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"Toda unânimidade é burra", dizia Nelson Rodrigues.

Mas toda regra tem exceção.

É patente que no universo musical Pixinguinha seja uma unânimidade, traduzida, até hoje, no rastro de talentosos admiradores e seguidores.



O nascimento da orquestração brasileira deve muito à Pixinguinha, pois antes dele o samba e outros ritmos brasileiros executados pelas orquestras, tinham o som do maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Um dos primeiros a protestar foi Ary Barroso, mesmo argumentando que não tinha nada de pessoal contra os maestros estrangeiros, mas faltava o "molho", a presença de ritmistas nas orquestras.

A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o Teatro de Revista. Através de composições suas de outros ele foi criando estilo, fomentando uma forma brasileira de execução orquestral.
Emergia, assim, o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque.

Empolgado com a arte da orquestração, Pixinguinha matricula-se no Instituto Nacional de Música (1933) e passa a cursar teoria musical, mesmo dominando os segredos da prática.

O casamento perfeito entre Teoria X Prática, contribuiu para seu trabalho criar raízes profundas, frutificando em safras de execelentes arranjadores, já que seu estilo é perceptivo nas partituras de grandes maestros, a exemplo dos que destacaremos a seguir.



RADAMÉS GNATTALI: 27/01/1906 Porto Alegre, RS / 13/02/1988 Rio de Janeiro, RJ.
COMPOSITOR, ARRANJADOR, REGENTE, PIANISTA.

Filho primogênito de uma pianista gaúcha descendente de italianos, Adélia Fossati Gnattali, e de um imigrante italiano radicado em Porto Alegre, Alessandro Gnattali. O pai, marceneiro de profissão, era um apaixonado pela música, principalmente pela ópera.

Foi no convívio com a família Fossati que conheceu Adélia. Os nomes dos três primeiros filhos do casal: Radamés, Aída e Ernâni, personagens de óperas de Verdi, demonstram a paixão que ambos nutriam pela ópera, fato que se refletiria na decisão dos filhos em seguir a carreira de músicos. Anos depois o casal ainda completaria a família com mais dois filhos: Alexandre e Teresinha. A própria mãe, Dona Adélia, pressentindo o interesse do pequeno Radamés intuiu: "Vai ser músico!".






SILVIO MAZZUCA: 21/05/1919 São Paulo, SP / 22/01/2003 São Paulo, SP.
REGENTE, PIANISTA, COMPOSITOR, ARRANJADOR.

Começou a aprender piano aos 17 anos, com Helena de Aquino e Silva. Nos anos 1940, estudou harmonia com Savino de Benedictis.
Atuou como regente de orquestra, pianista e compositor (na maioria dos casos de músicas instrumentais). Na década de 1950 e até o começo dos anos 60, foi regente da orquestra mais solicitada para festas e bailes na capital paulista, fazendo também temporada no Rio de Janeiro especialmente para tocar em bailes de formatura. Em 1938 passou a atuar na orquestra da Rádio Tupi paulista, dirigida inicialmente pelo maestro Juca (Juca e seus rapazes) e, depois de sua saída, pelo saxofonista J. França. Em 1942 substituiu França e passou a atuar também na Rádio Difusora (depois da fusão com a Tupi). Nessa época, além do piano, passou a tocar vibrafone.





LÍRIO PANICALLI: 26/06/1906 Queluz, SP / 29/11/1984 Niterói, RJ.
REGENTE, ARRANJADOR, COMPOSITOR, INSTRUMENTISTA.

Em 1922, já no Rio de Janeiro/RJ, estudou no Instituto Nacional de Música e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista.
Organizou a Orquestra Melódica Lírio Panicalli e, desde então, começou a escrever temas para novelas da Rádio Nacional.
Foi um dos fundadores da gravadora Sinter (1950), onde permaneceu como diretor do setor artístico e gravou, em 1950, seu primeiro LP, Orquestra Melódica de Lírio Panicalli. Nessa fábrica, gravou inúmeros sucessos carnavalescos. Idealizou com Paulo Roberto o famoso programa Lira de Xopotó, na Rádio Nacional, sobre bandas do interior, de que resultou o LP do mesmo nome com músicas regionais.





SEVERINO ARAÚJO: 23/04/1917 Limoeiro, PE (Atualmente com 92 anos).
REGENTE,INSTRUMENTISTA,CLARINETISTA, COMPOSITOR.

Seu pai era professor de música e regente da banda local e a mãe fazia da música sua diversão predileta. Além dele, os irmãos também tornaram-se músicos, todos sendo integrantes mais tarde da Orquestra Tabajara. Começou a estudar música aos seis anos de idade, tendo aulas com o pai. Aos oito, tornou-se assistente do pai. Com 12 já tocava clarinete. Em 1933, sua família mudou-se para o interior da Paraíba, indo residir na cidadezinha de Ingá, a mesma que inspirou o compositor Joubert de Carvalho a compor a célebre canção "Maringá", que daria nome posteriormente à cidade do norte do Paraná.




VICENTE PAIVA: 18/04/1908 São Paulo, SP / 18/02/1964 Rio de Janeiro, RJ.
COMPOSITOR, ARRANJADOR, PIANISTA, CANTOR, REGENTE.

Iniciou sua carreira tocando piano em bailes na cidade de Santos (SP), por volta de 1926. Logo depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar na Orquestra de Simon Bountman.
Figura importante da música popular brasileira nas décadas de 1930 e 1940, quando atuou em várias frentes.
Responsável por grandes sucessos de nossa música popular como o da marchinha mais famosa de todos os carnavais, "Mamãe eu quero", além da "Marcha do Cordão do Bola Preta", do sucesso de Carmen Miranda "Disseram que eu voltei americanizada".





LUIS ARRUDA PAES: 08/05/1926 São Paulo, SP / 10/03/1999 São Paulo, SP.
INSTRUMENTISTA, ARRANJADOR, REGENTE, COMPOSITOR.

Considerado um dos grandes arranjadores de São Paulo. Em 1949, iniciou a carreira artítstica atuando como pianista da orquestra da Rádio Tupi de São Paulo. Em seguida, passou a atuar como pianista da Orquestra de Zezinho, que se apresentava na TV Tupi de São Paulo.

Também foi presença marcante nos programas "Um Instante, Maestro", de Flávio Cavalcanti, e "Almoço com as Estrelas", com Ayrton e Lolita Rodrigues.

Participou, como arranjador e regente, da Jazz Sinfônica de São Paulo.






GUERRA PEIXE: 18/3/1914 Petrópolis, RJ / 26/11/1993 Petrópolis, RJ.
COMPOSITOR, ARRANJADOR, MUSICÓLOGO.

Aos sete anos de idade já tocava violão. Com nove anos de idade começou seus estudos musicais com teoria. Em 1925 ingressou na Escola de Música Santa Cecília em Petrópolis, onde estudou piano.
Mas dedicou-se ao violino, sua verdadeira vocação.
Tornou-se um excelente compositor clássico (foi violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira), mas com significativa atuação na música popular como arranjador, instrumentador e pesquisador.

Escreveu artigos sobre folclore brasileiro e música popular nos jornais "Tempo" e "A Gazeta". É autor da obra "Maracatus do Recife , entre outras.







PODERIA PIXINGUINHA TER INFLUENCIADO MELHORES HERDEIROS?



Minha resposta é NÃO. Melhores, Impossível!

É óbvio que o super time de maestros escalado acima não está completo, pois seria quase uma missão impossível escalar todos os craques numa única partida (ops!) post, ficando de fora nomes como: Lindolfo Gaya, Cyro Pereira, Cipó, Osmar Milandi, Astor, Carioca, Gaó, Chiquinho de Moraes...

Pixinguinha onde quer que esteja deve estar sereno e feliz (a exemplo da foto acima) por ter contribuido para a formação de tantos maestros que nos enchem de orgulho...


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"Em 2000, o Instituto Moreira Salles recebeu a guarda do arquivo pessoal de Pixinguinha, diretamente de sua família.

Composto por documentos pessoais, medalhas, troféus, álbuns com recortes de jornal, centenas de fotos, registros de memória oral realizado por seu filho Alfredo da Rocha Vianna Neto e a flauta utilizada por muitos anos pelo músico, possui em seu núcleo principal um grande lote, com cerca de mil conjuntos de partituras.

Esse é um precioso legado da história do arranjo de música no Brasil, que reafirma sua grandiosidade por meio de sua obra orquestral. Após um cuidadoso processo de digitalização e catalogação, o conjunto está sendo minuciosamente estudado por um colegiado de músicos que dominam a linguagem da música formal e do choro para, em futuro breve, ser entregue ao público revisado e editorado em software de última geração". (IMS).

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Fontes:
- Os Grandes Sambas da História. Fascículos publicados pela Ed. Globo, 1998.
- Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira (na internet).
- Site MPB Cifrantiga.
- Site Instituto Moreira Salles.

Exibições: 1010

Comentário de moacir oliveira em 17 fevereiro 2010 às 14:15

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Comentário de Laura Macedo em 17 fevereiro 2010 às 14:15
Pixinguinha faleceu em pleno carnaval (17 de fevereiro de 1973), dentro de uma igreja, enquanto a Banda de Ipanema desfilava...

Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro fizeram uma belíssima música em sua homenagem: "SOM DE PRATA".


PIXINGUINHA, 37 ANOS DE SAUDADES...
Comentário de Laura Macedo em 17 fevereiro 2010 às 14:19
Moacir,
Cochichando é um dos meus preferidos.
Abraços.
Comentário de elizabeth em 17 fevereiro 2010 às 17:35
lindo Laura, como sempre, bjs
Comentário de Marise em 17 fevereiro 2010 às 18:37
Laura, cada vez me encanto mais com teus posts. É conhecer a vida dos compositores e cantores que apreciamos.
Beijos

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