ponderações sobre imagem de marca e comunicação política.
Mais do que mostrar quem ela é, Marina vai ter que mostrar o que ela quer.
Eis que desponta no cenário político pré-eleitoral mais uma candidatura presidencial para 2010, o que, aliás, é saudável para o avanço de nossa democracia, além de trazer mais uma mulher para o centro das discussões políticas.
Até pouco tempo não tínhamos nenhuma. Heloisa Helena concorreu em 2006. Agora temos duas, podendo quem sabe termos três se a própria HH resolver concorrer à presidência. Talvez alguns se lembrem de Ana Maria Rangel em 2006 que tinha como vice uma mulher. Se você não lembrou ou não sabia, tudo bem. Era só uma alpinista política querendo aparecer usando um partido nanico.
Falando em recentes candidatas a presidência a lista fica maior com a advogada Lívia Maria que se registrou pelo desconhecido PN em 1989 e a administradora de empresas Thereza Ruiz em 1998 pelo PTN. Em 2002, Roseana Sarney na época pelo PFL chegou a atingir o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, mas acabou soterrada pelo escândalo Lunus.
O primeiro desafio de Marina Silva é ficar conhecida. Calma, eu sei que você a conhece, alguns até bem. Só que você está lendo um artigo na internet. Você é uma pessoa conectada e atualizada. Mas em nosso país quantos realmente são?
Hoje a imagem de Marina é difusa. Seu desempenho parlamentar e recente atuação no Governo não lhe garantiram exposição popular nacional. Os principais temas que defende não atraem a massa nem são fatores de discussão e conversa do dia a dia de várias camadas de nossa população. Durante todo este tempo não foi manchete, nem matéria da maioria dos jornais populares que substituíram os jornais tradicionais.
Saber usar a mídia, principalmente as de alcance popular será um exercício a ser desenhado por seus assessores e responsáveis por sua comunicação.
Aqui abro um parêntese. Nossas leis só permitem campanha eleitoral durante os três meses que antecedem o pleito e também não há a figura jurídica da pré-campanha política. Na realidade é crime fazer qualquer menção a uma candidatura antes do período determinado por lei. Temos muito que evoluir neste aspecto.
Ainda neste sentido, de tornar-se conhecida, vai precisar popularizar seu atual principal discurso. Aquele que a projetou internacionalmente, mas a mantém desconhecida por grande parte de nossos eleitores. Estou falando da sua luta em defesa do Homem e do Meio Ambiente representada pela pouco palatável expressão Desenvolvimento Sustentável.
Ao longo dos anos acompanhei centenas de grupos focais de pesquisa Qualitativa. Para alguns segmentos de nossa população assuntos altamente relevantes para nossa qualidade de vida e da nossa sociedade como um todo simplesmente não pegam. Levam tempo. Mesmo que já tenham sido veiculados e comentados milhares, milhões de vezes.
É impressionante e é verdade. Com todo direito, mesmo que equivocados, suas prioridades e sentido de urgência são outros.
Com a palavra Sociólogos, Antropólogos e Psicólogos Sociais.
Outro fator desafiador na caminhada de nossa valorosa Senadora é a possível radicalização de sua imagem.
Tanto por seus prováveis apoios, quanto pela atuação de parte da nossa imprensa intencionada e disposta a mostrar aquilo que lhe convier no jogo político. Isenção não é bem o forte de nossa mídia. E o pior é que tentam fazer a coisa de forma dissimulada. Não é a toa que a credibilidade da imprensa acompanha a dos nossos políticos.
Ela mal começou sua jornada e já teve de chamar a atenção de alguns importantes veículos de comunicação em recente pronunciamento no Senado. Mais precisamente no dia em que Mercadante não renunciou. Ela denunciou que jornais e blogs haviam reproduzido no dia anterior partes de uma palestra sua totalmente fora do contexto em que tinham sido utilizados originalmente, fazendo parecer como mostrou algumas manchetes que estava radicalizando seu discurso e reprovando os programas sociais do Governo Lula.
Gerir a construção e expansão de sua imagem é importante tarefa tática na estratégia de quem quer ser eleito.
Oriunda das classes populares e ativa militante do PT desde os primeiros momentos do partido, Marina é muito mais parecida com o Lula do que Dilma.
Dentro do espectro que compõe sua imagem de marca este fator não pode ser desconsiderado ou eliminado.
E agora? Aproximar-se mais da imagem do Lula, ou tentar descolar-se dela?
Precipitadamente ou de forma oportunista jornalistas, articulistas e políticos vaticinaram o estrago que isso fará na candidatura da Dilma. Não é bem assim. Analisar cenários políticos eleitorais e as influências de cada detalhe na complexa rede de informações e fatos objetivos e subjetivos que vão atuar na formação da intenção de voto não é tarefa fácil. Nem estática.
Sim, ela é parecida com o Lula.
Mas com qual Lula?
O líder sindical e fundador do PT que movimentou os metalúrgicos e parte da classe trabalhadora em passado recente e chegou à presidência?
Ou o candidato vitorioso que elaborou e assinou a Carta ao Povo Brasileiro e tem os mais altos níveis de aprovação de um Presidente da história estratificada de nossa política?
Belos desafios.

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Comentário de Antonio Barbosa Filho em 25 novembro 2009 às 22:39
Concordo con Nat, e pensava o mesmo antes da recente pesquisa CNT/Sensus mostrar que a rejeição à Marina é pesadíssima. O brasileiro comum (me me incluo entre eles) resiste muito à mudança de Partido, que lhe soa como 'traição". veja que a solidariedade de Lula aos chamados "mensaleiros" não abalou, ao contrário, seu prestígio e popularidade. E isso com toda a mídia malhando.
Apesar de sua inteligência e perspicácia, Marina errou porque deixou esta imagem de quem "cuspiu no prato que comeu". Como vc bem afirmou, Luiz Xará, ela não mostrou o que quer, o que não conseguiu dentro do "melhor" governo que os brasileiros já viram e poderia conseguir lutando fora dele. Ficou no limbo: sou a favor do governo, mas vou somar com a oposição.
A mim me parece, e pelo comportamento da mídia porca, que a estimulou e saudou como uma grande esperança de desagregar as forças lulistas, ou petistas, ou situacionistas, sei-lá, é que ela se deixou usar.
Mas não faz mal: a imagem de Joana D'Arc também pode render no futuro. Política não se esgota, e ela é jovem o bastante, e inteligente, para perder altivamente. Desde que, num segundo turno, não se entregue à direita. Aí será uma Soninha a mais no picadeiro...

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