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    Isso já algum tempo,eu era um jovem escritor de 23 anos desconhecido - e ainda continuo desconhecido - e sonhava em ser roteirista e diretor de cinema,roteirizar e dirigir grandes filmes,ser um novo Bergman , um novo Marco Ferreri ou Felini ou Valter Hugo Khouri ou Escorel,ou Bunel( o til não entre neste computador) ou um Arnaldo Jabor,quando este era cineasta e não um propagador de merdas como ele é hoje - um traidor da Sétima Arte !

   Enfim,me via escrevendo roteiros , dirigindo os meus filmes,ganhando prêmios nos principais festivais nacionais e internacionais,sendo badalado pela mídia,entronizado como um dois maiores cineastas do século 21 e quiça de toda a história do cinema.E,claro,comendo as atrizes mais gostosas não importando se fossem talentosas ou não.

  Certa noite,após beber todas e cheirar Rexona com Maria Clara,minha patroa e mecenas,sonhei que dirigia um filme estrelado por Anita Ekberg .Nossa,que sonho lindo e inesquecível.Aquela fêmea loira ,de seios volumosos siando molhada do Lago Paranoá com seus vestido vermelho decotado,os seios duros e aquele olhar de fêmea-fera que quer comer a câmera,fulminando os meus olhos.

 Depois das filmagens fomos,somente eu e Anita,bebermos no Bar do Juca,na 405 sul.Sim,meus caros,ao chegarmos foi um pandemônio de fãs e tarados,com seus celulares da época ,tirando fotos,pedindo autógrafos à musa.Teve um carinha,ousado pra cacete,que disse à Anita:"Você é linda pra caralho ! " Eu

 logo chamei um dos seguranças que nos acompanhavam( eram dois armários embutidos ) e mandei que o retirasse de perto de Anita.O carinha evocou os direitos humanos,disse que era filho do general Barros de Alencar." Foda-se,a ditadura acabou ,seu merdinha ! " Gritou o segurança ao pé do seu ouvido ,após dar-lhe um bofetão bem forte na sua cara para o meu deleite e jogá-lo para fora do bar.E Anita,com aquele sotaque sueco,pedindo calma,gente,calma,sem violência ! Já vivemos em estado permanente de violência,não,óh,my god !

 Tasquei-lhe um beijo de língua ! Novamente muitas fotos  e agora aplausos ao diretor e sua musa.O grande diretor e a Deusa platinada  sueca assumindo publicamente o romance,o enlace amoroso.

 Porém,o sonho não terminou bem.Anita se encantou por um baixote atarracado,nordestino,que dizia ôxe,vixe,entendia para cacete de cinema,falava sueco,inglês,francês e italiano e era torcedor do Botafogo.O que mais encantou se encantou com o baixote era que ele torcia pelo Botafogo,ela amava quem torcia pelo clube da estrela solitária.dizia que torcer pelo Botafogo era uma prova inconteste de amor na sofreguidão.

  Anita saiu com baixote direto para o hotel no Lago Sul onde estava hospedada e o baixote piscou um dos seus olhos para mim em forma de sacanagem.Punto e basta ! Acordei assustado ! E fiquei me perguntando como Anita trocou o grande cineasta,um homem culto,de 1,85,cabelos castanhos claros,forte,lindo por um baixote metido cinéfilo e torcedor do Botafogo.

  Bom,voltando à vaca fria.Eu queria fazer cinema e fazer cinema em Brasília é foda mesmo,é o pior lugar do Brasil para se fazer cinema.Quem vem ou nasce nesta merda almeja ser funcionário público federal ,ter um emprego garantido,casar-se,ter dois filhos e levar uma vida tranquila no Plano Piloto.

  Eu não,não mesmo ! Já era jornalista de jornalecos alternativos e morava com uma mulher 15 anos mais velha ,funcionária do ministério da fazenda,que sustentava meus sonhos,meus devaneios.Pobre Maria Clara,ela tinha certeza que eu a amava !O meu emprego garantido era a mesada polpuda de Maria Clara.

  Agora eu queria ser diretor de cinema,revolucionar o cinema nacional e mandar à Globo Filmes tomar no rabo e mandar à puta que os pariu os proxenetas de Hollywood,que nos entopem de merdas e mais merdas.

  Foi quando,em uma das minhas caminhadas pelas entre-quadras da asa sul,vi um carinha com uma pequena câmera filmando ypês e os anus pretos( pássaros típicos do cerrado ).Parei de estalo e indaguei-lhe : " Cara,você só filma isso ou tem pretensões cinematográficas ?" Ele foi logo avisando : Faço cinema na UnB,quero fazer curtas e depois longas,tenho uma visão de cinema bem eclética."

 O cara se chamava José Eduardo Sabóia,filho de altos funcionários do Itamarati,diplomatas nascidos na linda Fortaleza,e que viera com os pais aos 13 anos depois de morar cinco anos em Casablanca.Zé tinha 24 anos,nunca praticara a mais-valia e vivia nababescamente em um apê de 4 quartos na 208 sul.

 Em menos de uma hora ,após  conversarmos sobre cinema,literatura e Ho Xi Min,projetamos realizarmos um longa-metragem para concorrermos ao Festival de Brasília.Faríamos um roteiro a quatro mãos,escolheríamos o cast,os locais das filmagens e a grana para a execução do longa sairia da conta corrente dos seus abonados pais.

  O único problema do Zé era que ele fumava maconha todos os dias e afirmava que a canabis era o seu elixir da criatividade. Será ? Pensei eu ao vê-lo meios chapado às 10 horas filamando ypês e anus pretos.

  Nos faltava somente o argumento para tocarmos o roteiro.E foi este brilhante escritor que vos escreve que,dois dias depois do nosso encontro,ligou para o Zé Eduardo e lhe expôs o argumento : um triângulo amoroso,um homem de 35 anos e duas mulheres,uma de 28 e outra de 30 anos,que planejava matar a rica avó do homem e herdar seis imóveis no Plano e uma fazenda em Planaltina de Goiás com centenas de cabeças de gado e outras centenas de cavalos Marchador. Um crime que deveria ser perfeito,sem deixar rastros.Por quê o cara de 35 anos persuadiu suas mulheres a participarem do crime?

   Leitores,continuarei este conto na sexta-feira,o preço da lan house tá alto.continuarei,então na sexta-feira.

 Grandes abraços.

 

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