão dessa história para as gerações seguintes.
Mas o bacana disso tudo é que conseguimos formar uma equipe muito homogênea e equilibrada: em capacidades, bagagem, entusiasmo, gosto pelos estudos, vontade de contribuir para que tesouros culturais do nosso país não se percam na desmemória . Essa é a nossa força e o nosso potencial! Somos equivalentes e ao mesmo tempo diferentes, o que permite a colaboração e a complementação. Enquanto um está lendo livro, outro está baixando música, outro pesquisando fotos, outro escrevendo um texto, outro olhando folhetos, revistas, sites etc.
Para dinamizar a realização do trabalho, e torná-lo leve e prazeroso, tem a amizade e a confiança uns nos outros para costurar tudo bonito. Eu boto a maior fé nesta estrada e tenho certeza que nosso tanquinho está cheio de gás para ir longe. É um projeto de longo prazo.
E por último, mas não menos importante, não podemos esquecer o Nassif e a Renata que nos disponibilizam as ferramentas e recursos para produzir, divulgar e armazenar as pesquisas em muito boas condições. Textos, imagens, fotos, vídeos, músicas, desenhos: tudo no mesmo espaço! Ualll ou seria Uol? Hahaha.
Tintim! Saúde! E beijos.

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2018   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço