O TEMEROSO BRUCKNER E A LEVEZA DE STRAUSS PELA OSB. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.


A Orquestra Sinfônica Brasileira apresentou no Rio de Janeiro e depois em São Paulo a Sinfonia número 3 em ré menor, WAB 103 - Sinfonia Wagner de Anton Bruckner. O compositor é um dos mais complexos e difíceis da música clássica, com fortes influências wagnerianas, muitos o chamam de Richard Wagner instrumental. A sinfonia tem diversas versões e revisões feitas pelo próprio compositor, o primeiro esboço foi apresentado a Richard Wagner por isso é chamada de Sinfonia Wagner.
A apresentação na Sala São Paulo começa com um detalhe que passa despercebido por quase todos os espectadores e regentes, o teto da sala é ajustável para a melhora da acústica. Minczuk conhece todos os detalhes da acústica e adaptou os painéis do teto à sonoridade da sinfonia. Daqui a mil anos, a regente titular da OSESP, Marin Alsop começa a se preocupar com isso.
A temeridade de executar as obras de Brukcner devido a sua complexidade faz muitas orquestras a deixarem de lado. A Orquestra Sinfônica Brasileira comandada por Roberto Minczuk não se intimidou com as armadilhas da obra e executou com bom nível a terceira de Bruckner. A obra não é a mais grandiosa do compositor, a partir da quarta sinfonia o seu trabalho ganha peso. A regência de Minczuk ressaltou todas as cores e vibrações intensas da música de Bruckner, seus andamentos se mostram rápidos e vibrantes com as referências a Richard Wagner presentes. O tema lento no adágio trouxe a dramaticidade inquietante e a polca ressalta a alegria da existência.
O programa contou na primeira parte com a obra Norwegian Wood -Suite de Jonny Greenwood. Obra recheada de drama com foco na tensão onde a música lenta ressalta sentimentos profundos que levam a uma tristeza profunda. A execução da OSB ressaltou todas as nuances da obra.
Depois de tanta neurose Richard Strauss aparece com sua Sinfonia para Oboé em Ré maior. O convidado para o solo foi Albrecht Mayer, o homem tem o pomposo título de primeiro oboé da Filarmônica de Berlim. Se não constasse o nome de Strauss no programa eu não acreditaria que a peça era dele. A música é leve e sutil e nada se parece com obras anteriores do compositor alemão. O solista tocou com fluidez os vários episódios intercalando as cenas musicais com harmonia. Dialogou com vários instrumentistas da orquestra com precisão e mostrou toda a modernidade da música de Strauss.
Ali Hasssan Ayache

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