O VOTO OBRIGATÓRIO

Ele está ai há tanto tempo que a gente até se acostumou.

Poucos reclamam  e quase ninguém se dá conta do malefício que causa á própria democracia.

O voto é um direito do cidadão, então,porque é obrigatório?Onde já se viu uma pessoa ser obrigada a  gozar de um direito adquirido?Não parece uma cruel contradição. Fruto de um paternalismo fora de moda,o governo nos trata como incapazes,cidadãos de segunda classe,indivíduos que  precisam ser teleguiados,irresponsáveis que ,por não saber cumprir seus deveres de cidadãos ,têm que ser severamente ameaçados e punidos.

Você, meu caro leitor ,nunca reparou neste desrespeito á sua cidadania?Nunca pensou que é tratado como um presidiário, que teve seus direitos cassados por crime?

Você é um cidadão de bem,paga religiosamente seus impostos,cumpre as leis ,conduz com segurança sua família,comparece ao trabalho,abre uma empresa para gerar riqueza e favorecer empregos,mas,se não votar,não pode tirar documentos,como o passaporte e carteira de  identidade,por exemplo,não pode prestar concurso público,não pode abrir conta em banco  porque estará com seu CPF comprometido,nem pegar empréstimos,nem cursar faculdades públicas, receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou paraestatal, bem como de fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição,  renovar matrícula em estabelecimentos de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo,obter empréstimos em estabelecimentos de crédito mantidos pelo governo, em autarquias, sociedade de economia mista, caixas econômicas federais ou estaduais, nos institutos e nas caixas de previdência social participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos estados, dos territórios, do Distrito Federal ou dos municípios, ou das respectivas autarquias praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou do imposto de renda,obter certidão de quitação eleitoral,obter qualquer documento perante repartições diplomáticas a que estiver subordinado (art. 7º, § 1º, do Código Eleitoral),além de pagar uma multa que varia de $1.06 a $3.51.

É mole ou quer mais?

O voto obrigatório,instituído pela Constituição de 1946,para mim,não passa de um voto de cabresto,uma indignidade que coloca o cidadão no mesmo patamar dos incapazes,como eram antigamente os índios e as mulheres.

Ninguém está satisfeito – nem poderia estar, a não ser os anacéfalos –como se viu pela quantidade de votos nulos ou inválidos detectados nesta última eleição.E, tem mais,o eleitor votante apenas sufraga os candidatos a cargos importantes como presidente, governador ou prefeito.

Em dezembro completarei 70 anos.E, estarei liberta desta escravidão que é o voto obrigatório.Sairei para votar? Sim,mas,com prazer,consciente do que quero,nos escolhidos com muita pesquisa e responsabilidade;não precisarei fazer como agora,ir lá,por livre e espontânea pressão,apenas para anular todos os votos e carimbar meu título.

 

Porque,nós,o povo,o verdadeiro dono do poder,não fazemos uma campanha contra essa indecência que é o voto de cabresto?

Fizemos para instaurar a Lei da Ficha Limpa e deu certo.

Nesta estatística que lhes passo,vocês verão que o Brasil é um dos poucos países importantes que mantêm  esse tipo de votação.

Vamos mudar isto?

   Segundo a CIA estabelecem o voto compulsório, nada menos do que 13 estão na América Latina (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai) e outros 7 são também países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (República Democrática do Congo, Egito, Grécia, Líbano, Líbia, Nauru e Tailandia), e apenas 4 são desenvolvidos, sendo dois cidades-estados (Bélgica, Austrália, Luxemburgo e Singapura).

 

 

 

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Comentário de Miriam de Sales Oliveira em 11 outubro 2012 às 16:16

Uma atitude sensata ,Cristovam.Eu apareço p/ lá,mas,n/ voto.

Sds

Comentário de Ester Zanini em 17 dezembro 2012 às 1:01
´Miriam, educar os filhos é um direito e também uma obrigação. Não há nenhuma contradição nisto. Acho que num furturo não muito próximo o voto poderia não ser obrigatório, mas hoje, isso poderia ter consequências nefastas. Além de afastar ainda mais as pessoas da reflexão sobre a política, poderia fazer por exemplo que fazendeiros, por exemplo, dificultassem o acesso dos mais pobres aos locais de votação. Hoje há interesse das classes dominantes em criminalizar a política, como se a corrupção fosse algo exclusive dos políticos e não da sociedade como um todo, inclusive da mídia, do judiciário, do empresariado, etc. No político, eu voto, eu escolho. O problema é que eu não voto para jornalista, para juiz, etc. Hoje eles mentem, enganam, acusam sem provas...

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