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O último texto (dinamite pura) de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, antes de ser prêso. E antes do próximo, em breve, espero.

O último texto (dinamite pura) de Julian Assange, WikiLeaks, antes de ser prêso. http://goo.gl/rNjhR
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O Editorial-Opinião a seguir foi publicado na Austrália, sua terra natal, aproximadamente ao mesmo tempo em que Julian Assange se entregava para sua detenção em Londres.

O jornalista é, enfim, estratégicamente impressionamente.

Vale ainda ressaltar alguns pontos:

1. No mínimo, e talvez tão somente por ser conterrâneo ou para tentar puxar a memória do sujeito, é bastante interessante - para não dizer provocativa - a referência feita por Julian Assange a Rupert Murdoch, visto este último ter se tornado o mais perfeito anti-herói, ícone antítese, antônimo exato, modelo reverso de tudo o que o primeiro defende, prega e vem fazendo.

Murdoch, ao comando do seu imensurável Império da Informação que vai da Fox (TV, cinema e muito mais), The Wall Street Journal, MySpace e inúmeras partes ou inteiros de empresas individuais e/ou conglomerados de mídia mundo afora, incluíndo sua participação na Sky e no canal Telecine no Brasil, se tornou um símbolo mundial do jornalismo de interesses ou massacre ao jornalismo, por outra perspectiva, o que lhe valeu o premiado documentário "OUTFOXED: Rupert Murdoch's War on Journalism".

2. Este humilde blogueiro já havia lido, visto ou assistido e/ou teve o cuidado de conferir cada uma das afirmações que Assange faz no seu texto, sendo todas absolutamente irrefutáveis. Quanto às ameaças eu as assiti a todas. Quanto às informações dos documentos, bem, estas foram os próprios diplomatas americanos que escreveram.

3. Quanto ao prometido, vem sendo cumprido. Ainda hoje, Julian Assange provavelmente já nos braços do "Morfeu das Prisões" se é que isso existe (mas certamente com a consciência tranquila), foi divulgado mais um "carregamento" de documentos, entre os quais cerca de duas dezenas com citações ao "Brazil", emitidos a partir do Consulado no Rio de Janeiro e em boa parte concernentes à Segurança Pública.

4. Antes do caso atual, Assange já havia assombrado o mundo com a divulgação de documentos sobre a atuação das forças da OTAN no Iraque e Afeganistão, o que revelou inimagináveis abominações mesmo para as mentes mais maquiavélicamente férteis e iniciou a relação de "amôr explícito" para com sua pessoa, por parte dos Departamentos de Estado e Defesa bem como das agências de inteligência, assemelhados e coligados tanto nos Estados Unidos como nos seus aliados, alinhados ou "sublinhados".

5. São posteriores a este período as acusações de abuso e estrupo supostamente praticados por ele na Suécia.

Vale, ainda, ressaltar que as palavras acima - exaustivamente usadas pelos nossos meios de comunicação - não correspondem em significado à realidade legal da maioria dos países não escadinavos.

O caso, enfim, se trata da manutenção de relações sexuais sem o uso de camisinha o que, na Suécia, pode ser enquadrado na Lei de Estupro. Este humilde blogueiro pretende obter informações mais esclarecedoras sobre a legal pendenga nada "legal".

Entretanto, isso não justificaria nada. Se ele se recusou a atender ao pedido das parceiras, se ele "forçou a barra", ou forçou algo mais, que pague por isso.

Mas... por isso.

E que se averigue com cautela se não houve nenhuma intenção de exploração reversa do fato e se, realmente, houve fato.

6. Em paralelo, se alega que não há precedentes na solicitação de cooperação e/ou emissão de mandado de busca internacional, envolvendo Interpol, neste tipo de casos.

Tanto que, ao contrário do que se faz parecer, Assange não foi "caçado e prêso" mas apenas negociou e se entregou.

7. Assusta, como já não deveria mais de tão comum, aberturas, chamadas, manchetes como a do Jornal Nacional na noite deste 07 de dezembro que proclamou: "o homem que divulgou uma lista de alvos estratégicos para o terrorismo é prêso na Inglaterra...". (como se o WikiLeaks fosse parceiro da Al Qaeda - ou do Governo dos Estados Unidos da América, ou Reino Unido, entre outros, o que parece dar no mesmo - e não do The Guardian, El País e meu!)

Foi uma das coisas mais absurdamente sensacionalistas e manipuladoras que já ouvi.

No "miolo" do JN, a matéria se conduziu até em tons razoáveis.

Contudo, não é preciso ser nenhum expert em Psicologia Comportamental, Manipulação da Informação, Goebbels ou "propaganda na Guerra Fria" para entendermos como funciona esse jogo de espelhos.

Neste caso de frontal afronta (redundância proposital ainda que insuficiente) ao jornalismo objetivado em esclarecer e não turvar os fatos (como Assange defende abaixo quando fala do seu "Jornalismo Científico"), basta apenas a superior sabedoria popular: a primeira e a última impressão são as que ficam.

A Rede Globo está aqui citada apenas por ter sido o exemplo que acabei de presenciar.

Fui conferir e, procurando mais sobre o assunto, encontrei a matéria escrita, para a Internet, num cantinho discreto provavelmente reservado aos fatos que estão abalando o mundo mas são protagonizados somente por "Big Brothers" de verdade.

Os textos se encontravam sob a rubrica "SITE POLÊMICO".

Que meigo!

É exatamente como o Julian Assange reporta abaixo: numa hora ele é um terrorista perigosíssimo ameaçando a vida de bilhões de pessoas para, no minuto seguinte, se tornar apenas o editor-chefe daquele "sitezinho" polêmico que publica aqueles vazamentos sem importância nenhuma.

É.
Acho que ele está na cadeia.
Mas tem um monte de gente, e já há algum tempo, começando a sentir-se sem a mínima noção de onde fica a saída.

Isso sem me furtar a esclarecer que o WikiLeaks do Julian Assange está divulgando mais de 250.000 documentos e em parceria com alguns dos mais prestigiosos jornais do planeta.

Em alguns documentos, há listas de áreas que a diplomacia americana considera estratégicas (de cabos de transmissão de dados a estações de trem).

Mas isso não que dizer absolutamente nada e serve para absolutamente coisa nenhuma, principalmente diante das monstruosas aberrações que estão vindo à tona dia após dia.

8. Entre elas, a última (pelo menos até cerca de 01 hora atrás, enquanto escrevo, porque é sempre possível que algo ainda pior já deva ter emergido dos esgotos do mundo), ou uma das últimas, está fazendo os representantes dos Estados Unidos fugirem dos jornalitas como J. Serra de bolinhas-de-papel (quando há cinegrafistas por perto, é claro) durante a Conferência do Clima que está acontecendo agora em Cancún, México.

O fato é que o Governo dos Estados Unidos da América foi muito além de negociar, pressionar ou até chantagear delegações para fazer valer seus interesses às vésperas e durante a Conferência anterior de Copenhague, onde o Brasil foi o único país a chegar com uma proposta pronta, arrojada, independente de negociações ou barganhas com segundos ou terceiros e metas claras que já estão sendo cumpridas.

E onde o Exmo. Sr. Presidente Luís Inácio Lula da Silva, com sua autoridade moral e o apoio do seu Chanceler d'Ouro, obrigou o trabalho noite adentro de vários Chefes-de-Estado (os mais importantes do mundo, diga-se de passagem) para ainda oferecer-lhes um desabrido pito geral pela manhã à Plenária da Conferência, visto que "ninguém parecia é querer acôrdo nenhum".

E não queriam mesmo.

É isso que alguns documentos diplomáticos dos EUA revelam nos vazamentos do WikiLeaks.

Enquanto Brasil, Bolívia, Noruega e muitos outros se arrebentavam de trabalhar e escarneciam por não chegar ao acordo, o "Governo da Solidariedade", defensor incansável da liberdade e da democracia, guardião da paz e do meio ambiente, defensor perpétuo (perdoe-me a blasfêmia Sua Majestade Meu Imperador D. Pedro I) do Planeta Terra, passava o rôdo na boa vontade alheia, subornando, oferecendo propina deletéria, corrompendo convictamente com dinheiro vivo os chefes-de-estado e representantes das delegações de países menores para que nenhum acôrdo passasse e os donos mundo pudessem continuar a dispor do seu mundo e matar nosso mundo sem maiores prejuízos imediatos.

Como sempre, arrogância e burrice, sinônimos inseparáveis.

E, como nunca, numa espécie de elegia abortiva,
dinheiro vivo abertamente dedicado à morte humana.
À minha morte.
À sua morte, caro leitor.
À morte de nossos filhos.

9. Contudo, o terrorista aqui é Julian Assange com sua arma de destruição em massa: o WikiLeaks.

Talvez esse seu "texto-bomba" abaixo lhe justifique, de alguma forma, a deferente alcunha.
E que seja o último antes de uma prisão sua.
Mas que seja o último tão somente antes do próximo.
Eu espero. E defenderei isso.

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"A Verdade Vencerá Sempre"
por Julian Assange

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OBS.: TRADUÇÃO LIVRE
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Em 1958, um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do "Adelaide's The News", escreveu:
"Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença".
Sua observação, talvez, refletia o empenho de seu pai Keith Murdoch em expor que as tropas australianas estavam sendo desnecessariamente sacrificadas por incompetentes comandantes britânicos às margens do Gallipoli. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao encerramento da campanha desastrosa de Gallipoli.
Quase um século mais tarde, também o WikiLeaks vem publicando sem medo os fatos que precisam ser tornados públicos.
Eu cresci em uma cidade do interior de Queensland, onde as pessoas falavam sem rodeios o que tinham em suas mentes. Eles desconfiavam do grande governo como algo que pode ser corrompido, se não monitorado cuidadosamente. Os dias cinzentos da corrupção no governo de Queensland antes do inquérito Fitzgerald são testemunho do que acontece quando os políticos amordaçam e a imprensa não reporta a verdade.
Essas coisas ficaram comigo.
O WikiLeaks foi criado em torno desses valores fundamentais.
A idéia, concebida na Austrália, foi a utilização das tecnologias de Internet em novas maneiras para comunicar a verdade.
O WikiLeaks cunhou um novo tipo de jornalismo:
O Jornalismo Científico.
Trabalhamos com outros meios de comunicação para levar até as pessoas a notícia, mas também para provar que a notícia publicada é verdade.
O Jornalismo Científico permite a leitura de uma notícia, seguida imediatamente de um simples clique levando diretamente ao(s) documento(s) original(is) e/ou fonte(s) que a basearam.
Dessa forma você pode julgar por si mesmo:
  • A história verdadeira?
  • Será que o relato do jornalista foi preciso?
As sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o WikiLeaks é parte dessa mídia.
A mídia ajuda a manter honestos os governos.
O WikiLeaks revelou algumas duras verdades sobre o Iraque e o Afeganistão, e histórias sobre a doentia corrupção corporativa.
As pessoas têm dito que eu sou contra a guerra. Pois que conste: eu não sou. Algumas vezes, as nações precisam ir à guerra, e existem guerras justas. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir para o seu povo sobre essas guerras para, em seguida, pedir a esses mesmos cidadãos que coloquem as suas vidas e o dinheiro de seus impostos na linha-de-fogo em nome daquelas mentiras. Se uma guerra for justificável, então, diga a verdade e as pessoas decidirão apoiá-lo ou não.
Se você já leu alguma das entradas sobre o Afeganistão ou a Guerra do Iraque, as mensagens diplomáticas dos EUA ou qualquer das histórias sobre as coisas que o WikiLeaks revelou, considere o quão importante é para todos os meios a capacidade de poder relatar essas coisas livremente.
O WikiLeaks não é o único editor das mensagens diplomáticas das embaixadas dos EUA.
Outros meios, incluindo o The Guardian (Grã-Bretanha), The New York Times (EUA), El Pais (Espanha), Der Spiegel (Alemanha), têm publicado as mesmas mensagens revisadas.
No entanto, vem sendo o WikiLeaks, como o coordenador dos outros grupos, quem tem apanhado dos ataques mais viciosos e ferozes e recebido todas as acusações do governo dos EUA e de seus coroinhas.
Tenho sido acusado de traição, mesmo sendo um australiano, e não um cidadão dos EUA.

Foram dezenas de telefonemas graves dos Estados Unidos da América para que eu seja "levado embora" por forças especiais dos EUA.

Sarah Palin diz que eu deveria ser "caçado como Osama bin Laden".

Um projeto-de-lei do Partido Republicano tramita no Senado dos Estados Unidos da América para que eu seja declarado uma "ameaça transnacional" e, em conformidade, eliminado.

Um assessor de gabinete do Primeiro-Ministro do Canadá tem clamado, na Televisão pública Nacional, pelo meu assassinato.

Um blogueiro americano pediu para que meu filho de 20 anos, aqui na Austrália, fosse seqüestrado e maltrado por nenhuma outra razão que não seja chegarem até mim.

E o povo australiano precisa estar atento para nossa desgraça e vergonha diante da sensibilidade de alcoviteiros como do Primeiro-Ministro Gillard (Austrália) e da Secretária de Estado dos EUA que não tiveram uma palavra sequer de crítica dirigida às outras organizações de mídia.
Isso porque o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são antigos e grandes, enquanto o WikiLeaks é ainda jovem e pequeno.
Nós somos os oprimidos.
O governo Gillard está tentando matar o mensageiro porque não quer a verdade da mensagem revelada, incluindo as informações sobre suas próprias negociações diplomáticas e políticas.
Houve qualquer resposta do governo australiano para as numerosas ameaças públicas de violência contra mim e outros profissionais da equipe WikiLeaks?
O mínimo que deveríamos esperar de um Primeiro-Ministro australiano seria defender seus cidadãos contra tais coisas, mas houve apenas alegações inteiramente infundadas de ilegalidade.
O Primeiro-Ministro e, especialmente, o Procurador-Geral têm o mandado e a obrigação de exercer as suas funções com dignidade e acima da brigas.
Restos assegurados,
esses dois apenas pensam em salvar suas peles.
Eles não salvarão!
Toda vez que o WikiLeaks publica a verdade sobre os abusos cometidos pelas agências dos EUA, os políticos australianos cantam um refrão comprovadamente falso em côro com o Departamento de Estado dos EUA:
"Você vai por vidas em risco!
E a Segurança Nacional?
Você vai colocar tropas em perigo!"
Imediatamente depois, logo em seguida, eles dizem que:
"...não há nada de importante
no que o WikiLeaks publica..."
É impossível coexistirem
ambas as "verdades".
Qual delas é "verdade" então?
Nenhuma!
O WikiLeaks tem uma história editorial de quatro anos.
Durante esse tempo, nós mudamos governos inteiros, mas nem uma única pessoa que se saiba foi prejudicada individualmente.
Enquanto isso, os EUA - com a conivência do governo australiano - assassinaram sozinhos milhares de pessoas somente nos últimos meses.
O Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, admitiu em uma carta ao seu Congresso que nenhuma fonte sensível de informação ou métodos foram comprometidos pela nossa divulgação dos documentos sobre a guerra no Afeganistão.
O Pentágono afirmou que não havia nenhuma evidência de que os relatórios do WikiLeaks tenham levado a que qualquer indivíduo tenha sido prejudicado no Afeganistão.
A OTAN, em Kabul, disse à CNN que não conseguiu encontrar uma única pessoa que precisasse de proteção.
O Departamento de Defesa da Austrália, disse a mesma coisa.
Nenhuma tropa ou fonte australiana foi ferida em decorrência de qualquer coisa que nós tenhamos publicado.
Mas as nossas publicações estão longe de ser desimportantes.
As mensagens diplomáticas dos EUA vêm revelar alguns fatos surpreendentes:
  • Os EUA pediram a seus diplomatas para roubar material humano e informações pessoais de funcionários da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo o DNA, impressões digitais, escaneamento de íris, números de cartões-de-crédito, senhas de internet e fotos de identificação, em violação de tratados internacionais. Presumivelmente, os diplomatas australianos na ONU devem fazer parte dos "alvos".
  • O rei Abdullah da Arábia Saudita pediu às autoridades dos EUA na Jordânia e Bahrein que o programa nuclear do Irã seja interrompido por "quaisquer meios disponíveis".
  • O inquérito na Grã-Bretanha sobre o Iraque foi "ajustado" para proteger "os interesses dos EUA".
  • A Suécia é um membro secreto da OTAN e sua cooperação com a Inteligência dos EUA é mantida "à parte" do Parlamento.
  • Os EUA estão jogando duro para conseguir que outros países "tomem conta" dos detidos libertados de Guantânamo. Barack Obama concordou em encontrar com o presidente esloveno somente se a Eslovênia "adotasse" um prisioneiro. Nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, recebeu oferta de milhões de dólares para aceitar detidos.
No seu acórdão proferido quanto ao caso "Papéis do Pentágono", a Suprema Corte dos Estados Unidos da América afirmou que "só uma imprensa livre e sem restrições pode efetivamente expor fraudes no governo".
A tempestade que hoje envolve o WikiLeaks reforça a necessidade de defender o direito de todos os meios em revelar a verdade.
Julian Assange é o editor-chefe do Wikileaks.
Veja Também:

> Julian Assange está prêso. Mas a verdade está solta.

Exibições: 41

Comentário de Joana Belarmino de Sousa em 8 dezembro 2010 às 11:08
excelente, grata pela publicação
Comentário de Levy Luiz Souza Santos em 8 dezembro 2010 às 12:59
Obama deve estar "no mato sem cachorro", mais perdido do que "cego em tiroteio". O Wikileaks coloca no mesmo patamar de igualdade, o terrorismo institucionalizado com apoio da Onu e cia e o terrorismo de Bin Laden, só a título de comparação. Qual a diferença? Um, mata em nome da paz, bem estar social e sonho americano, outro, tambem insano, mata em nome de Allah. Requerendo alcunha, um quer ser mocinho e o outro bandido, mas dá sempre no mesmo. Genocidio em nome da paz ou de Allah! Meios que não justificam os fins. Enxovalhado, tio sam, está em crise de identidade!
Grande abraço Guilherme,
Comentário de Fernando Augusto Botelho - RJ em 8 dezembro 2010 às 16:49
Concordo com a Joana: excelente, grato pela publicação

Um ponto de vista interessante do Leonardo Attuch abaixo:

A nudez do Império
O caso WikiLeaks apenas nos fez ver pelo buraco da fechadura o que já sabíamos

Nelson Jobim, nosso ministro da Defesa, é um tremendo fofoqueiro. Samuel Pinheiro Guimarães, o ideólogo da política externa brasileira, é antiamericano da unha do pé ao último fio de cabelo. Nossa vizinha Cristina Kirchner obedecia às ordens do marido, o falecido Nestor Kirchner. O russo Dimitri Medvedev é um ajudante de ordens do ex-chefão da KGB Vladimir Putin. Silvio Berlusconi aprecia mais as animadas festas da sua mansão na Sardenha do que o dia a dia do governo. Israel adoraria que os americanos disparassem bombas contra as instalações nucleares do Irã. O regime do Paquistão tem ligações com grupos terroristas. E Carla Bruni é uma isca, talvez uma Mata Hari moderna, utilizada pelo marido, Nicolas Sarkozy, em busca de negócios na América do Sul.

No fundo, nos 250 mil telegramas confidenciais já abertos pelo site WikiLeaks, há mais segredos de Polichinelo do que revelações bombásticas. De relevante mesmo, apenas a confirmação de que os Estados Unidos escondem armas nucleares em países como Bélgica, Holanda e Turquia. Se as comunicações entre embaixadores americanos e o Departamento de Estado se resumem ao que foi publicado, a surpresa é que esse exército de diplomatas só seja capaz de levantar informações rasas e insignificantes. A verdadeira novidade do caso WikiLeaks é a fragilidade do império. Não apenas tecnológica, pela falha nos sistemas de proteção às informações secretas, mas também intelectual. Chega a ser constrangedor que diplomatas americanos se refiram ao atual e ao ex-presidente da Rússia como “Batman e Robin”.
Tio Sam ficou nu, mas sua nudez

só revela o que já se sabia: como xerife global, os Estados Unidos tentam interferir em assuntos internos de outros países. A diferença é que, agora, se trata de um império em decadência, acossado pela maior crise econômica em 80 anos. Na mesma semana em que o WikiLeaks desvelou os segredos da diplomacia americana, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, abriu os números da ajuda federal. Foram nada menos que 21 mil empréstimos, que despejaram trilhões não apenas nos grandes bancos dos Estados Unidos, mas também em empresas como GE, Caterpillar e McDonald’s.

Frágeis no front internacional e também na economia, os Estados Unidos ainda poderiam se vender ao mundo como um “império moral”, a terra da liberdade e da imprensa livre. Mas erraram mais uma vez ao abater o site WikiLeaks, que chegou a ser retirado do ar pelos servidores da Amazon.com. Seu fundador, o australiano Julian Assange, entrou na lista dos homens mais procurados pela Interpol. Pura bobagem. Seu único crime sexual foi nos transformar em voyeurs de cenas banais. Detalhe: o site, agora hospedado na Europa, já voltou a funcionar.

http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/3_LEONARDO+ATTUCH

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