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  Caros,leitores me esqueci por completo,é a pressa,de escrever sobre quem  seria atriz que faria a avó a ser assassinada pelo   triângulo amoroso.A avó,que só apareceria  em duas cenas.Seria a síndica do bloco onde eu morava com Maria Clara,bloco B da 205 sul,Dona Vera,uma senhora de 67 anos,que ficara viúva há dez  anos e morava sozinha,pois a filha única casara-se com um arquiteto e fora morar em Sampa.

 D.Vera ,como não tinha nada para fazer na vida,além de síndica vivia perturbando funcionários e fazendo futricas sobre os moradores.Chata pra cacete ! Maria Clara a detestava,mas eu a compreendia ,afinal uma mulher há 10 anos só ,sem ninguém,só podia ser amarga.Ademais,Dona Vera ,quando morava na então Capital federal ,no Rio de Janeiro,foi atriz de novelas da TV Tupi,fazia lá suas pontas,e fizera também teatro rebolado quando era solteira.

 Eu a procurei,ela topou.Exigiu 200 pilas pelas duas cenas,negociei para 100 pilas.Esperta a velha,hen ?

 Voltando sobre as cenas de sexo explícito,ousadia do meu parceiro de direção,uma bela tarde Maria Clara apareceu mais cedo e viu os finalmentes  da cena entre o triângulo amoroso em nossa cama.

 " Que porra é essa na minha cama ? Vocês estão de sacanagem,podem parar." Os 3 atores já estavam no orgasmo,com a  câmera tremendo propositalmente nas mãos do Zé,para embaralhar os rostos ,os copos e tudo mais.Zé se achava um gênio da sétima arte !

 Maria Clara pegou o bagulho do Zé e começou a fumar. Eu falei: " Eu não sabia que você fumava maconha,que merda,hen ! " " Fumo as vezes,eu não queria que você soubesse.Vendo esta merda na minha cama cama não há careta que aguente."

 Bom,filme encerrado,editado,tudo certo.Agora seria,a dois meses da realização do Festival de Brasília de Cinema,realizar uma pré-estreia.E foi com a influência da mãe do Zé,que era amiga da esposa do Governador do DF ,Joaquim Roriz,que eu chamara de ladrão inúmeras vezes no jornal Brasília News,que conseguimos que o GDF cedesse o Cine Brasília (107 sul ) para a nossa pré-estreia.

 Meu pai,bem desconfiado do que seria apresentado na telona do Brasília,entrou com a grana para o coquetel.Como eu conhecia muita gente em várias quadras,tantos nas pares como nas ímpares,consegui colocar umas 40 pessoas no cinema,mais os contatos do Zé na UnB e dos seus pais,a pré-estreia teve um total de 80 espectadores.

 No meio do longa meus pais se retiraram;as senhoras bem comportadas das asa sul,amigas da mãe do Zé ,também abandonaram a sala- mas os seus respectivos maridos ficaram por causa das cenas de sexo .No final do filme alguns aplausos e Tuneca,amigo meu da 404 sul,me chamou no canto e comentou : " Porra,cara,fui obrigado a tocar duas punhetas no banheiro após a cada cena de sexo.Muito bom o filme ! Vc me apresentaria a morena,aquela atriz. ? "

 Dona Vera ,sim,a que a fez a avó,retirou-se após a primeira cena de sexo e em altos brados ameaçou me processar,pois ela tinha um nome a zelar.

  Áh,sim,chamei dois críticos de cinema de dois jornalões do DF.Que merda eu fiz ao convidá-los !

  Dois dias depois os dois críticos publicaram ,nos seus respectivos jornais, a crítica do nosso filme.Foi uma saraivada de críticas negativas.Porém,no Brasília News,que tinha tiragem de 1 mil exemplares apenas fui eu ,utilizando o pseudônimo de Carlos Escorel,quem fez a crítica.Uma crítica extremamente positiva,repleta de adjetivos e rotulando o filme como um sério concorrente a ser o principal premiado no Festival de Brasília.

  Nos inscrevemos no Festival de Brasília e só conseguimos nos inscrever porque o pai do Zé deu uma graninha para um dos coordenadores do Festival.

 O filme foi vaiado ! Fomos mal compreendidos pelos babacas conservadores que assistem ao Festival de Brasília ,que nada entendiam de cinema revolucionário,um cinema em transe e em transa.

  Sequer conseguimos passar,depois do festival,no cinema pornô do Conic,que ficava na zona central de Brasília.Um fiasco !

  Eu culpei o Zé pelo fiasco e rompemos a nossa parceria.

  Dois meses depois,ao chegar no apê de Maria Clara completamente embrigado,vivia uma depressão pós-festival do cacete,me deparei com duas bolsas e uma mochila, que eram minhas, bem próximas na porta da sala.

 " Que porra é essa,Maria Clara ? " Indaguei ao tropeçar em uma das bolsas e cair no chão da sala.

 " São suas roupas e os seus livros que você trouxe da casa dos seus pais.As roupas e os livros comprados com meu dinheiro ficarão aqui,seu merda .Pode ir embora daqui seu vagabundo,seu canalha,você tá comendo a empregadinha do bloco F.Eu já sei ."

  Maria Clara berrava,estava colérica.Uma mulher traída sempre fica colérica,enfurecida,ainda mais quando ela tem preconceito social ao ser corneada por causa de uma empregada doméstica.

  Tentei ponderar,quer era uma inverdade,fofoca dos invejosos e coisa tal.Maria Clara me deu um bofete  com força na face esquerda.Não tinha mais jeito.Abri a mochila e verifiquei se Uma Temporada no Inferno e Iluminuras,paisagens coloridas ,de Rimbaud, e Sem destino,de Kerouac,Cem Anos de Solidão, de Gabo,Trópico de câncer,de Henry Milller ,não tinham sido confiscados.Ainda bem que não,as grandes obras estavam lá.

  Fui embora,ao passar pela guarita,seu Tonhão,o porteiro da noite,que escutara tudo ,me deu um abraço e Dona Vera ficou com aquele sorriso de escárnio.Caminhei até a padaria da 205,comprei 6 latinhas de cerveja e sentei-me na pracinha da quadra para beber e depois regressar à casa dos meus pais na 305 sul pela imunda passagem subterrânea.

 Enquanto bebia e fumava comecei a recitar um poema de minha autoria ,observado por um pássaro,o Anú preto,que estava catando pulgas e o piolhos na grama.Após declamar o meu poema o Anú preto disse-me : " Porra,que poema de merda,você deve procurar um emprego,cara ! " E o Anú se mandou.

 Ao entrar no apê dos meus pais.Minha mãe veio com a reprimenda : "olha,vc voltou,nem a Maria Claria te aguentou.Você já tem quase 24 anos,tem que pensar no futuro.Por quê você só escreve essas porcarias ,esses poemas e contos imundos.Por que você não é um  Mark Twain ? Não escreve como Machado de Assis,Carlos Drumond de Andrade,Manuel Bandeira ou um Paulo Coelho ? "  

 " Paulo Coelho,não,mãe,isso não." Meu pai,ainda de terno,emendou : "Você só escreve porcarias mesmo ! Você tem 3 meses para estudar para o concurso do Banco do Brasil,3 meses.Se não fizer isso arrume um emprego decente ou então vá procurar viver em outro lugar.Áh,e tem mais : não quero você bebendo e nem fumando perto dos seus irmãos( meu irmão tinha 16 anos e minha irmã 14).Capice ? "

 Fui para o meu quarto,estava intacto,com computador e tudo,eu era viciado em sala de bate-papos,já pegara muitas mulheres nas salas de bate-papo da internet.Eu me estatelei na cama,ainda restou uma lata de cerveja,eu abri e a drenei rapidamente.

 Anos depois ,uns 4 anos,Zé Eduardo ganhou o Festival de Brasília como melhor filme,melhor direção e melhor ator( um ator global ),se mandou para o Rio de Janeiro,montou suas produtora e foi contrato pela Globo Filmes,ficou famoso.

 

 

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