OBAMA: Glória e Honra de sua missão civilizatória PÓS-RACIAL

22/01/2009 - 20:48 Enviado por: José Roberto Militão

Escrevo inspirado em artigo do prof. MÉRCIO P. GOMES, da UFF (blog ´merciogomes.Blogspot.com` em 20.01.09) pela lucidez do texto "OBAMA: glória e honra" a que acrescento a esperança da missão PÓS-RACIAL.

De fato o grande desafio de OBAMA, não será a recuperação econômica dos EUA, o que deverá fazer de qualquer forma, mas alterar a grande mácula da história americana que foi negligenciar o respeito à igualdade humana e apagar a crença racial. O que já indicava em seu livro ´A Audácia da Esperança´, escrito em 2004, será des-racializar a sociedade norte-americana, em que, pretos e brancos, ambos, vítimas da história institucional das políticas estatais em bases raciais, piamente acreditam em ´raças´ diferentes. Em seu livro ele prometia: é inaceitável um Estado com políticas baseada em raças.

Neste ponto é que fundamento a oposição a políticas raciais estatais em curso no Brasil, pois, se ampliadas e aceitas pelo Estado na ordem jurídica, a ´raça´ jurídica como critério para a concessão ou a exclusão de direitos produzirá o aprofundamento da crença racial (que temos) e por decorrência, do racismo pela origem racial (que não temos), mesmo que ele não se manifeste pela violência da Ku Klus Kan nos EUA continua manifesto e agindo, profundamente, no comportamento e desarmonia social tão evidente.

Por essa razão que é inaceitável no Brasil, mais ainda que nos EUA, o acolhimento de leis que outorgue ou sonegue direitos em bases raciais. Os racialistas argumentam que preferem o racismo ´explícito´ nos EUA do que as nossas discriminações sutis e envergonhadas. É um equívoco, conforme passo a deduzir.

No Brasil, ensinou ORACY NOGUEIRA (Tanto Preto Quanto Branco, USP, 1953) as discriminações são por preconceitos de cor (marca) e não retiram a humanidade das vítimas, afinal, os humanos têm cores da melanina: preta, parda, branca, amarela e isso é humano. Essas discriminações injustas merecem ser tratadas por uma terapia em que se vá destruindo os preconceitos (causas) e as discriminações (efeitos). Isso se faz com Ações Afirmativas que neutralizam discriminações e fazem, ao mesmo tempo, a promoção da DIVERSIDADE HUMANA.

O racismo nos EUA consistia e ainda consiste na negação de direitos ou em direitos separados, inclusive por agentes estatais, em razão da origem do sangue (raça) e, é esse racismo, o que viola a dignidade humana. Pois o pertencimento a ´raça´ africana significa o pertencimento a uma ´raça inferior´ que não desfruta de todos os direitos humanos.

Dois exemplos estatais da diferença de tratamento: no século XVIII a Suprema Corte nos EUA declarou inconstitucional uma lei aprovada no Congresso que libertava escravos que fossem desbravar a região Oeste, sob o fundamento de que os pretos não eram cidadãos, e que por isso, não integravam o povo norte-americano. Em 1.857, um escravo de nome Dred Scott ingressou com uma ação na Justiça alegando que, por ter vivido e trabalhado em território onde era proibida a escravidão, tinha adquirido o direito à liberdade. A idéia era simples: uma vez livre, sempre livre, mesmo que retornasse ao seu Estado de origem, em que a escravidão era aceita.

O caso foi levado à Suprema Corte norte-americana que não aceitou os argumentos de Scott. Na decisão, proferida em 1857, ficou decidido: " que os negros, mesmo os livres ou libertos, não eram e não podiam tornar-se cidadãos dos Estados Unidos segundo a Constituição, fato que os impediria de serem partes em processos judiciais."

Na mesma época, no Brasil, durante a guerra do Paraguai, os senhores para livrar seus filhos da guerra, podiam alforriar escravos para servirem na como cidadãos brasileiros: foram eles os ´Voluntários da Pátria´. Milhares foram ´bala de canhão´ mas outros milhares retornaram, heróis e condecorados, eram brasileiros livres, desfrutavam da inteira cidadania e passaram a integrar o movimento abolicionista engrossando as Irmandades de Homens de Cor e Homens Pretos. Também durante a escravidão, os pretos alforriados eram cidadãos comuns como qualquer branco. A nossa V. OAB - Ordem dos Advogados do Brasil reverencia como seu fundador ao afro-brasileiro Francisco Gê Acaiaba de Montezuma – Francisco Gomes Brandão, por batismo –, herói na luta pelo abolicionismo, fundador e primeiro presidente do Instituto dos Advogados do Brasil. Morreu em 1870, aos 76 anos, no Rio de Janeiro o Senador e Conselheiro de Estado `Visconde de Jequitinhonha` advogado distinto e parlamentar ardoroso, bem como autor de várias obras. Consultando os registros do Senado Federal, constata-se que Francisco Gê Acaiaba de Montezuma foi Advogado, Servidor Público, Jornalista, Diplomata e Magistrado, exercendo cargos importantes no Governo brasileiro. Foi Embaixador em Londres, Conselheiro de Estado, Presidente do Banco do Brasil, Ministro da Justiça e Ministro dos Estrangeiros.

Como se vê, a despeito das discriminações o Estado não considerava a ´raça´ para reconhecimento da cidadania. Por essa razão que reitero, ad nauseam, que leis raciais, políticas públicas raciais e cotas raciais são remédios inadequados para um mal inexistente no Brasil: a raça para nós, brancos e pretos, não tem valor nenhum e jamais foi política estatal. Isso, portanto, faz parte da nossa cultura. A nossa doença são preconceitos pela cor.


- O RACIALISMO É PREJUDICIAL aos AFRO-DESCENDENTES:


A crença racial é uma violência à dignidade humana, pois ela sonega a inteira humanidade de quem pertence à `raça inferior´ uma vez que o conceito de raças diferentes exige também uma ´hierarquia´ racial, com uma superior e as demais inferiores, sendo os pretos a base inferior, pois foi assim que o conceito racial foi construído a partir do século XVIII e amplamente utilizado nos EUA através das leis de segregação racial até os anos 1.960 (Civil Rights Act, 1964). A estratégia do racismo ao dividir a humanidade em ´raças´foi sonegar aos pretos e aos nativos - as ´raças inferiores´ a inteira humanidade. MALCON X, ao ser executado por radicais pretos, havia recém criado uma frase extraordinária: "Lutamos para a conquista de direitos humanos. Não queremos a separação nem a integração, lutamos pela nossa humanidade."


Com isso, é que deduzo que essa idéia da ´hierarquia´ racial é a grande responsável pelo niilismo e iniqüidade que se abate sobre as crianças, jovens e adolescentes afro-americanos. Ou seja, neste mundo moderno e cibernético em que os pais estão ausentes senão em famílias desintegradas, o jovem afro-americano, em formação, sucumbe diante da afirmação social do pertencimento compulsório a uma ´raça´ e que essa ´raça´ é a inferior (implícito no conceito racial).

MIRIAM LEITÃO (no blog globo.com, de 27.12), conhecida defensora de leis e cotas raciais, noticia com fonte respeitável de um ativista afro-americano de esquerda, que, atualmente, 1 em cada 3 jovens afro-americanos está sob custódia da justiça criminal. É um número absurdo. 33% dos jovens, significam quase que a perda da metade de cada geração.

Essa triste realidade não é novidade. É denúncia antiga por dois importantes intelectuais afro-americanos que os intelectuais racialistas afro-brasileiros deixaram de citar: THOMAS SOWELL fazia essa denúncia nos anos 1990 e Dr. CORNELL WEST as retomou em 2004 quando 1 milhão e 200 mil presidiários ou 60% dos internos eram afro-americanos. Li semana pp, de outra fonte, que embora 12% da população, 70% de gravidez não desejada de adolescentes são meninas afro-americanas.

Qual a explicação lógica disso para quem não crê na índole ´natural´ de uma ´raça´? Deduzo que as crianças afro-americanos têm, desde cedo, sua dignidade violada pela sociedade através da obrigatória crença em ´raças´ que sobrevive nos EUA, alterando sua auto-estima. LUTHER KING dizia que a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade. Essa é a prova concreta.

Em suma, a sociedade racialista nos EUA, agora com a contribuição de brancos e pretos, continua oprimindo os afro-americanos, sem a estupidez da KKK, porém, com a simples conservação de critérios raciais no dia a dia: as maiores vítimas são, como visto, as crianças, jovens e adolescentes.

Imagino meu filho, com 6 anos, alfabetizado e digitalizado, questionando a si mesmo, o seu pertencimento a uma ´raça´ conforme ensinam nos EUA os pais, irmãos, avós, amigos e professores, e, na plenitude de sua inteligência, perceber que essa ´raça´, segundo o conceito que a sustenta, é uma ´raça inferior´... A meu filho ensino que não há raças, apenas a espécie humana com ou sem a melanina, conforme meus ensinaram meus bis-avós: eram ´homens e mulheres de cor´.

É essa, creio, unicamente, a razão para o niilismo que assola a juventude afro-americanos e que OBAMA já bem o sabe e fez referência em alguns de seus discursos, especialmente, quando se referiu aos compromissos com os ativistas mais radicais afro-americanos: ele desejou, ele fez sua campanha e pediu o apoio do povo americano - pretos e brancos - jamais pela cor de sua pele, nem por sua origem racial, mas pelo valor de seu caráter, o sofisma que reiterou com fonte no Doutor LUTHER KING JR.

A glória do Dr. OBAMA será iniciar a destruição dessa crença ´racial´ nos EUA, o que levará séculos, mas que também servirá a toda a humanidade, será sem dúvida o grande desafio para a honra que a história reservará à inteligência, carisma e ao discurso POS-RACIAL do Presidente OBAMA.

Concluo com palavras do prof. MÉRCIO: “Sua glória será a redenção da cultura americana, sua renovação, seu nascer de novo, para se purgar do seu pecado maior: a herança da escravidão e o apartheid real que existe naquela sociedade. Esse apartheid, que não é mais legal nem aceitável moralmente, é real pelo cotidiano em que negros e brancos vivem, cada um no seu canto, temerosos um do outro, neurastênicos em sua sociabilidade e convivência, incapazes de sentir amor um para o outro. Intolerantes no mais fundo de suas almas.” (BARACK OBAMA, Honra e Glória; MÉRCIO P.GOMES, antropólogo, UFF, no blog ´merciogomes. Blogspot.com` em 20.01.09)

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Comentário de Antonio em 23 janeiro 2009 às 10:16
Prezado Militão

Só para iniciar - se não existem "raças", igualmente não existe o pós. Ou seria pós nada?

1. [...] nos EUA continua manifesto e agindo, profundamente, no comportamento e desarmonia social tão evidente.[..].
Falar em desarmonia social nos EUA, pressupõe dizer que no Brasil tenhamos uma harmonia/isonomia social/econômica - inexistente nos Estados Unidos. Ou será que o Bolsa Família [na verdade esmola família] é a forma mais digna e avançada de um país civilizado fazer distribuição de renda. Se, por outro lado, essa harmonia social é étnica, como criticar um país [EUA] onde o negro, nos últimos 50 anos, tem encontrado seu espaço social/político/econômico/cultural e onde, sobretudo, temos uma família [ao contrário do Brasil] de negros na presidência/Casa Branca da - ainda - racista América do Norte?

2. [..]Por essa razão que é inaceitável no Brasil, mais ainda que nos EUA, o acolhimento de leis que outorgue ou sonegue direitos em bases raciais. Os racialistas argumentam que preferem o racismo ´explícito´ nos EUA do que as nossas discriminações sutis e envergonhadas. É um equívoco, conforme passo a deduzir.[..]
Militão - insisto: "raças" são construções ideológicas e sociais e, nesse sentido, é, sim, legitimo falar em racismo e "raças". No Brasil e alhures. Ademais, o acolhimento, na verdade, eu diria a coragem de enfrentar as questões étnicas americanas, sem hipocrisia, sem medo e, acima de tudo, mesmo em face a conflitos [violência e mortes] é que fez com que a sociedade americana avançasse para esse período - quase - "pós étnico". Que se coroa com eleição do Obama para a presidência.
No entanto, não haveria um Obama sem os referidos enfrentamentos, sem se estabelecer "privilégios" baseados na etnia [cotas em universidades, empresas, TV, cinema, publicidade], os direitos civis, Malcom X, King, Jesse Jackson, Angela Davis e centenas de outros que deram a cara para bater [e às vezes a própria vida] para que Obama pudesse, hoje, fazer um discurso "pós étnico". Obama não existiria sem esse passado recente de conflitos [linchamento, revoltas, protestos - enfim um posicionamento da comunidade negra americana face ao racismo e a segregação]. Ou seja, nada aconteceu por magia. Em suma, Obama foi viabilizado pela luta - com muito sangue e sofrimento de militantes negros e brancos que se contrapuseram ao status quo de racismo e segregação. Isso lá nos EUA. No Brasil, - ainda - acreditamos em conto de fadas....

Um abraço
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 23 janeiro 2009 às 14:35
ORLANDO, meu prezado, afinal, o que produz o niilismo e a iniqüidade denunciada por THOMAZ SOWELL e CORNELL WEST? Não é a prática da crença em ´raças´?

É isso que vc. defende para o nosso Brasil? Para nossas futuras gerações??

Aqui, ORLANDO, as nossas crianças e adolescentes não estão anuladas para a vida psicossocial... A nossa criminalidade é exclusivamente em razão do ambiente social em que estão os jovens e não tem razões na auto-estima dos afro-brasileiros.

Aqui, basta que tenhamos ações afirmativas - que não é sinônimo de cotas raciais -, ou seja, que o Estado assegure a igualdade de oportunidade que nossa juventude está em condições de prosperar. Aqui basta mais ´bolsa família´ que nossos miseráveis estão saindo da pobreza absoluta - o que nunca havia sido tentado antes. 40 milhões de pessoas saíram da miséria, destes, 80% são afro-brasileiros esquecidos pelas políticas públicas.

Nos EUA, os afrodescendentes são 40 milhões com 1,2 milhões nas prisões (3%). Nós somos quae 100 milhões e temos 150 mil presos (0,015%).

Há algo errado com os afro-americanos, ou não??? O que de errado com os afro- brasileiros??

Nos EUA, em razão da crença em ´raças´ que brancos e pretos acreditam, as crianças, mesmo de classe média, filhos de médicos, empresários, professores não suportam a violação da dignidade humana que é o pertencer a uma ´raça inferior´ contida no conceito da construção social de ´raças´.

Porque não temos jovens da classe média afro-brasileira na delinqüência na mesma proporção dos EUA??? Respondo: as discriminações pela cor não sonegam a nossa humanidade e não violam a auto-estima de nossas crianças e adolescentes.

Essa é a denúncia feita por SOWELL e WEST e que os intelectuais do movimento negro brasileiro que se profissionalizam e precisam de uma clientela cativa de vítimas do racismo para receberem os poupudos financiamentos das agências norte-americanas e dos órgãos oficiais, se recusam a debater.

Nos diga, por favor, ORLANDO, o que tem levado 33% da juventude afro-americana (1 a cada 3) a submersão moral, ética e de caráter??? Por que 70% da gravidez adolescente são de jovens afro-americanas.

Por que os demais jovens americanos não há o mesmo fenômeno?


Não me diga que é a indole dos afro-americanos conforme qualquer racista convicto diria.... Eu acredito que é a violação da dignidade humana que causa baixa auto-estima.

Mas, vc. que defende tanto o racialismo dos EUA pode responder a essa questão??

Ao contrário de vossa crença, a vitória de OBAMA somente foi possível, apesar dos ativistas afro-americanos como Jesse Jackson não a desejarem, exatamente por isso, ele não significava o discurso raivoso contra a América. Ele fez o discurso de LUTHER KING: nós amamos a América e queremos transforma-la num lugar digno para todos.

É isso também que devemos dizer no Brasil. Ao contrário dos demais imigrantes que podem ter uma 2a. cidadania ou serem ´dekasseguis´, não não temos. A mãe África, espoliada e desorganizada pelo colonialismo, está muito pior que nós.

Essa é a nossa pátria e devemos lutar para torna-la digna e fraterna a todos os humanos, especialmente, aos afro-brasileiros. Isso somente será possível com a era PÓS-RACIAL em que essa crença em raças não divida as pessoas nem signifique desamor, desprezo ou conflitos.

Reflita, ORLANDO, reflita. O nosso povo afrodescendente não quer e não precisa de pertencimento racial que tanto sofrimento já nos causou. Queremos e devemos lutar pelo reconhecimento de nossa inteira humanidade (MALCON X).
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 23 janeiro 2009 às 21:55
ORLANDO, o PÓS-RACIAL será essa nova postura da humanidade que há de abandonar a ´crença em raças´. A ´raça humana´ existe como uma crença fruto da construção ideológica do racismo para se antepor às idéias do iluminismo.

A crença ´racial´, produziu e produz a violação da dignidade humana nas vítimas do racismo e tal como Joaquim Nabuco definiu a escravidão: a crença em raças humanas degrada o oprimido e também o opressor.

Os humanos são desumanizados pela crença racial, ou seja, a idéia da raça exige a hierarquia e nessa hierarquia de superior e inferiores todos nós, humanos, perdemos.

Portanto, o PÓS-RACIAL será esse mundo que ora edificamos. Já vivemos um mundo PÓS-IMPERIALISTA; PÓS-NAZISMO; PÓS-GUERRA FRIA; PÓS-COMUNISTA; PÓS-APHARTHEID e caminhamos para a era PÓS-RACIAL.

Nós, os humanos precisamos disso. Desprezo a idéia da hierarquia racial que está implícita na crença racial.

abraços, Militão.
Comentário de Antonio em 25 janeiro 2009 às 11:08
Obama é, sobretudo o início [o racismo nos EUA ainda não acabou] da superação de um momento da história recente americana - a questão étnica/racismo/segregação. Em pouco mais de 50 anos, os EUA, depois de vários "Strange Fruit", conflitos étnicos, direitos civis, cotas/ações afirmativas, King, Jesse Jackson, King, Malcom X, Angela Davis e outros emergem como nação modelo no trato com a questão étnica. Dando um puxão de orelhas em "democracias" étnicas como Brasil. Brasil/brasileiros esse[s] incapaz[es] de se olhar[rem] no espelho e ver[em] além do manto diáfano da tervigizante mestiçagem. Na verdade, mestiçagem essa que é muito mais um discurso político/ideológico que esconde na coxia Nina Rodrigues e sua eugenia e Freire e seu país mito perdido no imaginário de uma nação "morena". Todavia, a nação [Brasil de Freire], de fato, não traduz na, realidade do dia a dia, a igualdade social/econômica que o discurso de mestiçagem preconiza.

Militão, graças a Deus somos diferentes.

O homem é diferente da mulher e no entanto são complementares. Um óvulo e um espermatozóide geram uma vida. Todo o conceito da existência é baseado em opostos. Sermos seres humanos não implica, necessariamente, sermos uma massa amorfa e asséptica. Os seres humanos são múltiplos, coloridos, diversos e contraditórios. Somos negros, brancos, indígenas, orientais e outros. E - todos - com suas peculiaridades e idiossincrasias contribuiem para moldar um rico caleidoscópio do ser humano.

A igualdade é, sim, imperiosa, nos direitos e oportunidades para todos os "diferentes".

Essa unidade que você defende remete-me a 1984 [Orwell] e a regimes ditatoriais. O uniforme azul da China de Mao por exemplo....

Um abraço
Comentário de Antonio em 25 janeiro 2009 às 11:22
[...]É isso também que devemos dizer no Brasil. Ao contrário dos demais imigrantes que podem ter uma 2a. cidadania ou serem ´dekasseguis´, não não temos. A mãe África, espoliada e desorganizada pelo colonialismo, está muito pior que nós.[...]

Militão

Somos negros e não africanos.
Nosso "campo de batalha" é o Brasil. Nossa terra e Pátria. Quero mudar o Brasil e não voltar para meu "país". Na verdade, meu "país" é aquilo que sou e penso. De fato, sou e serei negro em qualquer lugar. O que sou/minha identidade é mais imperativa do que minha nacionalidade. Posso ter várias cidadania nacionais, no entanto aquilo que em que me torno/sou [por conta de fatores múltiplos e não só etnia] é livre de fronteiras temporais ou espaciais. Nesse sentido, quero, sim, melhorar o lugar onde vivo - Brasil. Se vivesse na Tailândia, seria lá meu campo de "batalha".

Um abraço
Comentário de Antonio em 25 janeiro 2009 às 11:31
[...]Nós, os humanos precisamos disso. Desprezo a idéia da hierarquia racial que está implícita na crença racial.[...]

Militão

Esqueçamos "raças", não acredito nelas. Elas não existem. Não lidemos com "raças" ou tampouco etnias. Pensemos, ao contrário, em grupos/comunidades. Desde do princípio, quando ainda era o Verbo, todos, os grupos/comunidades eram/são construções ideológicas/políticas/religiosas. Em virtude disso, sempre existirão opostos - cada um lutando por seus interesses.
Comentário de Antonio em 25 janeiro 2009 às 11:55
Militão

[...]Reflita, ORLANDO, reflita. O nosso povo afrodescendente não quer e não precisa de pertencimento racial que tanto sofrimento já nos causou. Queremos e devemos lutar pelo reconhecimento de nossa inteira humanidade (MALCON X).[...]

Uma coisa não exclui a outra.

Nossa "humanidade" não se resume em sermos ou negros ou "seres humanos". É mister que sejamos o que somos. A plenitude [enfim - ser] reside na consonância/harmonia [não necessariamente étnica] com minhas histórias/peculiaridades/lutas/idiossincrasias etc... E isso, não obstante o país/pátria/nacionalidade que uma pessoa tenha. Infelizmente, no contexto atual, no Brasil, ser negro tem um peso imenso naquilo que sou. Eu não inventei o racismo. Padeço e padeci com ele.

Esse horizonte de "seres humanos" que você descortina, só será possível quando e se, nós brasileiros, nos olharmos no espelho e vermos os "seres humanos" em todas as suas cores e matizes culturais e afins. Isto é, carece discutirmos o Brasil e isso passa pela questão étnica. Não dá para colocar o carro na frente dos bois. Que país é esse?

Obama é, acima de tudo, resultado/produto dessa "lição de casa"/mea culpa que os americanos vêem fazendo há quase 100 anos. E que, no Brasil, queremos sublimar com eufemismos tipo: miscigenação e seres humanos.

Um abraço
Comentário de Antonio em 25 janeiro 2009 às 12:33
Militão

[...]O nosso povo afrodescendente não quer e não precisa de pertencimento racial que tanto sofrimento já nos causou. Queremos e devemos lutar pelo reconhecimento de nossa inteira humanidade (MALCON X).[...]


Acho que você não entendeu o que o Malcom X quis, de fato, dizer.

Os americanos ao verem um negro impregnam, a priori, sua aparência/etnia[negritude]/comunidade de significados/adjetivos pejorativos: ex-escravo, incompetente, feio, ignorante etc, antes de vê-los [conhecê-los] como seres humanos. Em suma o racismo é isso.
Seres humanos, na verdade, somos todos nós. Etnias à parte. Entretanto, em função do racismo/preconceito, o racista me rotula o tempo todo de negro/judeu. Isto é, pelas características/imaginário que a minha aparência sugere a ele [racista]. Na verdade, o racista, não me deixa esquecer que sou negro/judeu/homossexual etc.. e não, apenas um ser humanos como ele. Na verdade, essa atitude [preconceituosa] do racista, reforça, em mim, a minha negritude [meu orgulho] ou meu judaísmo.

Malcom X, mais ou menos, defende/apregoá que o racista o veja [ao Malcom X] como ser humano [que ele Malcom, na real, é]. Tão humano quanto outro ser humano. Óbvio, o racista.

Quando o racista para de me discriminar[racismo] por eu ser negro/judeu, eu vou parar de me preocupar com minha negritude/judaísmo. Simples assim. E não o contrário.

Um abraço
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 25 janeiro 2009 às 21:49
Orlando,

vc. estã melhorando... um pouquinho sõ. Porem nao me explicou o q. estah acontecendo com o niilismo que afeta os afro-americanos... Eu alego que eh efeito colateral do racialismo que vc. acredita e os afro-americanos idem.

O racialismo, em razao da hierarquia implicita no conceito sonega a nossa humanidade (dos afrodescendentes) pois essa eh a estrategica do racismo... Somente os desiguais podem ser oprimidos.

No Brasil q. vc. acusa, não ha essa soneg~cao da humanidade, exaatamente pq. a mestiçagem eh real não eh invençao de G.Freire. Nos EUA eles acreditam em raças separadas, pretos e brancos acreditam, e ensinam isso as crianças. Isso eh uma violaçao 'a dignidade humana das crianças, jovens e adolescentes, pois, 'raças' eh a negaçao da humanidade dos pretos. Foi isso que quiz dizem MALCON X e foi por isso que foi executado por pretos racialistas radicais. Eu o entendi bem, especialmente na fase final de sua vida qdo evolui e muda seu discurso.
Comentário de José Roberto Ferreira Militao em 25 janeiro 2009 às 22:00
Orlando,

vc. estã melhorando... um pouquinho sõ. Porem nao me explicou o q. estah acontecendo com o niilismo que afeta os afro-americanos... Eu alego que eh efeito colateral do racialismo que vc. acredita e os afro-americanos idem.

O racialismo, em razao da hierarquia implicita no conceito sonega a nossa humanidade (dos afrodescendentes) pois essa eh a estrategica do racismo... Somente os desiguais podem ser oprimidos.

No Brasil, q. vc. acusa, não ha essa soneg~cao da humanidade, exaatamente pq. a mestiçagem eh real não eh invençao de G.Freire. Porisso nossos jovens nao sofrem a perda da auto-estima e nao caminham para a auto-destruicao, pois, conforme KING a segregaçao deforma a alma, a personalidade e o carãter do ser humano. Nao podemos permitir que o Estado cometa esse crime no Brasil. As v~itimas serão sempres os afrodescendentes.

Nos EUA eles acreditam em raças separadas, pretos e brancos acreditam, e ensinam isso as crianças. Isso eh uma violaçao 'a dignidade humana das crianças, jovens e adolescentes, pois, 'raças' eh a negaçao da humanidade dos pretos.

Foi isso que quiz dizem MALCON X e foi por isso que foi executado por pretos racialistas radicais. Eu o entendi bem, especialmente na fase final de sua vida qdo evolui e muda seu discurso. bye.

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