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O terrorista da Camargo Corrêa e a destruição nas obras da hidrelétrica de Jirau

Por Nelson Townes/ Noticiaro.com) PORTO VELHO (RO)  – Há 9 meses e meio que Noticiaro.com temia que um terrorista criasse ou fomentasse situações extremas, ou um ato de sabotagem na usina ou no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, Rondônia, para forçar uma reação da Força Nacional – se a pressão popular contra as obras aumentasse em decorrência de impactos ambientais, do etnocídio dos povos da floresta ou falhas  do projeto. O que se temia aconteceu. Não foi vandalismo, rebelião ou manifestação. Foi ação terrorista. Aqui não acusaremos ninguém, pois não temos provas. Faremos uma exposição de fatos a serem investigados.

Em 29 de maio de 2010, um sábado, este repórter escreveu e Noticiaro.com publicou uma reportagem, com base em informações do jornalista Alan Alex (na época colunista do site Rondoniaovivo.com.br, hoje no site Tudorondonia.com) sobre a presença, no canteiro de obras de Jirau, de Gélio Fregapani, um agente secreto da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) que a construtora Camargo Correa havia recrutado para para espionar jornalistas e políticos que se opõem às obras da hidrelétrica de Jirau. Um agente com ligações com terroristas.

Ex-coronel do Exército, Gélio Fregapani, militante da extrema direita, foi chefe da ABIN no Estado de Roraima  e apontado pela Polícia Federal como orientador do terrorista Paulo César Quartiero, e seus pistoleiros, acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de atacar as aldeias dos índios da reserva da Raposa do Sol, a tiros e com bombas incendiárias, para tentar expulsá-los de suas terras cobiçadas por fazendeiros.

Os temores apresentados por Noticiaro.com, de que algum incidente extremo pudesse ocorrer no canteiro de obras da hidrelétrica, se concretizaram quatro dias após este site publicar um artigo da especialista em hidrelétricas e em mercado da energia, Telma Monteiro, informando que a usina de Jirau havia se tornado economicamente invável por erros cometidos pela própria Camargo Correa.

O artigo foi publicado no dia 11, uma sexta-feira. No final da tarde do dia 15, terça-feira, homens encapuzados iniciaram a destruição do canteiro de Jirau,  com incêndios de alojamentos, refeitório, escritórios, ônibus e automóveis, e saques e depredações que se estenderam estenderam até sexta-feira (18), causando medo na população de Porto Velho – a 100 quilômetros a nordeste, ao ponto de a Federação do Comércio aconselhar os comerciantes a fechar as lojas.

Não estamos suspeitando ou acusando o coronel Fregapani de nada e não sabemos se estava no canteiro de obras no dia da destruição. O fato é que o incidente no Jirau permite a Camargo Correa uma justificativa honrosa para alterar o cronograma e atrasar  geração de energia.

Fregapani seria o homem idoso que discutiu (ou provocou uma briga) com motoristas de ônibus, para ser agredido e causar a revolta de trabalhadores estressados e indignados com a Camargo Corrêa? Esse seria o comportamento de um agitador profissional, mas não sabemos o nome do velho agredido pelos motoristas dos ônibus.

Essa suposta briga foi o estopim do que a Camargo Correa e o governador Confúcio Moura chamam de “vandalismo”, alguns jornalistas definem como rebelião, outros como “conspiração” e o delegado da Polícia Civil de Rondônia, que prendeu 12 operários suspeitos chama de “manifestação”, e libertou 11. Ficou preso apenas um homem que tinha prisão decretada por outro motivo, em outro Estado.

O artigo que originou a ação terrorista, foi postado no dia 11 passadom 08h18 GMT -4,  com o título “Escândalo anunciado: Jirau está sem dinheiro para concluir as obras, e não tem clientes para a energia cara demais”. Esse artigo, que novamente publicamos nesta edição, diz que o consórcio Energia Sustentável e a construtora Camargo Correa alteraram o projeto original e mudaram a localização da hidrelétrica  9,2 quilômetros rio abaixo, alegando que isso resultaria numa economia de R$ 1 bilhão, quase 12% do investimento total e possibilitaria a entrega da energia antes da data prevista em contrato.  

O consórcio Energia Sustentável e a construtora Camargo Correa anunciavam que a alteração do projeto reduzia os impactos ambientais, reduzia o volume de escavações, reduzia os custos e faria antecipação da geração. Mas, deu tudo errado.

Os empreendedores mudaram o local da obra com licença ilegalmente concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Remováveis (Ibama) – pressionado pelo Governo Lula, e pela hoje presidente Dilma, que tinham muita pressa em iniciar as obras –, mas não fizeram adequação dos custos indiretos, dos preços dos equipamentos eletromecânicos.

Tinha tanta pressa que não consideraram a questão da linha de transmissão, não prevista no orçamento, que terá que levar a energia por 130 quilômetros até a subestação nas proximidades de Porto Velho, falhas de projeto, revisão da vazão no vertedouro e falta do detalhamento do custo global da obra.

Isso inviabilizou os ganhos de escala, planejados por Furnas e Odebrecht, com a construção das duas usinas – Santo Antônio e Jirau. O investimento total previsto para Jirau permaneceu próximo aos R$ 9 bilhões, mesmo depois que a ESBR anunciou, em 2008, as alterações no projeto.

Não só não houve a tal redução de R$ 1 bilhão como vai ser preciso um aditivo de R$ 900 milhões ao contrato para as obras civis, segundo as notícias do dia 10 passado. Atualmente o custo de Jirau atingiu os R$ 13 bilhões e o consórcio Energia Sustentável se queixa do aumento no volume das escavações no local onde afirmaram que seria menor.

Erro de cálculo ou estratégia para obter mais dinheiro do BNDES, nunca se saberá, já que não dá para aferir quanto já foi escavado ou qual era a previsão original. O consórcio ainda terá que resolver o problema da falta de clientes para absorver os 30% da produção a serem vendidos no mercado livre com preços em queda.

Mas, quem vai encarar os mais de R$ 130 Mwh que, nas contas do consórcio, viabilizariam o investimento? E a produção antecipada não vai poder ser distribuida em conseqüência do atraso nas linhas de transmissão... para ler o restante acesse www.noticiaRo.com

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