Ary Barroso compondo

Apaixonada pela música em geral, especialmente pelo gênero “choro”, fiquei super feliz em encontrar cinco “choros”, do Ary Barroso, que eu desconhecia. A descoberta se deu quando adquiri a Caixa-Box  - “Ary Barroso - Brasil Brasileiro”, do pesquisador Omar Jubran, com 316 gravações, englobando o período de 1928-2006.

É com enorme prazer que compartilho com todos vocês os cinco “choros” de Ary Barroso. O primeiro dos cinco, a ser gravado em disco, foiEngarrafado”, em 1935.

Engarrafado” (Ary Barroso) # Grupo do Canhoto. Disco Victor/Promocional (P127-B) / Matriz (79829-2) / Gravação: 29 de janeiro de 1935.

Segundo “choro” composto/gravado por Ary Barroso.

Chorando” (Ary Barroso) # Ary Barroso ao piano e Seu Ritmo. Disco Odeon (13149-A) / Matriz (8956). Gravação: 11/4/151 / Lançamento: julho de 1951.

Terceiro “choro”, composto/gravado por Ary Barroso, foi “Sambando na gafieira”.

Aqui cabe uma observação feita pelo Omar Jubran:

Segundo a escritora Dalila Luciana, no livro ‘Ary Barrozo - Um turbilhão!’, (p. 455) a composição ‘Sambando na gafieira’ recebeu, junto ao título, o ‘número 1’; pois há uma obra ‘Sambando na gafieira Nº 2’, que foi composta para a comédia de Alex Viany ‘Estouro na praça’. Segundo a autora, trata-se de um samba inédito e incompleto”.

Sambando na gafieira” (Ary Barroso) # Ary Barroso ao piano e Seu Ritmo. Disco Odeon (13149-B) / Matriz (8957). Gravação: 11/4/1951 / Lançamento: julho de 1951.

Quarto "Choro" de Ary Barroso

Divagando” (Ary Barroso) # Ary Barroso com Acompanhamento Rítmico. Musant (LPD94) / Matriz (LPD94) (*) / Matriz (B.C.XII-217-10187-A) / Gravação: 1953.

Acho que vocês perceberam o (*) no número da matriz. Vamos esclarecer:

Choro encontrado no LP ‘Fantasia carioca’, gravado no México e produzido pela Áudio Fidelity INC.Trata-se de uma composição não mencionada pelos biógrafos de Ary".

Escreve Sérgio Cabral em seu livro ‘No tempo de Ary Barroso’ (p. 305):

Ari fazia planos (...) ia fazer quatro filmes no México, a 10 mil dólares cada um, mas os trabalhadores em cinema entraram em greve. Ia gravar dois LPs, na RCA mexicana, mas os técnicos de gravação e os músicos também fizeram greve”.

O fato é que Ary Barroso e um grupo de músicos e cantores brasileiros estiveram no México no ano de 1953. O próprio Sergio Cabral, em depoimento pessoal, disse desconhecer a existência desse disco na época em que escrevia seu livro; só tomando conhecimento algum tempo depois.

Na foto acima vemos a chegada do maestro, compositor e pianista Ary Barroso, desembarcando no Brasil, retornando do México, em 1953. Vemos Ary de óculos escuro, no centro da foto, ladeado pelas cantoras Dora Lopes e Araci Costa. A bandeira brasileira era sempre presença constante nas viagens e expostas por onde o grupo se apresentava.

Quinto registro em disco, de um “choro’, composto/gravado, por Ary Barroso”.

Choro brasileiro Nº 3” (Ary Barroso) # Ary Barroso ao piano. Disco Copacabana (CLP3060B[*] / Matriz (MLP-112) / Lançamento: 1955. [Traduzindo o (*): Também lançado em LP de 12 polegadas, Copacabana (CPL 11.364)].

Percebam que antes de iniciar a execução ao piano, Ary Barroso, declara: “Um chorinho brasileiro tipo velha guarda”.

Super recomendo!

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Fontes:

- Ary Barroso - Brasil Brasileiro / 20 CDs / 316 gravações / 1928/2006, do pesquisador e estudioso da MPB - Omar Jubran. Ano de produção: 2014.

- Áudios SoundCloud/Montagem: Laura Macedo.

- Foto Ary Barroso chegando do México, em HISTÓRIA DO SAMBA. Rio de Janeiro: Globo, 1997-1998. Quinzenal. 40 fasc. 40 CDs.

- Fotos dos áudios: acervos variados.

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Exibições: 312

Comentário de Gilberto Cruvinel em 26 abril 2015 às 10:28

Que beleza Laura

Um choro mais bonito que o outro. E essa caixa, que bom gosto tiveram, muito bonita mesmo.

Obrigado por compartilhar.

Abraço

Comentário de Laura Macedo em 27 abril 2015 às 21:31

Gilberto,

Deixo pra você outra composição do Ary Barroso na interpretação da sua "Queridíssima", Carmen Miranda.

"Na batucada da vida" ( Ary Barroso/Luiz Peixoto) # Carmen Mirada e Diabos do Céu. Disco Victor (33769-B) / Matriz (65957-1). Gravação (20/3/1934) / Lançamento (Abril de 1934).

Outras informações:

"Com o subtítulo de "Canção da enjeitada", esta composição fez parte da revista musical "Há uma forte corrente..., tendo a interpretação de Aracy Cortes.Também fez parte de "Disso é que eu gosto", revista em dois atos, de de Miguel Orrico, Oscarito Brennier e Vicente Marchelli, que estreou em 27 de dezembro de 1940 no teatro Recreio, tendo como intérprete Zaíra Cavalcanti".

Grande abraço.

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