A polícia grega atirou hoje (06/12) bombas de gás lacrimogêneo contra dezenas de manifestantes em Atenas que responderam com bombas caseiras e pedras, enquanto centenas marchavam ao Parlamento para lembrar a morte de um estudante pela polícia, em 2008. Naquele ano, o assassinato de Alexandros Grigoropoulos, aos 15 anos, desencadeou os piores tumultos no país em décadas. Segundo a polícia, duas pessoas ficaram feridas. Confrontos irromperam entre manifestantes e policiais em outras áreas da capital grega e na cidade de Salônica, no norte do país. Manifestantes gritavam palavras de ordem contra as medidas de austeridade do governo e seguravam cartazes com frases como "Revolução Social Agora" ao marchar para o Parlamento. As bolsas europeias iniciaram hoje em trajetória de baixa após a ameaça da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P ) de rebaixar a nota de seis países da zona do euro considerados "AAA", incluindo Alemanha e França. A notícia aconteceu como uma bomba porque ocorreu às vésperas da cúpula da União Europeia que visa atacar a raiz dos problemas da dívida. A chanceler alemã, Ângela Merkel, evitou comentar a ameaça de rebaixamento da nota de seu país, considerado pelo mercado como um “oásis de tranquilidade”. Segundo a chanceler, “as decisões da agência de classificação norte-americana são de sua responsabilidade”. O primeiro-ministro francês, François Fillon, acredita que a Europa tem que reduzir as suas dívidas para emergir da crise em que se encontra. Ontem, o ministro de Finanças francês, François Baroin, garantiu ao canal France 3 que o alerta da S&P não levará o governo a decretar um terceiro plano de austeridade: “Temos margem para uma eventual desaceleração econômica”, afirmou. “Tudo foi feito para permitir que os bancos mantenham a irrigação da atividade econômica”, acrescentou. O ministro também garantiu que a “poupança francesa” será preservada. "Fazemos o necessário para permitir que os bancos sigam irrigando a atividade econômica e vamos prosseguir assim. Não haverá necessidade de uma participação estatal na capitalização dos bancos", prometeu Baroin. Ontem, a Itália apresentou o seu pacote de austeridade fiscal que pretende economizar € 30 bilhões. Segundo o primeiro-ministro italiano, Mário Monti, Roma teria uma crise como Atenas caso não adotasse o pacote. Ele reconheceu que os cortes de gastos podem limitar o crescimento econômico, mas que isso seria equilibrado com a melhora na “confiança de investidores”, o que ajudará a economia. No mesmo dia o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã anunciaram no Palácio do Eliseu que chegaram a um acordo para “salvar o euro”, “reforçar e harmonizar” a integração fiscal e orçamentária da Europa. Eles disseram que será necessário estabelecer um novo tratado para a União Europeia até março. A mudança inclui sanções aos que não cumprirem o equilíbrio de suas contas públicas, além de reuniões mensais dos chefes de Estado e de governo durante a crise que pode incluir os 27 países do bloco ou apenas os 17 integrantes da zona do euro, com os demais aderindo voluntariamente. “Queremos sanções automáticas pra o caso de não respeitarem a regra dos déficits inferiores a 3% (do Produto Interno Bruto)”, disse Sarkozy, ressaltando que o Tribunal de Justiça europeu “não poderá anular nem declarar ilegal um orçamento, mas poderá dar sua opinião sobre se a regra de ouro nacional está adequado ao tratado. Segundo Sarkozy, desta forma será respeitado a soberania, mas também a moeda. Na sexta-feira (2), os jornais franceses criticaram o discurso feito na véspera em Toulon pelo presidente quando propôs a necessidade de “refundar a Europa” (acima). O matutino “Les Echos” qualificou o discurso como mais político que econômico, sobretudo pelo desenho adiantado de "um caminho estilo à alemã para os próximos anos". Sarkozy criticou vários acordos do bloco, entre eles o de Schengen sobre a livre circulação de pessoas, e o qualificou de imperfeito. "Recusamos-nos a desvanecer nossas fronteiras" e "não aceitaremos uma imigração descontrolada que arruinará nossa proteção social e desestabilizará nossa sociedade", contido no discurso do líder francês, foi interpretado como uma fórmula para atrair o eleitorado da Frente Nacional, de direita. Por sua vez, o jornal “Lâ Öhumanité” condenou o projeto do governante em alterar o financiamento dos benefícios sociais. Segundo Sarkozy, o Estado não poderá arcar com o sistema de proteção social como antes. A destruição do programa de Bem Estar Social construído após a Segunda Guerra Mundial tem ainda o seu peso na Europa e sobreviveu durante o auge do neoliberalismo liderado pelo Reino Unido. Na última quinta-feira, a Insee, agência de estatísticas francesa, divulgou que a taxa de desemprego no país subiu de 9,1% no segundo trimestre para 9,3% no terceiro. Do outro lado da fronteira, o ex-chanceler social-democrata da Alemanha Helmut Schmidt fez anteontem um apelo aos alemães para que acalmem o que chamou de crescentes temores de hegemonia alemã na Europa e para que o país auxilie os parceiros endividados na zona do euro. "Se nos deixarmos seduzir pela tomada de um papel de liderança na Europa, nossos vizinhos se colocarão contra nós", disse Schmidt, de 92 anos, sentado em sua cadeira de rodas em discurso para membros do seu partido, o Social Democrata. “Precisamos mostrar nosso coração a nossos amigos e vizinhos. E esse é o caso especialmente na Grécia", acrescentou. 
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, participou hoje em Beirute das festas xiitas da Ashura, em sua primeira aparição pública desde 2008. Ele presidiu no subúrbio da zona sul da capital libanesa as celebrações das festividades e discursou. O líder do grupo guerrilheiro tem feito raras aparições públicas desde que o Hezbollah travou uma guerra com Israel em 2006. Desde então, ele tem se comunicado com seus seguidores através de gravações enviadas por satélite. "Eu queria estar com vocês por alguns minutos para renovar nosso compromisso e para o mundo nos escutar", disse Nasrallah. Ele afirmou que sua aparição pública era uma mensagem para aqueles que acreditam que podem "ameaçar" seus seguidores. A aparição do líder do Hezbollah tem o objetivo de reafirmar a autoconfiança do grupo em um momento de agitação no mundo árabe, especialmente na Síria, que, assim como o Irã, apoia o Hezbollah. Sírios e árabes da região elevaram nos últimos anos Nasrallah ao status de herói, depois da guerra de 2006 contra Israel, quando o grupo conseguiu que os soldados israelenses recuassem do front de batalha. Hoje o jornal "The Washington Post", citando fontes governamentais, publicou que o avião não tripulado perdido pelos Estados Unidos no Irã era usado pela CIA (agência de inteligência americana) para missões secretas. Anteontem, a TV estatal iraniana divulgou que Teerã havia abatido o avião. Os Estados Unidos e a Otan admitiram que tinham perdido contato com um de seus aviões não tripulados, mas não deram mais detalhes sobre o modelo e a região onde ele teria se perdido. "Os informantes disseram que aparentemente os militares do Irã têm agora em suas mãos um dos aparatos de espionagem mais avançados na pequena frota da CIA, um avião desenhado para evadir as defesas inimigas", publicou o jornal. A CIA utilizou os aviões não tripulados RQ170 para missões clandestinas no espaço aéreo de outros países, inclusive a observação durante meses de um prédio no Paquistão onde estava escondido o chefe da Al Qaeda, Osama bin Laden. Em Teerã, um grupo de deputados ameaçou retaliar os diplomatas da União Europeia e de outros países que visitaram na última quinta-feira as dependências da embaixada britânica invadida dois dias antes por jovens radicais islâmicos. De acordo com informações da página da televisão iraniana em espanhol HispanTV, os deputados preparam um projeto de lei no Parlamento (acima) para atuar contra os 25 embaixadores que participaram da visita, que classificam como "um vergonhoso, imprudente e antidiplomático carnaval". "Estes embaixadores transformaram as ruas de Teerã em palco de correrias e incursões vergonhosas, imprudentes e alheias a diplomacia", disse a deputada iraniana Fatemeh Alia. Para ela, a invasão da embaixada britânica no dia 29 de novembro foi "a reação espontânea de um grupo de estudantes". Além dos representantes diplomáticos da União Europeia, se uniram à visita diplomatas da Turquia, Brasil, México, Suíça, Canadá e Austrália, com a permissão das autoridades do Reino Unido e após comunicar ao Ministério de Relações Exteriores do Irã, que deu seu sinal verde. No mesmo dia o Irã avisou o Reino Unido que terá de "aceitar as consequências" do fechamento de sua embaixada em Teerã e da expulsão de todos os diplomatas iranianos de Londres e advertiu aos demais países europeus que "não sigam a mesma linha política dos britânicos”. Para o chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, Alaedin Boroujerdi, a atuação da Polícia iraniana no ataque à embaixada do Reino Unido da terça-feira passada em Teerã foi muito melhor do que a da (Polícia) britânica em 1980, quando do ataque terrorista a sede diplomática iraniana em Londres com dois diplomatas mortos. A ameaça não teve resultado. A União Europeia aceitou impor novas sanções ao Irã. Reunidos em Bruxelas, ministros de Relações Exteriores dos países do bloco concordaram com lista de alvos que inclui 180 autoridades e empresas iranianas. Os chanceleres não chegaram, porém, a um acordo para a imposição de um embargo à comercialização de petróleo. Anteontem, o Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou que se o Ocidente pretende bloquear a capacidade de Teerã em exportar petróleo, o preço global da matéria-prima iria mais do que dobrar. "Um assunto tão sério elevaria o preço do petróleo para cerca de US$ 250 dólares o barril", disse Ramin Mehmanparast, porta-voz do ministério, ao jornal "Sharq". "Impor sanções ao óleo e gás está entre as sanções que, se alguém quiser adotá-las, as consequências devem ser totalmente consideradas antes de ser tomada alguma ação”, acrescentou. Na última quinta-feira (1), o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que seu país não planeja um ataque iminente ao Irã, mas não descarta o uso da força militar para impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares. "Não temos intenção, no momento, de agir, mas o Estado de Israel está longe de estar paralisado pelo medo", disse Barak à Rádio Israel. "Deve-se agir com calma e tranquilamente. Não precisamos de grandes guerras", acrescentou. Na véspera, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Martin Dempsey, disse que Israel possivelmente não avisaria Washington antecipadamente caso pretenda atacar o Irã. Dempsey também admitiu haver diferenças entre Israel e EUA a respeito de como lidar com o Irã, e que Washington ainda acredita em uma solução baseada na pressão diplomática e na imposição de sanções, embora sem descartar uma ação militar. "Israel ficaria muito contente se as sanções e a diplomacia levassem a liderança iraniana a uma decisão clara de abandonar seu programa nuclear militar", disse Barak. "Infelizmente, acho que isso não vai acontecer", acrescentou. O Irã já alertou que bombardeará Israel e alvos regionais norte-americanos como retaliação a um eventual ataque às suas instalações nucleares. Anteontem, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu aos futuros governantes do Egito que mantenham o tratado de paz com Israel, após grupos islâmicos assumirem a liderança na primeira rodada de eleições do país. "Esperamos que qualquer futuro governo do Egito reconheça a importância de manter o tratado de paz com Israel como base para a segurança regional e estabilidade econômica", disse Netanyahu em seus primeiros comentários sobre o tema desde a eleição egípcia. Na sexta-feira (2), o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, se mostrou preocupado com o crescente “isolamento” de Israel dos seus vizinhos no Oriente Médio. "Desafortunadamente, no ano passado, o mundo assistiu ao crescimento do isolamento de Israel em relação a seus tradicionais sócios da região e a busca pela paz no Oriente Médio foi interrompida", declarou Panetta, se referindo especificamente ao Egito e à Turquia. 
Um dia após o regime sírio aceitar a entrada de observadores estrangeiros da Liga Árabe, os Estados Unidos voltaram hoje (6) a pressionar o governo do presidente Bashar al-Assad. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu a sua renúncia, afirmando que o povo sírio merece ter seus direitos respeitados. “Uma transição democrática inclui mais que a retirada do regime Assad. Significa colocar a Síria no caminho para o Estado de lei e de proteção dos direitos universais de todos os cidadãos, independente do grupo étnico e do gênero”, afirmou Hillary, antes de se encontrar com membros da oposição síria, em Genebra, na Suíça. No mesmo dia uma autoridade estadunidense informou que o embaixador dos Estados Unidos na Síria, Robert Ford, voltará hoje à noite a Damasco. "O embaixador Robert Ford terminou suas consultas em Washington e está retornando a Damasco nesta noite", informou a fonte. Ford deixou o país precipitadamente no fim de outubro devido a "ameaças confiáveis contra sua segurança pessoal". Vários países árabes e europeus convocaram desde então seus embaixadores para consultas. Em entrevista ao jornal “The Wall Street Journal” na semana passada, o principal grupo de oposição sírio afirmou que, se chegar ao poder, estaria disposto a revisar as relações de Damasco com o Irã e com o Hezbollah libanês. Não existirão relações privilegiadas com o Irã", afirmou Burhan Ghalioun, presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), um organismo que reúne os principais movimentos de oposição do país. "Romper as relações privilegiadas significa o fim da aliança estratégica militar", completou Ghalioun, 66 anos, entrevistado em Paris, onde mora. Ontem, a Síria "respondeu positivamente" à exigência da Liga Árabe de enviar observadores ao país para garantir a organização de um plano que pretende acabar com a crise. Na semana passada, a Assembleia Geral da ONU reafirmou sua exigência de uma retirada total de Israel da zona ocupada das Colinas do Golã, pertencentes a Síria, voltando às fronteiras de 4 de junho de 1967. “Essa retirada é essencial para chegar a uma paz justa e integral com Israel, à qual está disposta Síria”, disse Bashar al-Jaafari, representante sírio nas Nações Unidas. O documento foi aprovado na quinta-feira por 120 nações, com o voto negativo de sete incluídos os dos Estados Unidos e Israel, e 53 países se abstiveram, entre eles membros da União Europeia. A Assembleia Geral ratificou o princípio que proíbe anexar terras pela força conforme as leis internacionais, a Carta da ONU e a Convenção de Genebra, no relacionado com a proteção de civis em tempos de guerra no Golã sírio ocupado. Igualmente, o texto condena Israel por não cumprir, até agora, o estipulado pela Resolução 497 de 1981, segundo a qual a decisão de Tel Aviv de impor sua tutela, vontade e lei no Golã Sírio é uma ação inválida e nula, e um procedimento totalmente ilícito. No dia seguinte, em visita à Turquia, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu ao líder sírio, Bashar al Assad, que abandone o poder a favor de uma "transição pacífica". "A posição dos Estados Unidos sobre a Síria é clara: o regime sírio deve pôr fim à repressão contra seu próprio povo, e o presidente Assad deve deixar seu cargo", disse Biden ao jornal turco “Hurriyet”. "Uma estabilidade durável não pode ser assegurada (na Síria), salvo com a chegada ao poder de um governo que escute e se coloque à disposição de seu povo, em vez de apontar uma arma", acrescentou. Ele visitou o túmulo do general Kamal Ataturk, o líder turco que “ocidentalizou a Turquia” após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (acima). No mesmo dia, ao abrir uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, insistiu na "necessidade urgente" de que a Síria "preste contas" por crimes contra a humanidade, numa referência ao Tribunal Penal Internacional do qual Washington não é signatário. "Segundo fontes confiáveis, até agora 307 crianças foram mortas pelas forças de segurança. Novembro foi o mês mais letal, com 56 crianças mortas", declarou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que integra a Comissão Internacional de Investigações sobre a Síria. Na quinta-feira (1), o governo sírio suspendeu o acordo de livre comércio concluído com a Turquia em uma medida de retaliação pelas sanções adotadas por Ancara contra Damasco. Na véspera, a Turquia, um dos principais parceiros econômicos da Síria, anunciou uma série de sanções econômicas contra o regime sírio, assim como fez a Liga Arabe. Dentre as medidas estão a suspensão das transações comerciais e das linhas de crédito com o governo de Damasco e entre os bancos centrais de ambos os países. Ao anunciar na quarta-feira as medidas, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que o governo do presidente Bashar al-Assad chegou "ao fim da estrada". A Turquia é um dos locais que serão utilizados pelos estadunidenses para instalar um sistema de antimísseis na Europa. Hoje, o porta-aviões russo "Almirante Kuznetsov" deixou a base naval de Severomorsk, no mar de Barents, com destino ao mar Mediterrâneo, viagem que inclui como escala a base militar que a Rússia possui na Síria. "Com a saída do porta-aviões, começa a formação da esquadra que será integrada, além da embarcação Kuznetsov, pelo navio de guerra 'Almirante Chabanenko' e outros navios de abastecimento", detalhou o porta-voz da Frota do Norte russa, o capitão Vadim Serga, entrevistado pela agência de notícias Interfax. "A escala em nossa base no porto sírio de Tartus é técnica, necessária para o abastecimento de combustível, água e alimentos. A bordo dos navios só haverá armamento e pessoal regulamentados. Não está previsto o desembarque de militares ou atividades com os marinheiros sírios", destacou o Ministério da Defesa russo.
Ao menos 30 pessoas morreram, incluindo crianças, após uma explosão hoje (6) na entrada de um santuário xiita em Cabul, no Afeganistão. O ataque aconteceu na entrada de um dos santuários xiitas da capital afegã, onde os fiéis estavam reunidos por ocasião da festa da Ashura, uma das mais importantes do islamismo xiita. De acordo com fontes dos serviços de segurança, um homem-bomba detonou explosivos na entrada do santuário. No Afeganistão, os xiitas representam 20% da população. Outra explosão deixou também hoje quatro mortos e quatro feridos no centro de Mazar i Sharif, a principal cidade da região norte do Afeganistão, perto do principal santuário da cidade, respeitado por sunitas e xiitas. Ontem, a comunidade internacional prometeu continuar apoiando financeiramente o Afeganistão durante os dez anos posteriores à saída das tropas internacionais do país, agendada para 2014, mas cobrou contrapartidas, como o “combate à corrupção” e ao “tráfico de drogas”, além de “reformas políticas”. A reunião foi em Bonn, na Alemanha, mesmo local de quando houve o início da Guerra do Afeganistão, e teve a presença da chanceler Ângela Merkel e da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton (acima). Além da Alemanha, a União Europeia (UE) e os EUA, entre outros, se comprometeram a fornecer ajuda a longo prazo. O âmbito exato do auxílio econômico deverá ser discutido numa conferência dos países doadores agendada para o próximo ano em Tóquio. Merkel também apelou para que haja avanços e mais esforços na política de reconciliação com o Talibã. “Somente os próprios afegãos podem resolver esse problema”, ressaltou. Clinton exigiu reformas políticas e se referiu aos recursos limitados que os países doadores dispõem atualmente. Ele disse que as reformas políticas são condição para a ajuda financeira. “Muitos países aqui reunidos estão vendo que a comunidade internacional também tem que lutar contra suas restrições orçamentárias”, sublinhou. Em seu discurso no início da conferência, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que seu país dependerá de ajuda internacional pelo menos nos próximos dez anos. Entretanto, ele acrescentou que “os afegãos não querem se aproveitar da generosidade da comunidade internacional um dia além do absolutamente necessário”. Pouco antes do início da conferência, ele afirmara que seu país necessita de pelo menos US$ 5 bilhões por ano de assistência internacional. Seu ministro das Finanças, Omar Sakhilwal, disse à margem da conferência que será necessária, após 2014, “uma fração” do valor atual dos gastos militares internacionais no país, que estariam, segundo ele, em mais de US$ 100 bilhões por ano. O evento foi ofuscado pelo boicote do Paquistão. O governo em Islamabad cancelou sua participação em protesto ao ataque da Otan a dois postos militares, incidente que matou 24 soldados paquistaneses. Clinton lamentou a decisão. “A região inteira está interessada no futuro do Afeganistão e teria muito a perder se o Afeganistão se transformar novamente numa fonte de terrorismo e de instabilidade”, alertou. O Irã, outro poderoso vizinho do Afeganistão, esteve representado em Bonn, apesar da atual disputa em torno de seu programa atômico. O ministro do Exterior iraniano, Ali Akbar Salehi, pediu a retirada de todas as tropas estrangeiras do Afeganistão e afirmou que a presença delas não trouxe paz e segurança ao país. Ele acusou os soldados internacionais de fazerem ataques a civis. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também alertou as tropas lideradas pela Otan para que não ponham as vidas de civis inocentes em perigo. Nem todos os delegados compartilharam a avaliação confiante da Otan com relação à situação da segurança no Afeganistão. “Não acho que temos muitos motivos para otimismo, já que a situação no Afeganistão ainda é preocupante “, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. De acordo com números da Otan, os ataques de insurgentes nos últimos meses diminuíram. Mas segundo estatísticas da ONU, a violência no Afeganistão voltou a aumentar dramaticamente este ano. Na semana passada, o Paquistão, ainda enfurecido pelo ataque da Otan, informou que pode deixar de apoiar a "guerra ao terror" travada pelos EUA na região, caso a sua soberania volte a ser violada. "Já chega", afirmou a chanceler Hina Rabbani Khar ao Senado paquistanês, segundo relato do jornal "The News". "O governo não vai tolerar nenhum incidente que derrame uma só gota do sangue de um civil ou um soldado", acrescentou. A chefe da diplomacia paquistanesa disse que o papel do Paquistão na guerra ao terror não deve ser ignorado, num recado claro aos Estados Unidos e à Otan. Para acirrar a crise, dois paquistaneses foram mortos foram mortos na madrugada desta quinta-feira no Afeganistão, e guardas de fronteira do Paquistão disseram que a Otan pode ter sido responsável. A Otan não se pronunciou. No sábado, helicópteros e caças da Otan atacaram duas guarnições militares paquistanesas na região da fronteira, no pior incidente desde 2001. Militares paquistaneses disseram que se tratou de uma agressão deliberada, algo que o general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior dos EUA, negou categoricamente. Na véspera, o chefe do exército do Paquistão, Ashfaq Parvez Kiyani, afirmou que suas tropas vão responder "com toda sua força" se voltarem a ser atacadas pela Otan. "Não vamos deixar o agressor escapar facilmente", garantiu o general no texto, publicado pelo jornal paquistanês "Dawn". No mesmo dia a explosão de um carro-bomba perto da entrada de uma base da Otan deixou 70 feridos, em sua maioria civis, ao sul de Cabul, a capital do Afeganistão.
O Partido Socialista Unido da Venezuela comemora hoje (6) os 13 anos da Revolução Bovariana iniciada após a vitória nas urnas do presidente Hugo Chávez. O líder venezuelano ligou para o seu colega russo, Dimitry Medvedev, e para o primeiro-ministro Vladimir Putin para parabenizá-los pela “contundente” vitória nas eleições legislativas de domingo. Em nota emitida pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, Chávez afirmou que, dessa forma, "a Assembleia Nacional aprofundará o projeto político que tem feito ressurgir a Rússia no século 21". O líder venezuelano também felicitou o povo e o governo do país pelo processo eleitoral, que contou com "uma alta participação popular" e no qual o partido Rússia Unida obteve 49% dos votos. O texto destacou que o pleito converterá a Rússia "numa potência fundamental para a construção de um mundo multipolar, democrático e pacífico que os nossos povos aspiram". "A vitória serve de impulso para fortalecer ainda mais os vínculos políticos e a ampla cooperação que existe com a Federação da Rússia, produto de uma aliança estratégica que tem facilitado a execução de projetos em áreas vitais para o desenvolvimento como moradia, energia e financiamento agrícola e industrial", enfatizou a nota. Nos próximos dias 7 e 8 de dezembro, ambos os países realizarão a 8ª Reunião da Comissão Intergovernamental de Alto Nível, com sede em Moscou. Na semana passada foi realizada a 1ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Durante o encontro, a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil aumentou em 25% o comércio com os países latino-americanos. Para a líder brasileira, a integração regional atuará como “motor” para o desenvolvimento dos 33 países da América do Sul e do Caribe. Segundo ela, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável devem orientar as propostas das parcerias firmadas no âmbito da região. "A integração produtiva com os países vizinhos é uma parte essencial de nossa estratégia para encontrar o crescimento e a capacitação de pessoas para tirá-las da pobreza e proporcionar oportunidades", disse Dilma. A presidente afirmou que aposta na integração como “motor de desenvolvimento”. “Eu considero que estamos numa outra fase. Nós podemos construir uma integração que seja realmente produtiva e que nos leve ao crescimento das economias e dos nossos povos. E nos leve a um processo que não seja a exploração de um país por outro”, disse Dilma. Segundo ela, os países da América Latina podem alcançar papel estratégico no cenário internacional não apenas por suas taxas de crescimento elevadas, mas porque substituíram suas teses sobre o desenvolvimento. Citando o economista Celso Furtado, ela lembrou que o verdadeiro caminho para o desenvolvimento é crescer com inclusão social e distribuição de renda. “Nunca antes tivemos uma oportunidade tão grande para fazer com que este continente tenha uma importância e um papel estratégico no plano internacional. Não só porque, ao contrário de muitos outros países, incluindo os desenvolvidos, somos um continente com taxas de crescimento elevadas em relação aos Estados Unidos e à Europa, mas, sobretudo, porque mudamos nossa concepção de crescimento econômico. Abandonamos a tese de que era possível aos nossos países crescer sem que nossos povos usufruíssem”. “Queria lembrar que, há duzentos anos, num dia importantíssimo, Caracas surgia como um farol para a defesa da luta das colônias americanas. E creio que o sonho de Bolívar [Simon], que as novas nações latino-americanas podiam governar-se de forma autônoma, agora está mais maduro”, adiantou. No mesmo dia Brasil e Venezuela assinaram 11 acordos que envolvem a construção de casas populares, ações nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, petróleo, energia, o incremento das relações comerciais e econômicas. O mais importante deles prevê a compra de até 20 aviões da Embraer para uso comercial, do tipo 190-AR, pela Conviasa, a empresa estatal responsável pelo transporte aéreo no país. Na conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez (acima), foram destaque as obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que até agora não houve aporte venezuelano. Os Estados Unidos divulgou que veem como um sócio em potencial a Celac. "Os grupos subregionais são potencialmente importantes representantes do hemisfério e podem ser sócios úteis para os Estados Unidos", disse o porta-voz para América Latina, William Ostick, através de uma mensagem enviada pelo correio eletrônico. "Esse tipo de parceria ajuda a resolver problemas de forma construtiva", acrescentou. Em coletiva de imprensa do Departamento de Estado, outro porta-voz, Mark Toner, disse que os Estados Unidos "continua obviamente trabalhando através da OEA como a organização multilateral preeminente na região". Ainda no âmbito da América do Sul, haverá a integração das redes de fibras óticas dos países do continente que criará um anel neutro para a transmissão de dados na região. Ele permitirá que diversas prestadoras de serviços de telecomunicações possam utilizar a estrutura, sem precisar recorrer às redes dos Estados Unidos. A assinatura do convênio foi dentro da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). De acordo com a proposta brasileira, haverá pontos de troca de tráfego (PPTs) em cada lado das fronteiras para dar entrada a essas companhias nessa nova estrutura regional. "Queremos baixar os preços, estender a abrangência territorial do serviço e aumentar a largura de banda disponível para a população", afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, durante reunião de ministros da Unasul na semana passada em Brasília. Segundo o ministro, pela necessidade de trafegar por redes que passam pela América do Norte, atualmente um provedor sul-americano paga pelo menos três vezes mais pela conectividade internacional do que um provedor localizado nos Estados Unidos. "Essa não é uma situação racional, seja do ponto de vista econômico, seja do ponto de vista estratégico e da proteção de nossas informações", acrescentou.
Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 6 de dezembro de 2011, Dia de São Nicolau.
Tico: No dia de hoje foi fundada a cidade de San Francisco de Quito, mais conhecida como Quito, a capital do Equador. A partir de 2008 ela passou a ser também capital da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A cidade se situa na bacia do rio Guayllabamba nas inclinações orientais do Pichincha (4794 metros), um vulcão ativo na Cordilheira dos Andes. A Praça da Independência se situa a 2850 metros acima do nível do mar. Quito é a segunda cidade importante mais elevada do mundo. Foi fundada pelo espanhol Sebastián de Benalcázar. Há 477 anos.
Teco: No dia de hoje a ditadura militar no Brasil aprovou, há 45 anos, o projeto de Constituição redigido pelo ministro da Justiça, Carlos Medeiros da Silva, e pelo jurista Francisco Campos. No ano seguinte, a Carta Magna foi referendada pelo Congresso Nacional.
Bytes: No dia de hoje o tenente-coronel Hugo Chávez foi eleito presidente da Venezuela pelo Movimento V República. Há 13 anos.
Aparecida: No dia de hoje o sindicalista indígena Evo Morales foi reeleito presidente da Bolívia. Há 2 anos.
Bytes: Depois de passar por dois tremores de terra e outras batalhas, os ornamentos do teto do convento Santo Agostinho de Quito, construído há 300 anos, passarão por uma restauração de 18 meses num projeto que unirá Equador e Espanha. Segundo a tradição, quando as tropas ocuparam o prédio na Guerra dos Quatro Dias "os soldados disparavam como distração no teto decorativo". Os ornamentos apresentam quadrados, símbolo da terra, da ordem e da segurança, e octógonos, uma figura intermediária entre o quadrado e o círculo, que simboliza uma mediação entre dois mundos. Estas duas figuras se repetem em uma composição que sempre forma uma cruz, símbolo por excelência do cristianismo. Segundo o líder do convento, Patrício Villalba, tudo possui uma mensagem teólogica. “A religiosidade é muito presente nos elementos decorativos, não é algo somente para ser lindo. Há uma mensagem nele", explicou. "Aqui continua vivendo uma comunidade religiosa, que segue interagindo com a sociedade. Não devemos olhar somente para os fatos do passado, que ocorreram há 200 ou 300 anos, mas pela vitalidade do espaço", acrescentou.
Aparecida: Hoje é dia de São Nicolau de Mira, Padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega. É o patrono dos guardas noturnos na Armênia e dos coroinhas na cidade de Bari, na Itália, onde se acredita que os seus restos mortais estejam sepultados. Nascido na Turquia, ele foi encarcerado durante o Império Romano, sob a gestão de Diocleciano, por se recusar a negar sua fé em Jesus Cristo. Após a subida ao poder de Constantino, Nicolau voltou a enfrentar oposição, desta vez da própria Igreja Católica. Diante de um debate com outros líderes eclesiásticos, Nicolau esbofeteou um de seus oponentes. Isso o impediu de permanecer como um líder da Igreja. Nicolau, porém, exerceu a sua fé na caridade, prestando auxílio a crianças e outros necessitados.A ele foram atribuídos vários milagres, sendo daí proveniente sua popularidade em toda a Europa, principalmente entre as crianças. Por isso sua imagem foi transformada num ícone do Natal: o Papai Noel.
Bytes: Falando em Papai Noel, as crianças húngaras receberam hoje presentes do “bom velhinho”. Na sexta-feira, elas foram até o aeroporto de Budapeste para esperar o Papai Noel que veio da Lapônia e da Finlândia (acima). Todas sonhando com as novidades que ele trouxe na sacola, um ícone para povoar a imaginação dos baixinhos.
Aparecida: Falando em Papai Noel, a atividade do comércio no Brasil cresceu 1,5% em novembro em relação a outubro, já descontadas as influências sazonais. O indicador foi divulgado ontem pela Serasa. O bom desempenho do varejo foi influenciado pela alta de 4,5% no movimento dos consumidores nas lojas de veículos, motos e peças no mês passado. O setor de material de construção continua na liderança, seguido pelos desempenhos de combustíveis e lubrificantes, além de móveis, eletroeletrônicos e informática. Eu leio as notícias todos os dias.
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 6 de dezembro de 1961, há exatamente “meio século”, cuja manchete foi “Muralha chinesa de isolamento econômico”: “Mais de cem mil pessoas participarão, amanhã, de gigantescas manifestações contra a mutilação do Plano-Diretor da Sudene. Tôdas as classes sociais tomarão parte no comício, que será realizado na Av. Dantas Barreto. Recife parará completamente. As casas comerciais, bancos e indústrias deixarão de funcionar, segundo se anuncia. O movimento tem o objetivo de alertar a Câmara Federal para que rejeite as emendas de autoria do senador Argemiro de Figueiredo. A cidade amanheceu hoje repleta de cartazes e faixas alusivas à grande campanha, liderada pelo prefeito Miguel Arraes, e que conta com o apoio das classes conservadoras, do operário, intelectuais e profissionais liberais”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 6 de dezembro de 2011, 50 anos depois: “Crise europeia ameaça rebaixar até Alemanha. Agência alerta para aperto no crédito, dívidas e recessão no continente”. 
Tico: O presidente Obama conseguirá controlar os bancos?
Teco: Pergunte ao Federal Reserve. Para os capitalistas, meia palavra basta.
Bytes: O Obama vai iniciar nesta semana uma campanha na imprensa pela aprovação de seu indicado Richard Cordray para o comando do Departamento de Proteção do Consumidor Financeiro, uma nova agência governamental para a fiscalização dos bancos.
A estratégia da Casa Branca para pressionar os senadores republicanos a aprovarem a indicação será fazer um apelo direto aos eleitores. "Pretendemos defender agressivamente a confirmação do sr. Cordray, diretamente junto ao povo norte-americano", disse os jornalistas Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca.
Aparecida: Na quinta-feira o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que o número de estadunidenses solicitando auxílio-desemprego cresceu pela segunda semana consecutiva, num sinal de que o mercado de trabalho no país está se recuperando num ritmo lento e incerto. Uma pergunta: Como é que depois o resultado foi queda no desemprego?
Bytes: Foi porque 315 mil trabalhadores deixaram de procurar emprego. Como aqui no Brasil, o índice de desemprego só considera as pessoas que estão procurando emprego. Os Estados Unidos possuem um exército reserva de mão de obra de mais de 13 milhões de desempregados, com um tempo médio sem trabalho de 40,9 semanas, um patamar historicamente alto. Segundo o Paul me explicou pelo Twitter, há muita resistência do setor produtivo em contratar trabalhadores.
Aparecida: Ah, entendi! Deve ser por isso que houve crítica ao Obama por ele não ter sido muito “eufórico” com o percentual que apresentou queda no desemprego.
Bytes: No sábado, o Obama aumentou sua pressão junto aos republicanos em seu programa de rádio. Ele disse que é essencial um corte de impostos para os trabalhadores, a fim de ajudar a frágil economia. "Agora é a hora de pisar no acelerador, não pisar no freio", afirmou em seu programa transmitido pela Internet. Em visita à Pensilvânia na quarta-feira, Obama pediu aos republicanos que não ajam como o "Grinch", o personagem de livros infantis que detesta o espírito de Natal. "Não votem pelo aumento de impostos sobre os trabalhadores estadunidenses durante suas férias", disse Obama aos republicanos, num discurso para eleitores de classe média em Scranton.
Aparecida: Falando em Natal e na Pensilvânia, um empresário que se identifica apenas como “Papai Noel Secreto” antecipou o Natal em Reading, distribuindo notas de US$ 100. Segundo a rede de TV ABC, Reading é uma das cidades mais pobres dos Estados Unidos, com cerca de 65 mil dos 90 mil habitantes considerados pobres, de acordo com o último censo. O Papai Noel não identificado disse ter lido sobre a situação dos moradores da cidade e passou a terça-feira passada distribuindo dinheiro aos mais necessitados.
Bytes: O governo dos Estados Unidos está construindo um prolongado muro que entra quase cem metros dentro do mar na fronteira com o México. O projeto “Cerca do surfe” pretende dificultar a entrada de imigrantes sem documentos nos EUA vindos do país vizinho.
Aparecida: Ah, entendi! Mundo sem fronteira só na Internet. Assim mesmo, tem “bloqueio”. Mas falando em muros e mexicanos, me lembrei dos túneis. Outro dia o seu Carlos me disse, exaltado: “Tentaram construir um túnel como fizeram no assalto ao Banco Central no Ceará. Este país está ficando ingovernável”. Eu fui checar e descobri que foi no México. Autoridades mexicanas descobriram um túnel entre Otay Mesa e San Diego, no sul da Califórnia. Tudo o que o seu Carlos fala eu tenho que checar antes. Outro dia a filha dele estava falando que achava que o Governo do Estado iria liberar a maconha. Eu disse que não. Mas argumentei: “O Fernando Henrique se pronunciou sobre as drogas e ninguém fala nada. Se fosse o Lula diriam: ´O Lula quer viciar as nossas crianças!´ O seu Carlos logo comentou: “O Lula quer viciar as nossas crianças?” Ele escuta da forma que ele quer ouvir desde que seja para condenar os seus oponentes. Espero agora uma trégua porque ele está armando a Árvore de Natal na sala. Ele gosta dos comes e bebes da festa.
Bytes: Falando em Natal, a Casa Branca vai homenagear os soldados estadunidenses mortos nas guerras travadas pelos Estados Unidos em “nome da liberdade”. Fotos, cartas e medalhas militares fazem parte da decoração natalina da Casa Branca (acima). “O Natal é uma das épocas mais favoritas do ano”, disse a primeira-dama Michelle Obama. Ela explicou que as famílias e as vítimas representam "o melhor" dos Estados Unidos. As 85 mil pessoas que devem visitar a Casa Branca em dezembro poderão escrever mensagens para esses militares. O lema eleito pela família Obama para o Natal é simples: "brilhar, ajudar e compartilhar", para lembrar a importância de passar o tempo com a família e os amigos, a alegria de ajudar os demais e de compartilhar.
Aparecida: Falando em Natal, uma árvore de 30 metros de altura, procedente da Ucrânia, foi montada ontem na praça de São Pedro, no Vaticano, onde permanecerá junto ao tradicional presépio.
Bytes: Falando em compartilhar, eu me lembrei dos judeus. O Ministério de Absorção de Imigrantes israelense pôs anúncio em várias comunidades estadunidenses onde há grande número de israelenses expatriados. Os comerciais advertem que, se não voltarem para casa, vão perder sua identidade como judeus. O Ministério também pôs em sua página na Internet uma série de vídeos curtos que, de forma irônica, alerta os israelenses dos “perigos” de criar os filhos nos Estados Unidos. Em um dos comerciais, avós israelenses tomam um susto ao ouvir que sua neta, que mora na América, está comemorando o Natal. Todos os filmes publicitários terminam com um narrador dizendo, mais ou menos assim: “Eles nunca vão entender o que significa ser israelense”. Num dos vídeos uma jovem judia briga com o namorado por ele não cultuar os soldados israelenses mortos em defesa da pátria. Os anúncios patrocinados pelo governo Netanyahu sugerem que é impossível um judeu permanecer judeu vivendo em outro país. Após críticas da comunidade judaica dos Estados Unidos, o governo israelense voltou atrás e retirou a propaganda.
Aparecida: Falando em Natal, eu li uma entrevista do Inri Cristo na “Folha”. Ele disse: "Posso ser louco, mas não sou bobo". Autointitulado "emissário do Pai", o Inri vai ser apresentar hoje no show “Fritada” no Teatro das Artes, em São Paulo. Ele criticou os pastores evangélicos: "O que mais tem no Brasil, por exemplo, é 'evanjegue', que são esses que se dizem evangélicos, porque tem sobre o dorso montado o lobo na pele de ovelha, que lhes chantageia com o dízimo e lhes confisca 10% de seus miseráveis salários". E lançou um vídeo em que suas “discípulas” parodiam músicas de famosos, como Justin Bieber. O Inri também não gosta do Natal. "O Natal para mim é uma data comercial. Não existe. É uma coisa inventada pelos homens, aliás é uma data pagã (...) e foi sempre a data mais triste para mim, em toda a minha vida".
Bytes: Falando em Justin Bieber, o cantor passou o fim de semana na Disney para gravar uma mensagem de Natal.
Aparecida: A mensagem de Natal da Globo já está no ar. E na voz do “Rei”. O William Bonner se transformou até em “carteiro”. Espero que ele traga a “Boa Notícia” para o “Jornal Nacional”.
O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, declarou hoje (6) que o sistema político russo não é problema dos ocidentais, depois que observadores da OSCE criticaram a proximidade do Estado russo com o partido de Vladimir Putin, vencedor das legislativas de domingo. “Tudo o que é relacionado aos partidos políticos é de responsabilidade das autoridades russas e não da competência de organizações internacionais", disse Medvedev, segundo a agência de notícias RIA Novosti. "Monitorar as eleições, as violações, é uma coisa, mas o sistema político, não é da conta deles", acrescentou. Ontem, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmou que "a concorrência política" durante a campanha eleitoral na Rússia foi "limitada e desigual" e ressaltou "a falta de independência" das autoridades eleitorais e da imprensa, além da enorme proximidade do Estado com o partido de Putin, o Rússia Unida. Segundo a OSCE, ocorreram "fraudes" nas eleições legislativas que deram a maioria absoluta da Câmara Baixa do Parlamento (Duma) ao partido Rússia Unida, incluindo violações de urnas. "A votação foi bem organizada, mas a qualidade do processo se deteriorou durante a contagem dos votos, que foi caracterizada por violações frequentes de procedimentos, com fortes indícios de fraude das urnas", disse a missão de observação da instituição. Os Estados Unidos também demonstração preocupação com a eleição. “Quando as autoridades falham em processar aqueles que atacam o povo por exercerem seus direitos ou exporem abusos, elas subvertem a justiça e abalam a confiança do povo nos seus governos”, afirmou hoje a secretária de Estado.dos EUA, Hillary Clinton, falando a ministros dos 56 países integrantes da (OSCE),. “Como vimos em muitos lugares, e mais recentemente nas eleições para a Duma (Câmara) na Rússia, eleições que não são justas nem livres têm o mesmo efeito”, acrescentou. Alheio às críticas, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que o partido governista obteve um "bom resultado" nas eleições parlamentares do domingo. "O Rússia Unida conseguiu a maioria, uma maioria estável", disse o chefe do governo em reunião com funcionários da legenda, segundo as agências russas. "É um bom resultado nas atuais condições. Sabemos o que ocorre em países com uma situação econômica e social que até há muito pouco tempo parecia muito estável e onde agora milhões de pessoas saem às ruas", avaliou o primeiro-ministro. Segundo ele, o Rússia Unida deve reagir com rapidez aos problemas dos cidadãos e lutar contra a corrupção, sem se importar com os clichês. "Trata-se de clichês que não se referem a um partido político concreto. Dizem que o partido no poder é uma legenda vinculada ao roubo e à corrupção. E se lembrarmos daqueles que estiveram no poder nos tempos soviéticos? Todos eles eram chamados de ladrões e corruptos", avaliou. A oposição radical batizou o Rússia Unida como o "partido de sem-vergonhas e ladrões", termo adotado por outros setores opositores, que foram unânimes em denunciar irregularidades. Gennady Ziuganov, o líder do Partido Comunista, a segunda legenda mais votada, denunciou que os resultados foram forjados para favorecer o partido de Putin. Segundo as agências de notícias ocidentais, o governo russo pôs o exército nas ruas para conter a onda de opositores que reclamam de fraude na eleição. Ontem, segundo as agências, 300 pessoas foram presas na capital por protestarem sem a autorização do governo. A Anistia Internacional denunciou que há perseguição política nas detenções. Para a ONG, os ativistas Alexei Navalni e Ilia Yashin, condenados a 15 dias de prisão após serem detidos em protestos, são "presos políticos". Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, coronel Vasily Panchenkov, o objetivo do aparato deslocado às ruas de Moscou é garantir a segurança dos cidadãos. Se há crise no âmbito eleitoral, no plano econômico a Rússia vai muito bem. A agência de classificação de risco Fitch informou que a economia da Rússia é mais resistente à crise da zona do euro do que qualquer outro país do Leste Europeu. “As dificuldades dos mercados financeiros atuais estão se espalhando cada vez mais por países do Leste Europeu que ficam fora da zona do euro. O Estado que está demonstrando a maior estabilidade na resistência à crise agora é a Rússia”, ressaltaram analistas da agência. Otimista está também Jim O'Neill, ex-economista-chefe do Goldman Sachs. Além de prever o crescimento dos chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), O'Neill projeta um crescimento russo para a zona do euro (acima). Segundo ele, nos próximos 20 anos a Rússia terá um crescimento econômico recorde através da diversificação de sua economia e promoção de suas exportações. Em 2050, o PIB russo poderá atingir US$ 10 trilhões. Para ele, mesmo com a população envelhecendo, o PIB da Rússia poderá ultrapassar o PIB da França, Grã-Bretanha e Alemanha em 2030. “Se a Rússia conseguir realizar suas potencialidades, isso irá gerar uma realidade política, social e econômica interessante para a União Europeia e o resto do mundo. Seria do interesse da União Europeia que seu vizinho fosse mais rico”, afirmou O’Neill. A previsão de O´Neill, contida no livro “O Mapa do crescimento: as oportunidades econômicas nos Brics e além”, que comemora os 10 anos da denominação Brics, não tem ressonância em seus colegas. Segundo eles, é difícil imaginar que a Rússia fique incorporada à União Europeia. “A frase-chave é ‘se conseguir evitar crises e conflitos’. Se isso acontecer, vamos dar razão a O'Neill, mas isso é pouco provável, pois 20 anos é um prazo muito grande. Nesse espaço de tempo, o país enfrentará várias crises e provavelmente não conseguirá evitá-las”, acredita Serguêi Karikhálin, analista da empresa TKB Capital. A analista da empresa de investimento Vector Securities, Aleksándra Lozováia, aposta no processo de integração das economias russa e europeia. Centenas de empresas europeias operam na Rússia e a Europa é o maior parceiro comercial do país. Nos últimos anos, tem-se falado muito sobre a necessidade de simplificar o regime de vistos entre a Rússia e os países europeus. “Uma maior abertura e a integração da Rússia aos mercados globais são não só desejáveis, mas também necessárias à sobrevivência da nação. O isolamento da Rússia não a ajudará a resolver os problemas que impedem seu desenvolvimento econômico”, acrescenta o diretor-geral da sociedade gestora Solid Managment, Iúri Nóvikov. Enquanto a união com a zona do euro não ocorre, o assunto do momento no Kremlin é bloquear o sistema antimíssil dos EUA instalado na Europa. 
Tico: No dia de hoje o Império Britânico reconheceu a independência de uma de suas colônias: a República da Irlanda. Dublin representava um dos países mais pobres da Europa Ocidental e teve sempre alta taxa de emigração. A economia protecionista começou nos anos de 1950 e a Irlanda aderiu à Comunidade Europeia, que passou a chamar-se mais tarde, União Europeia, em 1973. Uma crise econômica levou à Irlanda a iniciar, em grande escala, as reformas econômicas no final dos anos de 1980. Ela reduziu drasticamente a tributação e a regulamentação, em comparação com outros países da UE. Já o Parlamento da Irlanda do Norte preferiu ter apenas uma autonomia parcial ao decidir continuar a pertencer ao Reino Unido na primeira metade do século XX. A independência da Irlanda ocorreu há 89 anos.
Teco: No dia de hoje a cidade Kiev, capital da Ucrânia, foi invadida e conquistada pelos mongóis. A invasão começou no estado da Rússia Kievana, o que levou posteriormente à ascensão do principado de Moscou. A batalha do Rio Kalka, ocorrida no dia 31 de maio de 1223, foi o primeiro confronto militar entre os exércitos mongóis de Genghis Khan e os guerreiros eslavos orientais. Foi travada às margens do rio Kalka, numa área entre as atuais Donetsk e Mariupol, hoje Ucrânia. No dia 4 de fevereiro de 1238. a cidade de Moscou foi cercada e incendiada pelos conquistadores Mongóis. Em 1240, conquistaram Kiev. No ano seguinte, os guerreiros invadiram a Polônia, Romênia e Hungria, mas não conseguiram conquistar o norte da Itália, a Áustria e os estados germânicos. A invasão dos mongóis a Kiev ocorreu há 771 anos.
Bytes: No dia de hoje a Finlândia tornou-se independente do Império Russo logo após a Revolução Comunista de 1917. Há 94 anos.
Aparecida: No dia de hoje nasceu o filólogo pernambucano Geraldo Lapenda. É autor de várias obras que analisa o processo linguístico, como “Etimologia da palavra Tupã”,”Maracutaias?!”, “O Indo-europeu”, “O substantivo italiano” e “Os dialetos da Itália”. Entre as obras ainda inéditas estão “O latim aplicado à linguagem botânica” e “O timbre das vogais médias no falar nordestino”. Eu gosto particularmente do seu trabalho sobre a Itália e o latim. Ele explicou que, antes da conquista romana, a Itália era habitada por várias tribos do vasto grupo indo-europeu. O apogeu de Roma é que levaria todos a falar a mesma língua: o latim. Mas surgiram os dialetos”. Geraldo Lapenda nasceu há 86 anos.
Bytes: No dia de hoje nasceu o físico e químico francês Louis Joseph Gay-Lussac. Ele foi o autor da Lei dos Gases Perfeitos: “À pressão constante, o volume de uma quantidade constante de gás aumenta proporcionalmente com a temperatura”. Gay-Lussac nasceu há 233 anos.
Aparecida: No dia de hoje morreu no exílio, na Argentina, o presidente João Goulart, derrubado por um golpe militar na década de 60. Há 35 anos.
Bytes: Jango deixou o Uruguai para morar na Argentina após receber um convite de Perón. Ainda há muitas dúvidas se ele não foi assassinado numa suposta trama em que teriam trocado seu remédio. A Operação Condor tinha o propósito de eliminar todos os líderes políticos brasileiros contrários ao regime. Ele ficou muito doente após o golpe. Em uma carta ao deputado Doutel de Andrade, ainda em 64, Jango escreveu a respeito do Inquérito Policial Militar a que estava sendo submetido pelo regime militar: “Com profunda mágoa, tomo conhecimento da opressão, injustiças e violências praticadas contra o povo e contra as pessoas que cometeram o único crime de serem meus amigos ou de apoiarem minha orientação, que entendiam certa para os destinos do País”. Mais adiante, nessa mesma correspondência, referindo-se a uma reportagem publicada por um jornal de Porto Alegre relativa ao seu patrimônio, ele disse que os seus bens foram adquiridos até 1961, data em que assumiu a Presidência da República. Jango afirmou que algumas das propriedades em Mato Grosso, a ele atribuídas pelo jornal, nunca constaram do seu patrimônio e concluiu solicitando que todos os dados fornecidos fossem publicados, se possível, como matéria paga.
Aparecida: No dia de hoje morreu no Rio de Janeiro o marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata. Há 42 anos.
Bytes: Ontem eu assisti ao filme “Os nomes do amor” (acima). Como faz bem à alma um filme inteligente, principalmente se tiver a picardia do olhar francês sobre a história. O enredo tem como pano de fundo o romance entre um conservador francês, filho de uma judia que sofreu os horrores do nazismo, convertida pelas circunstâncias à “cristã nova”; e de uma liberal francesa, filha de um argelino de ascendência muçulmana, imigrante do colonialismo francês. Entre os dois a mesma ânsia: a busca pela identidade em meio às intransigências da coletividade. Uma frase da jovem resume bem o filme: “Na França todos são fascistas. Os brancos, os negros, os judeus e até os árabes são fascistas”. O olhar crítico faz parte da memória: nos anos 70 os franceses se dedicavam a “corrigir os erros passados” em diversos espectros da Corte de Justiça. O “politicamente correto” da Revolução Francesa versus o princípio da realidade após o “distanciamento histórico”. Na trama não poderia faltar que, na família no moço, o pai lutou no exército francês contra os argelinos, cujos avós da moça foram dizimados nesta guerra. O mesmo que ocorreu com os avós do moço durante o Holocausto dos judeus na França nazista. Há crítica bem aguçada sobre a sociedade francesa: a mãe da moça, uma ex-hippie esquerdista, confessa que o pai não recebeu a cidadania francesa do socialista François Mitterand, mas do direitista Giscard d'Estaing. A ideologia é mais uma vez desmascarada. No enredo bem engendrado tem temas contemporâneos, como energia nuclear, colonialismo, racismo, pestes, como a gripe aviária, e até uma participação especial do socialista Lionel Jospin, autor da “medida de precaução”. Na visão da jovem, a solução para uma “sociedade democrática” estaria no sexo: fazer amor com os conservadores a fim de que eles não façam às guerras. Uma tese do patriarca Freud às avessas. Para os olhos da jovem, a polícia é o significado do “medo”, pois esteve diante da repressão odiada pela história, apenas dever cumprido ao seu tempo. Uma bela comédia francesa onde não poderia faltar a menção ao nome de Sarkozy, nem as confusões típicas na hora de votar. Trapalhadas e arrependimentos existem, assim como a mistura dos elementos. Detalhe: a jovem se chama Bahia, motivo que leva a coletividade a achar que ela era brasileira. Aplausos. Seja benvindo ao circuito.
Aparecida: o jornal “The Guardian” publicou ontem um estudo feito pela London School of Economics a partir de entrevistas com inúmeras pessoas que participaram dos distúrbios, nos quais morreram cinco pessoas e 4 mil foram presas em Londres. Segundo a pesquisa, o descontentamento geral da população com a polícia foi fundamental para os distúrbios em agosto.
Bytes: Na madrugada de sábado eu assisti ao filme “Trinta anos esta noite”, de Louis Malle. Um clássico. O Telecine Cult fez um resumo sobre o enredo. Me chamou a atenção a cena antológica. Após receber alta da clínica onde se tratava de alcoolismo, o personagem principal sofre porque terá que enfrentar o “espaço-tempo”, típico do mundo e da coletividade. Ele olha para o revólver e diz: “A vida passa muito devagar para mim. Então eu a acelero. Eu a corrijo”. É muito bom morar num país livre com várias percepções à mostra, a fim de permitir a formação do meu “conteúdo”.
Aparecida: Meu filho disse que na década de 60 os jovens acreditavam que Paris seria o berço do “nome próprio”. 
Tico: Qual é a diferença entre o pensar e o falar?
Teco: A ministra do Trabalho na Itália não consegue falar a palavra “sacrifício”. Já a chanceler alemã Angela Merkel não consegue pensar em “dívidas”. A língua, no entanto, tem a mesma moeda: o euro. Apesar das interpretações serem diferentes dos sentimentos.
Aparecida: Eu me emocionei ao ver o vídeo sobre o choro da ministra italiana.
Bytes: Declarações germanófobas por uma parte da classe política francesa têm preocupado os analistas. Um dos líderes da esquerda socialista, Arnaud Montebourg, acusou a chanceler alemã de querer "acabar com o euro". "A questão do nacionalismo alemão está prestes a ressurgir, através da política à la Bismarck da Sra. Merkel", disse o radical francês. "Chegou o momento de assumir o confronto político com a Alemanha e defender nossos valores", acrescentou. O deputado Jean-Marie Le Guen chegou a afirmar que o encontro entre Sarkozy e Merkel era parecido com a presença de "Daladier em Munique", onde franceses, britânicos e italianos assinaram, em 1938, com Hitler, acordos permitindo a anexação dos Sudetos, na então Tchecoslováquia. Emmanuel Todd, renomado intelectual francês, disse à imprensa que a crise na zona do euro se deve à "embriaguez do poder" e à "rigidez mental" da Alemanha. O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, disse que os socialistas "assumem os riscos de ressuscitar, na França, velhos demônios". "Nacionalismo alemão, política à la Bismarck, direita prussiana. O emprego desses termos causa frio na espinha. É vergonhoso, por ranzina partidária, fragilizar nossa conquista mais preciosa: a reconciliação, a amizade franco-alemã", acrescentou o chefe da diplomacia francesa.
Aparecida: Ah, entendi! A “rivalidade histórica” entre Paris e Berlim. Uma questão nacionalista, síndrome da Europa.
Bytes: Para o jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, "nem os alunos modelo estão a salvo".
Aparecida: Um dos líderes da Democracia Cristã alemã, partido de Merkel, afirmou ao jornal “Die Welt” que vê "um cálculo de ordem política por trás do anúncio da agência de classificação de risco estadunidense, destinado a desviar a atenção dos problemas do endividamento dos Estados Unidos”. "A dívida dos Estados Unidos supera a de toda a zona do euro", comentou Michael Fichs.
Bytes: O presidente do Banco Central Austríaco, Ewald Nowotny, disse hoje que a advertência da agência de classificação Standard & Poor's aos países europeus tem uma motivação política. “O momento escolhido para lançar esta advertência, e sua amplitude, têm um contexto claramente político", declarou Nowotny, também membro do Banco Central Europeu, num fórum em Viena.
Aparecida: No sábado, o pavilhão “Deutschlandhalle”, construído em 1935 pelo austríaco Adolf Hitler, foi posto abaixo. No local está prevista a construção de um centro de conferência, que tentará apagar da memória um tempo que a Alemanha quer esquecer: o nazismo.
Bytes: A minha amiga Eva twittou no domingo: “A localidade alemã de Koblenz, no oeste do país, parecia uma cidade fantasma depois que 45 mil pessoas foram retiradas desde quarta-feira para que especialistas pudessem neutralizar uma bomba de aviação proveniente ainda da Segunda Guerra Mundial”.
Aparecida: Os europeus vão falar alemão como queria Hitler ou francês como desejava Napoleão?
Bytes: O que podemos falar é que não será inglês porque o Reino Unido ainda está em crise de identidade em sua relação com a Europa. Os ingleses se sentem mais à vontade na América, porque falam a mesma língua, apesar de considerá-los “incompetentes” por causa da “mistura”. Ouve-se hoje muito mais o espanhol nas ruas da Califórnia ou do Novo México. Mas mentalidade britânica é ainda muito rígida.
Aparecida: Ah, entendi! A identidade. Paulista não é igual a baiano, mas o relacionamento é “real”. Construído a trancos e barrancos. Deve ser porque falam a mesma língua, apesar do sotaque.
Bytes: O rei da Bélgica, Albert II, nomeou ontem à noite para primeiro-ministro o socialista francófono Elio Di Rupo. Após a crise política de 450 dias sem chefe de Governo, Bruxelas, capital da União Europeia, tem um comandante. Ele fala francês, mas garantiu que entende o holandês, língua falada pela maioria no país, pondo, assim, fim às críticas da oposição. O alemão, a terceira língua do país, é menos escutado. A sorte do país é que tem ainda um rei, o chefe de Estado.
Aparecida: Na Irlanda, o primeiro-ministro, Enda Kenny, pediu à população que se prepare para um orçamento mais apertado a ser divulgado nesta semana. De acordo com a emissora de TV britânica BBC, os gastos públicos sofrerão um corte de 2,2 bilhões de euros e o aumento de impostos de até 23% será responsável pela arrecadação de mais 1,5 bilhão de euros. Há receio de que o pacote econômico faça “água” com o governo tentando enxugar gelo. Mas o irlandês ainda pensa em inglês.
Bytes: Falando em água, o telescópio Kepler, da Nasa, descobriu ontem um planeta em uma região habitável de um sistema solar, ou seja, onde pode haver água em estado líquido. O planeta Kepler-22b é o menor já encontrado em uma região habitável de uma estrela similar ao Sol, mas ainda assim tem cerca de 2,4 vezes o raio da Terra.
Aparecida: A Terra ter sido considerada plana pelo homem foi uma crendice ou uma superstição?
Bytes: Foi uma crendice porque fez parte da ciência, mas que foi enterrada pela “evolução natural”, apesar da maioria ter tido fé na divulgação dos cientistas daquele tempo. Já a superstição está mais ligada à religião ou à cultura popular ou individual.
Aparecida: Ah, entendi! O “rei” Roberto Carlos é muito supersticioso. Ele só sai pela mesma porta que entrou.
Bytes: Falando em crendice, o Paul me twittou lá de Nova York dizendo que os alunos da prestigiada Universidade de Harvard estão exigindo mudanças no currículo do primeiro ano porque temem ser “o desempregado de amanhã”. A fé já não é a mesma em economia. Ele me anexou um artigo muito interessante de um professor estadunidense que faz uma análise sobre a evolução da “Era das incertezas” iniciada nos anos 80. O começo da Era digital, de compressão tempo-espaço.
Aparecida: O que é coincidência?
Bytes: É a comissão de ética da Presidência dar o parecer no mesmo dia em que a ONU divulgou o ranking sobre a corrupção no mundo, no qual o Brasil teve ligeira melhora no percentual.
Aparecida: Ah, entendi! Outros dirão que é “sinergia”. O Marcos Valério foi preso por ter comprado fazendas fantasmas com o dinheiro do suposto mensalão. A notícia deve dar um empurrão no processo porque, seis anos depois, o STF só espera o voto do relator para julgar o “escândalo” que quase levou ao impeachment do presidente Lula.
Bytes: A revista “Forbes” publicou que num país onde a tônica é a “corrupção”, a notícia que reinou no Brasil foi a saída da Fátima Bernardes da bancada do “Jornal Nacional”. Teve muita concorrência a coletiva de imprensa que contou com a presença da sucessora, Patrícia Poeta (acima). E também muito boato. Tudo especulação. Segundo a revista estadunidense, a Globo quer transformar a Fátima Bernardes na “Oprah brasileira”. Só falta o auditório.
Aparecida: A Patrícia Poeta cortou o cabelo e vai usar roupas mais “sóbrias” na bancada do “JN”.
Bytes: Dizem que ela é muito sucinta nas palavras.
Aparecida: Será coincidência ou supertição? A Fátima Bernardes revelou na “Revista da TV” que foi a mais entusiasmada em cantar a música de Natal da Globo: “Hoje é um novo dia, de um novo tempo”. A apresentadora achou coincidência que tenha lido para crianças carentes na Biblioteca Nacional o livro “Esconderijo das vontades”. Segundo ela, as pessoas afirmaram: “Tem tudo a ver com você”.
Bytes: É uma questão de identidade.
Aparecida: Ah, entendi!
Tico: Por que continua o embate entre os Estados Unidos e a China?
Teco: Porque Washington teme perder o status de “civilizador do mundo”. Elementar, meu caro Watson.
Bytes: É como a gente estava comentando lá na facû: “A economia seria mais dinâmica se a China produzisse mais barato para o mundo, reduzindo a inflação dos países e realimentando o consumo. Mas os chineses precisam de matéria-prima para crescer e fazem acordos que não interessam à ´família do império´. Está instalado o impasse. E a crise”.
Aparecida: Um editorial do jornal oficial “Global Times”, considerado porta-voz do regime chinês, acusou na sexta-feira a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, de estar sabotando a China na sua visita a Mianmar, até agora um país da área de influência de Pequim. "Hillary deveria ter deixado claro que a China raramente tem por alvo os Estados Unidos. A estratégia de volta à Ásia dos EUA foi especificamente planejada contra a China", defende o artigo, em referência a palavras da secretária de Estado. Em seu caminho a Mianmar, Hillary Clinton pediu aos países emergentes que fossem "compradores inteligentes" ao aceitar ajuda estrangeira e que desconfiassem de "doadores mais interessados em extrair recursos naturais do que em aumentar sua capacidade", numa alusão a Pequim.
Bytes: Um grupo de estudantes da Universidade de Georgetown, coordenado por um ex-funcionário do Pentágono, afirma que a China teria escondido num sistema de túneis um arsenal nuclear muito maior do que se acredita, próximo a 3 mil ogivas. O estudo recebeu grande destaque na imprensa estadunidense.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 2 de dezembro de 1961 sob a manchete “Opinião Geral: verdadeira calamidade o projeto de lei sôbre remessa de lucros”: “Nos vários círculos econômicos e financeiros, os comentários continuam desfavoráveis ao projeto aprovado pela Câmara Federal sôbre remessa de lucros. Ouvimos, hoje, o economista Dênio Nogueira: - O projeto aprovado revela que, até agora, não se compreendeu, entre nós, o papel do capital estrangeiro. Ninguém tem o direito de pôr em dúvida que grande parte do progresso industrial dos últimos dez anos, no Brasil, se deve ao capital estrangeiro, quer em investimentos diretos, quer em financiamentos. Os círculos econômicos, consultados pela reportagem do GLOBO, foram unânimes em afirmar que o dólar poderia atingir a casa dos 500 cruzeiros se a atual lei de remessa de lucros fôr sancionada pelo presidente da República. A simples aprovação pela Câmara Federal repercutiu na cotação da moeda norte-americana, vendida, ontem, a Cr$ 370 no mercado paralelo. Asseguram as mesmas fontes que a aprovação do projeto redundará no caos econômico, de conseqüências imagináveis para o país”. E mais: “Sem dar mostras de arrependimentos, por haver mandado assassinar o juiz de Direito Jaime Garcia Pereira, a viúva Madalena Vieira Moreira continua prêsa na cadeia pública de Mirassol. Demonstra grande preocupação em trajar-se com finura, tendo, também, mandado instalar cortinas nas grades da cela, rádio (que ouve o dia todo), solicitando um ventilador e a permissão para mandar pintar as paredes de côr-de-rosa”. E mais: “Os Estados Unidos e a União Soviética trocaram, ontem, violentas acusações ao se iniciar o debate que poderá tornar-se histórico contra a admissão da China comunista na ONU”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 2 de dezembro de 2011, 50 anos depois: “Dilma não demite Lupi e cobra explicação da Comissão de Ética. Procurador-geral elogia recomendação e até pedetistas pedem exoneração”. E mais: “Menos impostos para mais consumo. Governo dá incentivo para melhorar desempenho do PIB, que será perto de zero no trimestre”. E mais: “Bolsa sobe e dólar cai com menos IOF. Alívio para capital externo faz Bovespa avançar 2,2%. Moeda fica em R$ 1,802”.
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 4 de dezembro de 1961 sob a manchete “Deputados já reconhecem a necessidade de alterar a Lei de Remessa de Lucros”: “A confissão pública de Fidel Castro, sábado último, sôbre sua convicção comunista, aparece com sete meses de atraso, pelo menos no que concerne aos Estados Unidos, que em 2 de maio, passado qualificou Cuba de “Estado comunista”. A declaração de Castro, porém, reconhecendo que é um marxista-leninista e o será sempre, ajudará os EUA, segundo se acredita, em seus esforços para persuadir os membros da OEA sôbre a necessitar de adotar medidas contra o primeiro-ministro cubano. Quando Castro derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista, assumindo o poder em 1 de janeiro de 1959, figuras do govêrno norte-americano expressaram, então, de modo particular, a crença de que a revolução castrista tinha muitos aspectos de índole comunista. Êste ponto-de-vista só foi propagado durante os meses seguintes e se ampliou durante todo o ano de 1960. Naqueles dias viram-se fuzilamentos em massa, acôrdos comerciais com a Rússia e outras nações-comunistas, além da chegada de numerosos técnicos da China vermelha, e ainda seqüestros de aviões e expropriações de bons pertences a cidadãos norte-americanos”.
Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “O Chávez está fazendo o mesmo caminho de Fidel. Aos poucos está estatizando a economia para levar a Venezuela ao marxismo-leninismo. E quer exportar a sua ideologia para outros países pobres, a fim de implantar a ´servidão coletiva´. Bem fizeram o `Globo´ e os Estados Unidos que denunciaram a farsa de Fidel. Coitados dos cubanos que tiveram que exilar em Miami acreditando que o projeto de Castro era democrático”.
Bytes: Já o ancião Fidel garante que será absolvido pela história.
Aparecida: Se alguém dissesse que o FMI viria um dia ao Brasil de “pires nas mãos”, os nacionalistas da década de 60 o chamariam de “romântico”.
Bytes: Mas nós somos apaixonados pela história porque, a partir dela, entendemos o nível de espaço-tempo do mundo.
Aparecida: O meu filho me disse que a China só entrou na ONU após o “acordo estratégico” com os Estados Unidos. Se dependesse de Moscou, ficaria dependente.
Bytes: Assim é o mundo. Hoje até o Putin, nostálgico da União Soviética, defende o capital externo porque é um dos pilares do sucesso do crescimento russo.
Aparecida: A Rússia decidiu instalar em Cuba a sua fábrica para a produção de fuzis AK-47. O anúncio foi feito na última quinta-feira pelo diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar russo, Konstantin Biriulin. "Os componentes já foram levados a Cuba há alguns anos. Agora trata-se de tirá-los das caixas e iniciar a produção", disse ele, ao jornal russo "Kommersant".
Aparecida: O que você achou da eleição russa?
Bytes: Apesar da visão do Ocidente, foi excelente. Segundo a Nadja me contou no Twitter, o percentual de votos para o Rússia Unida foi reduzido porque muitos eleitores não gostaram da troca de cadeira decidida pelos oligarcas. Putin ser candidato a presidente não há problema, mas o Medvedev virar primeiro-ministro é pura falta de oxigênio. Mesmo assim, o chefe de Governo ainda terá maioria no Parlamento para poder governar.
Aparecida: Washington disse que está preocupado com as eleições russas.
Bytes: Os Estados Unidos têm muitas prioridades pela frente, como a retirada das tropas no Iraque e planejar o fim das tropas da Otan no Afeganistão. O pai do Paul disse, em tom profético, há 10 anos: “O Bush (pai) começou a destruição dos Estados Unidos e o filho apenas completará a obra do pai”.
Aparecida: O Obama disse que o ataque da Otan que matou os soldados paquistaneses não foi “proposital”.
Bytes: O presidente do Afeganistão disse à revista alemã “Der Spiegel” sobre a transição militar no país: “Não vou pedir dinheiro. O Ocidente não veio pelo Afeganistão em primeiro lugar. Eles vieram por sua própria segurança, e nós nos unimos nessa luta contra o terrorismo internacional. Nós precisávamos deles, eles precisavam de nós. Estamos e estaremos nas linhas de frente na luta contra o terrorismo e perdemos pessoas todos os dias. Somos agradecidos por toda a ajuda que recebemos dos países ocidentais, mas os esforços no Afeganistão também são uma responsabilidade partilhada. Se fracassarmos no caminho para um Afeganistão estável, os velhos tempos e a situação anterior aos terríveis ataques de 11 de setembro poderão voltar antes do que pensamos”.
Aparecida: Ele explicou as denúncias de corrupção que sua família estariam envolvidas em relação à crise no Banco de Cabul? O Karzai impediu auditoria externa.
Bytes: O líder afegão disse que uma embaixada estava por trás das denúncias. “Achamos que todo o escândalo do banco foi criado por mãos estrangeiras”, explicou, mas sem revelar o nome da embaixada.
Aparecida: No Afeganistão, os fiéis muçulmanos estão se flagelando, para provocar muito “sangue derramado” em seu corpo, a fim de lembrar o martírio do neto do profeta Maomé morto numa batalha em Karbala, no Iraque. O ritual faz parte do Ashura.
Bytes: Falando em denúncias de corrupção, caiu mais um ministro da Dilma.
Aparecida: Quantos ministros já caíram?
Bytes: Segundo a “Folha”, foi o sexto a cair.
Aparecida: Agora deve cair o ministro do Desenvolvimento.
Bytes: Eu li ontem no Globo On: “Dilma orienta Pimentel a explicar consultorias”. O meu colega gaiato lá da facû brincou: “A nossa presidente também está se especializando na área de Direito”.
Aparecida: Os “indignados” brasileiros vão montar barracas em Brasília, a exemplo do movimento “Ocupe Wall Street” que foi retirado.
Bytes: Houve violência na retirada, mas as imagens tremidas na Internet ficaram restritas à Síria.
Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “A foto da Dilma, bem saudável, sentada no júri militar, demonstra que não havia tortura no Brasil durante o regime militar”. Eu respondi: “Só a foto da Vera Sílvia Magalhães é bem significativa porque estava na cadeira de rodas quando foi fotografada ao sair da prisão em troca da libertação do embaixador dos Estados Unidos”. Ele ficou frustrado porque o Vasco não foi o campeão brasileiro. “Foi tudo uma armação para favorecer o Corinthians, a fim de puxar o saco do Lula!”.
Bytes: Falando em futebol, o presidente do Palmeiras negou que fosse um “banana” e criticou os “amebas”.
Aparecida: O Ratinho estava sem papas na língua durante o programa “Agora é tarde”, da BAND. Ele disse: "Hoje você assiste o programa da Ana Maria Braga e ela fala muito mais de defunto que eu".
Bytes: Na sexta-feira, ativistas do grupo Femen protestaram seminuas contra a prostituição em frente ao estádio olímpico de Kiev, antes do sorteio da fase de grupos da Eurocopa de 2012, a ser disputada na Polônia e Ucrânia.
Aparecida: O prestigiado João Havelange se demitiu do Comitê Olímpico Internacional porque haveria uma avalanche de denuncias de corrupção. Como diria o saudoso José Alencar; “Eu não temo a morte, mas a desonra”.
Bytes: Segundo o portal da Fifa, a Rússia está orgulhosa em sediar a Copa do Mundo em 2018.
Aparecida: Até começarem as denúncias. Aliás, postaram no YouTube um protesto contra os resultados da eleição russa.
Bytes: Falando em protesto, a rede de TV CNN informou hoje que a petrolífera britânica BP acusou a estadunidense Halliburton de destruir intencionalmente evidências para dissimular seu papel no desastroso derramamento de petróleo que ocorreu em 2010 no Golfo do México. O meu colega gaiato brincou: “È a maldição do petróleo”.
Aparecida: Falando em maldição, o Greenpeace se reuniu com a Petrobrás porque afirma que o Brasil será um grande poluidor com a exploração do pré-sal.
Bytes: O ministro das Minas e Energia brasileiro disse que a estadunidense Chevron pode ser expulsa do país. Quando leu a notícia, o meu colega gaiato brincou: “Pensei que a declaração fosse do Ahmadinejad”.
Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “O ministro deveria estar cuidando do Maranhão onde há risco de um acidente ecológico pior do que o provocado pela Chevron. E com um supernavio da Vale”.
Bytes: Falando em Ahmadinejad, cresce a percepção em Israel que a explosão da usina nuclear no Irã foi obra do Mossad, o serviço secreto israelense. Seria um caso de “terrorismo de Estado”.
Aparecida: Falando em terrorismo, a Noruega quase entrou em pé de guerra na semana retrasada após sair a sentença do atirador que matou vários compatriotas num congresso do Partido Trabalhista. Sobre a tragédia, ele foi considerado “mentalmente incapaz”. Ele, no entanto, justificou a tragédia dizendo que livrou o país dos muçulmanos e do "marxismo cultural".
Bytes: Falando em tragédia, como fica a dívida da Grécia?
Aparecida: Escreveu o apóstolo Paulo: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento e tenha uma fé capaz de remover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor nada disso valerá”.
Bytes: Se a Paixão de Cristo não eliminou o espaço-tempo, viva o “sagrado” sangue derramado!
Aparecida: Viva! Viva! Viva!
EM MEMÓRIA DO PRESIDENTE JOÃO GOULART
Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2011
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