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OPERA HONORS: OS GRANDES DA ÓPERA MUNDIAL

(do blog Harmonia, de Rodolfo Valverde)

A mais importante premiação norte-americana para as artes e para a ópera, estabelecida pelo Congresso, National Endowment for the Arts Opera Honors, celebrou, em sua segunda edição – ano 2009, as contribuições excepcionais para a grande arte lírica de cinco dos maiores nomes do país: a mezzo-soprano Marilyn Horne, o maestro Julius Rudel, o compositor John Adams, o diretor cênico e libretista Frank Corsaro e o diretor geral e cênico Lotfi Mansouri. A cerimônia aconteceu no Harman Center for the Arts em Washington com um tributo especial aos homenageados.

Marilyn Horne

Marilyn Horne, 75 anos, é uma das mais poderosas e versáteis vozes da segunda metade do século 20. Dona de uma musicalidade ímpar, e flexibilidade vocal vertiginosa, a grande cantora estabeleceu novos paradigmas de interpretação para a arte do mezzo-soprano. Horne resgatou óperas pouco conhecidas do repertório belcantista, especialmente de Rossini, e foi a principal intérprete das estreias norte-americanas de óperas do gigante barroco Händel, em especial Rinaldo. Igualmente reverenciada na música de câmara, fundou em 1994 a Marilyn Horne Foundation, um grande centro de treinamento de jovens intérpretes na arte do recital.

Marilyn Horne

John Adams, 62 anos, é o criador de algumas das óperas mais criativas e instigantes da cena lírica mundial recente, como Nixon in China, The Death of Klinfhoffer e Doctor Actomic. Tendo por base fatos históricos e políticos marcantes de nossa época, as óperas de Adams, forjadas em estilo muito peculiar a partir do minimalismo, nos confrontam com as complexidades e grandes questões morais da atualidade. Sua obra On the Transmigration of the Souls, composta para rememorar os mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro em Nova York, recebeu o prêmio Pulitzer em 2003.

John Adams

O vienense Julius Rudel, hoje com 88 anos, migrou para os EUA no início da 2ª Grande Guerra para se tornar um dos principais maestros associados à ópera no país e o primeiro diretor artístico do Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington. Foi diretor e principal maestro da New York City Opera durante 22 anos, tornando-a uma companhia inventiva e de nível internacional, responsável por numerosas montagens de obras barrocas ou contemporâneas não encenadas em solo americano, sendo 19 estreias mundiais.

Julius Rudel

Um dos primeiros diretores cênicos a usar elementos multimídia em suas produções operísticas, Frank Corsaro, 85, esteve associado por décadas à New York City Opera, no período crucial da companhia como um dos principais celeiros artísticos da América, sob direção de Rudel. Foi por convite do maestro que Corsaro estreou na direção de ópera em 1958, com Susannah, de Carlisle Floyd (primeiro de vários trabalhos em parceria com o compositor), inaugurando um plantel de produções vanguardistas e ousadas que levaram a companhia nova-iorquina ao centro dos debates. Foi diretor artístico da Julliard Opera Center e do Actors Studio.

Frank Corsaro - Lotfi Mansouri

De origem iraniana, o diretor Lotfi Mansouri, 80, foi o pioneiro no uso de legendas projetadas nos teatros líricos mundiais (em 1983, na Ópera do Canadá, com a Elektra de Richard Strauss) e transformou a Ópera de San Francisco em uma das mais respeitadas do país. Sob seu comando (1988-2001), a ópera californiana inaugurou uma série de comissões que resultaram em algumas das composições mais impactantes e duradouras da cena musical e lírica atual, como The Death of Klinghoffer, de Adams, entre óperas de André Previn (A Streetcar Named Desire), Jake Heggie e Conrad Susa.

Leontyne Price


Em sua primeira edição – ano 2008, os NEA Opera Honors foram recebidos pelo diretor artístico do Metropolitan Opera, maestro James Levine; pelo compositor Carlisle Floyd; pelo diretor Richard Gaddes e pela legendária soprano Leontyne Price que, emocionada, protagonizou um momento antológico: cantou a capella, aos 81 anos, America the Beautiful.


Já o prestigioso Opera News Awards, promovido pela famosa publicação mensal homônima do Metropolitan Opera Guild, de New York, premiou em sua edição 2009 (a 5ª) dois dos maiores expoentes da nova geração, a esfuziante mezzo-soprano norte-americana Joyce DiDonato (uma rossiniana de verve incomparável!) e o barítono Gerald Finley, extraordinário tanto na arte do lied quanto da ópera (basta lembrar a sua performance como Doctor Actomic, de John Adams, na temporada passada do MET).

Philip Glass, Martina Arroyo, Joyce DiDonato e Gerald Finley


Entre as grandes estrelas do passado, duas das vozes mais celebradas da América foram agraciadas com a premiação, ambas com carreiras que marcaram época e abriram as fronteiras para os artistas afro-americanos: a mezzo-soprano Shirley Verrett e o soprano spinto, de origem porto-riquenha, Martina Arroyo. Completando o time consagrado, um dos compositores mais prolíficos e emblemáticos da ópera na atualidade, Philip Glass, criador de obras como Satyagraha, Akhnaten e Einstein on the Beach.

Assistamos ao tributo em video à grande homenageada pelo NEA Opera Honors em 2008, soprano Leontyne Price:

A seguir, vejamos o excerto inicial do documentário Portrait of Marilyn Horne, dirigido por Nigel Watts:

Histórico! Leontyne Price, Marilyn Horne e maestro James Levine interpretam o dueto Fermati! No crudel!, da ópera Rinaldo, de Händel, em concerto realizado em 1982:

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