Os mercenários da Blackwater, o exército secreto da contra-revolução e a rapina do século

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O Globo OnLine, 30/05/2011

Zinjibar

Força Aérea do Iêmen bombardeia cidade cercada pela al-Qaeda

O GloboAgências internacionais

 

SANAA e TAIZ - A Força Aérea do Iêmen bombardeou nesta segunda-feira a cidade de Zinjibar, tomada há dias por rebeldes islâmicos e integrantes da al-Qaeda. Segundo moradores, pontos dominados pelos rebeldes foram atacados. O novo episódio de violência no país acontece no dia seguinte a confrontos entre forças de segurança e manifestantes na cidade de Taiz, onde 15 pessoas morreram no domingo e centenas ficaram feridas.

- A maioria dos feridos foi atingida por balas, mas alguns foram atropelados por tratores - disse uma fonte em um hospital.

Novos protestos eram esperados nesta segunda-feira em Taiz, onde as tropas do presidente Ali Abdullah Saleh destruíram tendas usadas pelos manifestantes e veículos estacionados em uma área de protestos. Manifestantes que exigem a saída do presidente acusaram as forças leais a Saleh de prenderem dezenas nesta segunda-feira em Taiz.

 

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http://www.voltairenet.org/article170094.html

26 de Maio de 2011

Emirados Árabes Unidos formam exército secreto para o Médio-Oriente e África
 

por Manlio Dinucci *


Cada Estado membro do Conselho de Cooperação do Golfo é convidado a contribuir e participar na contra-revolução árabe. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) já enviaram um contingente policial para reprimir as manifestações no Bahrein, e agora irão constituir um exército secreto. Para isso, entraram em contacto com a empresa de mercenários Xe, ou seja, o famoso Blackwater , que foi renomeado.

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Vista de satélite da base de treino em construção, da Xe nos Emirados.

No meio do deserto, em Zayed Military City (EAU), está a nascer um campo de treino para formar um exército secreto que será utilizado não somente dentro do território mas também noutros países do Médio-Oriente e da África do Norte. Erick Prince é quem está a erigir a construção: um ex comando das Navy Seals que tinha fundado, já em 1997, a empresa Blackwater, a maior empresa militar privada utilizada pelo Pentágono no Iraque, Afeganistão e outras zonas de guerra. A empresa, que em 2009 fora renomeada Xe Services, (com o objectivo, entre outros, de escapar ás acções jurídicas após os massacres de civis ocorridos no Iraque) dispõe nos EUA de um enorme complexo de treinamento onde formou já mais de 50 000 especialistas de guerra e repressão. Está agora a abrir outros complexos.

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Em Abu Dhabi, Erick Prince concluiu, sem aparecer pessoalmente mas através da joint-venture Reflex Responses, um primeiro contrato de 529 milhões de dólares (o original datado de 13 de Julho 2010, foi recentemente publicado pelo New York Times[1]. Nesta base, iniciou-se em diversos países (África do Sul, Colômbia e outros) o recrutamento de mercenários para constituir um primeiro batalhão de 800 homens. São treinados nos Emirados por especialistas dos EUA, britânicos, franceses e alemães, vindo de forças especiais e serviços secretos. Estes são pagos entre 200 a 300 000 dólares por ano, e os recrutas 150 dólares por dia. Uma vez provada a eficiência do batalhão em cenário de «acção real», Abu Dhabi financiará a formação de um contingente de vários milhares de mercenários. Prevê-se a construção nos Emirados de um complexo análogo ao daquele existente nos EUA.

O principal apoio deste projecto é o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheik Mohamed bin Zayed al-Nahyan, formado na academia militar britânica Sandhurst e homem de confiança do Pentágono, instigador de uma acção militar contra o Iran. O príncipe e o seu amigo Erick Prince são, no entanto, apenas os executores do projecto, sendo que as mentes que estão por trás encontram-se em Washington. O objectivo real é revelado pelos documentos citados no New York Times: o exército que está a ser formado nos Emirados conduzirá «missões operacionais especiais para reprimir as revoltas internas, do tipo daquelas que estão a abalar o mundo árabe durante este ano».

O exército de mercenários será então utilizado para reprimir as revoltas populares nas monarquias do Golfo, com intervenções como aquelas que foram levadas a cabo em Março pelas tropas dos Emirados, do Qatar e da Arábia Saudita no Bahrain, onde foram esmagadas as demandas populares de democracia. «Missões operacionais especiais» serão efectuadas pelo exército secreto em países como o Egipto e Tunísia, para quebrar os movimentos populares e fazer com que o poder fique em mãos de governos que garantam os interesses dos EUA e das maiores potências europeias. Na Líbia igualmente, onde o plano USA/NATO prevê seguramente o envio de tropas europeias e árabes para a «ajuda humanitária aos civis líbios». Qualquer que seja o cenário - seja uma Líbia «balcanizada» dividida em dois territórios opostos dirigidos por Tripoli e Benghazi, seja uma situação do tipo Iraque-Afeganistão seguindo-se a uma queda do governo de Tripoli - a utilização do exército secreto de mercenários é anunciada: para proteger as implantações petrolíferas que estão de facto em mãos EUA e europeias, para eliminar adversários, para manter o país num estado de fraqueza e de divisão. São «soluções inovadoras» que a Xe Services (ex Blackwater), na sua auto-apresentação, se orgulha de oferecer ao governo EUA.

 
Documentos anexados

 

Contrato de Reflex Responses

(PDF - 6 Mb)

Manlio Dinucci - Geógrafo e geopolítico. Últimas publicações : Geograficamente. Per la Scuola media (3 vol.), Zanichelli (2008) ; Escalation. Anatomia della guerra infinita, DeriveApprodi (2005).
Traduction David Lopes - Fonte Il Manifesto (Itália)


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http://www.voltairenet.org/article169901.html

17 de Maio de 2011

A rapina do século: O assalto aos fundos soberanos líbios
 

por Manlio Dinucci *


O objectivo da guerra na Líbia não é apenas o petróleo, cujas reservas (estimadas em 60 mil milhões de barris) são as mais importantes da África e cujos custos de extracção estão entre os mais baixos do mundo. Nem, tão pouco, o gás natural, cujas reservas são estimadas em cerca de 1500 bilhões de m3. Na mira dos "voluntários" da operação "Protector unificado" também estão os fundos soberanos, os capitais que o Estado líbio investiu no estrangeiro.

Os fundos soberanos geridos pela Libyan Investment Authority (LIA) são estimados em cerca de 70 bilhões de dólares, que sobem a mais de 150 se se incluírem os investimentos estrangeiros do Banco Central e de outros organismos. E poderiam ser ainda mais importantes. Ainda que sejam inferiores aos da Arábia Saudita ou do Kuwait, os fundos soberanos líbios caracterizam-se pelo seu crescimento rápido. Quando a LIA foi constituída em 2006, ela dispunha de 40 mil milhões de dólares. Em apenas cinco anos ela efectuou investimentos em mais de uma centena de sociedades norte-africanas, asiáticas, europeias, norte-americanas e sul-americanas: holdings, bancos, imobiliário, indústria, companhias de petróleo e outras. Na Itália, os principais investimentos líbios foram os efectuados na UniCredit Banca (de que a LIA e o Banco Central líbio possuem 7,5%), na Finmeccanica (2%) e na ENI (1%): estes investimentos e outros (inclusive 7,5% no Juventus Football Club) têm um significado menos económico (montam a cerca de 4 mil milhões de dólares) do que político.

A Líbia, depois de Washington a ter apagado da sua lista dos "Estados bandidos", tentou restabelecer um lugar no plano internacional apoiando-se na "diplomacia dos fundos soberanos". Quando os Estados Unidos e a União Europeia aboliram o seu embargo de 2004 e as grandes companhias de petróleo retornaram ao país, Tripoli pôde dispor de um excedente comercial de cerca de 30 mil milhões de dólares por ano que destinou em grande parte a investimentos no estrangeiro. A gestão dos fundos soberanos, nas mãos de ministros e altos funcionários, criou entretanto um novo mecanismo de poder e corrupção que provavelmente escapou ao controle do próprio Kadafi – o que se confirma pelo facto de que em 2009 este propôs que os 30 mil milhões de dividendos petrolíferos fossem "directamente para o povo líbio". Isto agravou as fraturas internas do governo líbio.

Foi nestas fraturas que se apoiaram os círculos dominantes estado-unidenses e europeus que, antes de atacar a Líbia militarmente para apossar-se da sua riqueza energética, apropriaram-se dos fundos soberanos líbios. Esta operação foi favorecida pelo próprio representante da Libyan Investment Authority, Mohamed Layas. Como revela um telegrama diplomático publicado pela Wikileaks, em 20 de Janeiro Layas informou o embaixador estado-unidense em Tripoli de que a LIA havia depositado 32 bilhões de dólares em banco estado-unidenses. Cinco semanas mais tarde, a 28 de Fevereiro, o Tesouro estado-unidense "congelou-os". Segundo as declarações oficiais, esta é "a maior soma de dinheiro alguma vez já bloqueada nos Estados Unidos", que Washington mantém "em depósito para o futuro da Líbia". Ela servirá na realidade para uma injecção de capitais na economia estado-unidense, cada vez mais endividada. Alguns dias mais tarde, a União Europeia "congelou" cerca de 45 bilhões de euros de fundos líbios [NR] .

O assalto aos fundos líbios terá um impacto especialmente forte na África. Neste continente, a Libyan Arab African Investment Company efectuou investimentos em mais de 25 países, dos quais 22 na África sub-sahariana, programando aumentá-los nos próximos cinco anos, sobretudo nos sectores mineiro, manufactureiro, turístico e no das telecomunicações. Os investimentos líbios foram decisivos na realização do primeiro satélite de telecomunicações da Rascom (Regional African Satellite Communications Organization) que, colocado em órbita em Agosto de 2010, permite aos países africanos começarem a tornar-se independentes das redes de satélites estado-unidenses e europeias, realizando assim uma economia anual de centenas de milhões de dólares.

Ainda mais importantes foram os investimentos líbios na realização de três organismos financeiros lançados pela União Africana: o Banco Africano de Investimento, cuja sede é em Tripoli; o Fundo Monetário Africano, com sede em Yaundé (Camarões); o Banco Central Africano, instalado em Abuja (Nigéria). O desenvolvimento destes organismos devia permitir aos países africanos escaparem ao controle do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, ambos instrumentos de dominação neo-colonial, e devia assinalar o fim do franco CFA, a moeda que 14 ex-colonias francesas são obrigadas a usar. O congelamento dos fundos líbios assesta uma pancada muito dura em todo o projecto. As armas utilizadas pelos "voluntários" não são apenas as da operação "Protector unificado".

 

Manlio Dinucci  - Geógrafo e geopolítico. Últimas publicações : Geograficamente. Per la Scuola media (3 vol.), Zanichelli (2008) ; Escalation. Anatomia della guerra infinita, DeriveApprodi (2005).

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